O Brasil suspenderá as exportações de carne de aves para a China, seu principal cliente, a partir de hoje, segundo Ricardo Santin, presidente da ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal).
O autoembargo ocorrerá de forma preventiva, devido à detecção de um caso da doença de Newcastle em uma produção comercial de perus em Santa Catarina.
O protocolo sanitário firmado entre as duas nações determina que o Brasil bloqueie automaticamente os embarques de carnes de aves caso o vírus da doença de Newcastle ou da gripe aviária seja detectado.
Nos próximos dias, as autoridades sanitárias chinesas devem avaliar o caso e todas as informações prestadas pelo governo brasileiro para definir se a suspensão será mantida para o Brasil inteiro ou o critério da regionalização será adotado — que pode ser por estado, município ou até um raio de 10 quilômetros do foco de identificação do vírus, segundo Santin.
O procedimento será o mesmo adotado quando o País identificou outro caso da doença de Newcastle no Rio Grande do Sul, em 2024. Naquela ocasião, após análise do caso, a China decidiu restringir o embargo ao estado gaúcho, e a suspensão dos embarques de todo o Brasil durou menos de um mês.
O país asiático respondeu por cerca de 10% das exportações brasileiras de carne de frango de janeiro a setembro deste ano, segundo os dados oficiais.
De acordo com Santin, as exportações para o Chile também devem ser suspensas, já que o protocolo adotado pelo país também prevê o autoembargo em casos como este.
As ações da MBRF, maior exportadora de aves do Brasil, caíam cerca de 5% na B3 por volta das 16h, enquanto o Ibovespa operava praticamente estável. Já os papéis da JBS, dona da Seara, recuavam aproximadamente 1% na Bolsa de Nova York.
Busca ativa
O DNA do vírus foi detectado numa busca ativa realizada por ações de vigilância, e os animais confinados não chegaram a manifestar a doença. As amostras foram coletadas entre 21 de setembro e 14 de outubro, segundo o Ministério da Agricultura.
A propriedade, que possui cerca de 6 mil perus, foi interditada. As medidas previstas incluem a eliminação do foco por meio da depopulação das aves, seguida de limpeza, desinfecção e execução dos demais protocolos estabelecidos pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA).
Em nota, a ABPA, a Associação Catarinense de Avicultura (ACAV) e o Sindicato da Indústria de Carnes e Derivados do estado de Santa Catarina (Sindicarne-SC) ressaltaram que “o Brasil dispõe de um sistema de defesa sanitária estruturado, com protocolos de vigilância, prevenção e resposta a ocorrências dessa natureza, incluindo medidas de contenção e controle sanitário previstas na legislação vigente”.





