17.3 C
Marília
HomeAgronegócioRuiz Coffees pede recuperação judicial, e credores de CRA vão ficar com...

Ruiz Coffees pede recuperação judicial, e credores de CRA vão ficar com fazendas

spot_img



A crise financeira da Ruiz Coffees desembocou mesmo em uma recuperação judicial, confirmando os temores que existiam desde o fim de junho, quando o grupo agropecuário comandado por João Ruiz Lourenço Filho conseguiu suspender temporariamente o pagamento das dívidas.

O pedido de recuperação judicial foi apresentado em 8 de outubro, mas os detalhes começaram a circular na Faria Lima só nesta semana. O juiz do caso, que corre na Vara Regional Empresarial e de Conflitos de São José do Rio Preto (SP), ainda não deferiu o pedido, mas suspendeu execuções e bloqueios de dívidas por mais 30 dias.

À Justiça, a Ruiz Coffees reportou uma dívida de R$ 1,6 bilhão. Desse total, R$ 775 milhões são créditos sujeitos à recuperação judicial. A maior parte da dívida, portanto, está fora do processo.

Ao todo, a dívida extraconcursal da Ruiz Coffees é de R$ 820 milhões, espalhada entre cooperativas de crédito, bancos, tradings e veículos do mercado de capitais, incluindo Fiagros de gestoras como Galápagos e Suno.

Dados compilados pela Vitify mostram que a empresa tem quatro CRAs ativos atualmente, com um saldo devedor de R$ 192,9 milhões.

Muitos desses credores têm fazendas do grupo em alienação fiduciária. No caso da Galápagos, parte das terras já foi transferida a um de seus fundos (Santo Reis Fiagro), em 2025.

Pela relação de bens apresentada à Justiça, mais de 3 mil hectares estão em alienação fiduciária, mostrando como o grupo ficou dependente de uma negociação com esses credores para sobreviver. Ao todo, a Ruiz Coffees tem 7,5 mil hectares cultivados com café.

Não à toa, a companhia está adiantada em uma negociação com parte dos credores do mercado de capitais, conforme The AgriBiz antecipou. A Ruiz Coffees concordou em ceder as fazendas a fundos de investimentos detidos pelos crazistas. Em troca, conseguirá manter os ativos sob operação.

O Fiagro da Suno (SNAG11), um dos credores da Ruiz Coffees, informou aos cotistas que o CRA está em processo de substituição por cotas seniores de um fundo que será dono das fazendas que pertenciam ao grupo. O Grupo Ruiz ficará com a cota subordinada. O veículo será gerido pela Buri Asset Management, firma de investimentos fundada por Eça Correia e Olivier Colas.

Para uma fonte que acompanha o caso, o excesso de ativos dados em garantia é uma demonstração da perda de controle na gestão da Ruiz Coffees. Durante o boom do café, o grupo fez uma expansão tão agressiva que as condições de pagamento ficaram inviáveis.

No pedido de recuperação judicial, a Ruiz Coffees alegou que os investimentos ficaram pesados diante de um ciclo de aumento de juros e de fatores climáticos adversos para a safra de café.

De acordo com os documentos, na safra 2023/24 foram colhidas 179,8 mil sacas, ante 250 mil orçadas. Na safra 2024/25, veio uma frustração de 21% em relação às expectativas, colhendo 193 mil sacas. E, em 2025/26, a estimativa é de 205 mil sacas, refletindo uma frustração de 13,9%.

Mesmo com a alta do preço do grão, a companhia relata que não conseguiu aproveitar completamente esse efeito por ter fixado antecipadamente a venda dos grãos, o que agravou a crise.

***

Procurada, a Ruiz Coffees não respondeu até à publicação. O texto será atualizado caso o grupo se manifeste.



Fonte Link

spot_img
spot_img
Fique conectado
16,985FansLike
2,458FollowersFollow
61,453SubscribersSubscribe
Deve ler
spot_img
Notícias Relacionadas
spot_img