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Propriedade Intelectual na Exportação: Como Proteger a Marca ao Expandir a …

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Expandir para o exterior costuma vir acompanhado de um planejamento minucioso: análise de canais de distribuição, custos logísticos, tributação e investimento em marketing local. Um vetor, porém, segue frequentemente invisível até para empresas já consolidadas: a segurança jurídica da marca, da patente e da tecnologia fora das fronteiras brasileiras. 

Um erro recorrente na internacionalização de indústrias brasileiras é aportar capital expressivo em novos mercados sem antes assegurar o essencial: a prerrogativa legal de usar a própria marca ali. 

A origem desse erro é sempre a mesma: a suposição de que o reconhecimento conquistado no Brasil se estende automaticamente a outros países. Não se estende. A propriedade intelectual é estritamente territorial: sem registro no país de destino, a empresa opera sob risco constante de bloqueio de uso, indeferimento por conflito com terceiro ou litígio. 

Por que a busca de anterioridade é indispensável antes de exportar 

Antes de qualquer depósito no exterior, é indispensável uma investigação de anterioridade no mercado de destino: verificar se a marca pretendida já está registrada, se colide com algo semelhante, ou se carrega conotação inadequada no idioma local. 

Pular essa etapa é a causa mais comum de retrabalho caro: descobrir o conflito depois de já ter investido em embalagem, campanha e distribuição é mais custoso do que preveni-lo. 

O patrimônio a proteger, além disso, raramente se limita ao nome comercial. Design industrial, patentes, softwares, direitos autorais sobre materiais técnicos e de marketing, e até a presença digital da marca (domínios, redes sociais) merecem o mesmo cuidado preventivo. Ademais, a ausência de vigilância pós-pedido ou pós-registro é o que permite que concorrentes ou terceiros de má-fé capturem esses ativos antes da própria empresa. 

Como funciona a proteção de marca e patente fora do Brasil 

Confirmada a disponibilidade da marca, existem hoje caminhos que simplificam o processo de registro no exterior. 

O Protocolo de Madrid, do qual o Brasil é signatário desde 2019, permite designar dezenas de países com um único pedido internacional de marca, ainda que cada país examine e decida separadamente, o que preserva o princípio da territorialidade. 

Para patentes, o Tratado de Cooperação em Matéria de Patentes (PCT) funciona de forma parecida: resguarda, com um único pedido, a possibilidade de proteção em mais de 150 países. Vale ainda a prioridade unionista da Convenção de Paris: até 12 meses após o primeiro depósito no Brasil, é possível estender o pedido a outros países sem perder a data de prioridade. Isso dá à empresa tempo para decidir com calma onde expandir. 

6 erros que colocam a marca da sua indústria em risco na exportação 

Boa parte dos problemas de PI enfrentados por indústrias brasileiras no exterior se repete nos mesmos padrões. Veja os mais comuns: 

  1. Registro apenas no Brasil. Não protege a marca ou a patente em nenhum outro país, sendo o equívoco mais comum e mais caro de uma operação internacional. 
  2. Divulgação antes da proteção. Publicitar ou negociar um produto antes do pedido de registro pode destruir o requisito de novidade de uma patente, ou abrir janela para que terceiros registrem uma marca primeiro. 
  3. Deixar a titularidade em aberto. O registro deve ser sempre da própria empresa exportadora, e isso precisa estar explícito em contrato desde o início da negociação com distribuidor, representante ou importador local. 
  4. Pular a busca de anterioridade. Um conflito com registro já existente (colidência) pode forçar desde a adequação da marca até a cessação completa das atividades sob aquele nome. 
  5. Confundir trâmite único com proteção automática. Um pedido centralizado (Madrid, PCT) não garante aprovação em todos os países designados, uma vez que cada país poderá decidir de forma independente. 
  6. Ignorar a regulação local. PI não substitui registro sanitário, normas técnicas ou exigências de conteúdo local; essas são camadas diferentes de compliance que precisam andar juntas. 

O papel de um escritório de propriedade intelectual com atuação internacional 

Nesse tipo de operação, o valor de um escritório especializado vai muito além do simples protocolo do pedido de registro.

Está em coordenar, a partir de um ponto único, uma rede de correspondentes em várias jurisdições, evitando que a indústria lide diretamente com múltiplos escritórios, idiomas e prazos. Está em definir a estratégia de sequenciamento de registros, aproveitando a janela de prioridade da Convenção de Paris. Está em conduzir due diligence e busca de anterioridade antes de qualquer investimento em marca, patente ou desenho industrial. 

Está também em revisar contratos de distribuição, representação e licenciamento com foco em titularidade de PI, ponto frequentemente negligenciado e responsável por boa parte das disputas entre exportador e parceiro local. E em avaliar a conotação cultural e linguística da marca antes do lançamento em mercado estrangeiro. 

Por fim, está em manter o monitoramento pós-registro: vigilância de uso por terceiros e gestão de prazos de renovação em múltiplas jurisdições, cada uma com regras próprias. 

O momento de proteger é antes de exportar, não depois 

Internacionalizar não é apenas abrir uma nova frente de vendas: é garantir a perenidade do maior patrimônio intangível da empresa. Tratar a propriedade intelectual como parte da estratégia de expansão, e não como um detalhe jurídico a resolver depois, é o que diferencia um crescimento sólido de um passivo internacional irreversível. 

A Britânia Propriedade Intelectual, com mais de 60 anos de tradição e inovação, acompanha indústrias brasileiras nesse processo, da estratégia de registro à revisão contratual. Antes de exportar, fale com quem já protege marcas brasileiras em mais de 5 continentes. 

 

Ricardo Piragini é sócio-sênior da Britânia Propriedade Intelectual | Marcas, Patentes, Direitos Autorais, Ativos Intelectuais e Direito Desportivo | Professor de Direito Comercial e Direito Empresarial

 

 

 

 

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