19.3 C
Marília
HomeEconomiaDobrar a aposta ou botar no bolso? Como os alocadores estão vendo...

Dobrar a aposta ou botar no bolso? Como os alocadores estão vendo o 2° turno

spot_img



Alocadores têm feito mudanças nos investimentos dos clientes depois da reprecificação dos últimos dias. Entre as principais: realizar lucros, aumentar o risco de forma moderada e aplicar em fundos ativos.
Gestores de patrimônio têm feito mudanças nas carteiras dos clientes depois da reprecificação dos últimos dias.
Mas dada a incerteza do cenário – além da eleição, as dúvidas sobre juros no exterior têm gerado volatilidade nos mercados – os ajustes são pontuais.
O Brazil Journal ouviu quatro alocadores. Três estão aumentando o risco de forma moderada – com uma maior alocação em ações locais e papéis atrelados à inflação de prazo mais longo – e um deles recomenda voltar ao risco que o cliente tinha antes do primeiro turno (o que não significa não ter Bolsa).
O objetivo é posicionar as carteiras para o rali que pode se seguir à eventual vitória de Flávio Bolsonaro.

“Podemos ver aqui algo similar ao que aconteceu na Colômbia após a eleição deste ano, onde a probabilidade maior de um ajuste fiscal foi suficiente para valorizar os ativos, em alguns casos acima da média histórica, mesmo antes de as medidas serem anunciadas,” Luciano Telo, o CIO para o Brasil do UBS Global Wealth Management, disse ao Brazil Journal.
Ainda assim, as casas não têm feito grandes apostas direcionais, em razão da disputa eleitoral apertada e do cenário externo.
A piora nas expectativas de inflação e juros nos EUA e Europa tem feito preço no exterior, e isso só não se refletiu totalmente aqui por conta do otimismo com Flavio. Além disso, as dúvidas sobre o retorno dos investimentos em AI e o preço do petróleo podem voltar a pesar.
“Não existe céu de brigadeiro se a dinâmica internacional estiver turbulenta,” disse Rodrigo Moraes, o CIO da BR Partners. “Se os juros subirem mais que o esperado, o risk-off pode ser generalizado.”
Nesta semana, o crescimento de Lula nas pesquisas e uma inflação acima do esperado nos EUA fizeram o Ibovespa e o índice de small caps caírem, devolvendo parte dos ganhos do rali pós-primeiro turno.
“O investidor está testando seu apetite a risco. Quem estava super animado na semana passada já começa a acordar com dúvidas,” disse Moraes.
Ainda que a Bolsa brasileira continue barata e os juros reais, elevados, houve algum ajuste de preços dos últimos dias – especialmente nos papéis prefixados e atrelados à inflação.
“Antes do primeiro turno, os preços estavam muito fora do lugar, o que justificava uma aposta contrarian. Agora as escolhas são menos óbvias,” disse Roque Sut, o CIO da Setta Gestão Patrimonial, que atende 70 famílias.

Em setembro, a Setta havia investido no índice de small caps via opções, para limitar o potencial de perda. Depois da porrada, embolsou o lucro, até porque a posição ficou overweight com as opções aumentando o delta.
Para quem já está dentro da alocação sugerida pela casa, a recomendação é não botar mais risco agora.
“Temos seis níveis de risco aqui, e o mais baixo é zero bolsa e 1,7% de volatilidade, e o que tem mais risco tem 7,5% de vol,” disse Roque. “O objetivo é obter retornos acima de CDI compatível com o risco incorrido.”
Já os investidores que nos últimos meses estavam mais conservadores e perderam o rali recente devem elevar aos poucos, de forma gradual, a aplicação em ações, papéis atrelados à inflação e fundos multimercado, disse o CIO.
Na G5 Partners, onde os clientes estavam bastante alocados em CDI antes do primeiro turno, a casa está recomendando usar cerca de 20% desse caixa para investir mais na Bolsa brasileira e em títulos atrelados à inflação com vencimentos até 2032. 
O UBS passou a sugerir uma alocação média de 15% em ações locais, ante os 12,5% de antes do primeiro turno – quando a exposição da maioria dos clientes estava entre 5% e 7,5%.
“Há espaço para um rali adicional na renda fixa e especialmente na Bolsa, que está reprimida há mais tempo,” disse Telo. 
Segundo ele, o diferencial do juro real entre Brasil e EUA voltou à média histórica com o fechamento das taxas dos últimos dias. Ainda assim, o banco manteve o overweight na renda fixa atrelada à inflação por acreditar que pode haver uma compressão maior caso haja avanços na agenda de reformas, 
Na Bolsa, os alocadores têm priorizado a gestão ativa, buscando gestores que possam reagir rapidamente às mudanças de cenário – o que pode direcionar algum fluxo para esses produtos depois de anos de resgates. 
“Ainda estamos avaliando se vale a pena investir no SMLL. Por enquanto, preferimos a gestão ativa, escolhendo quem achamos que vai conseguir navegar pelas melhores oportunidades,” disse Renan Rego, o CIO da G5.
Se Lula vencer, os recursos devem sair da Bolsa e voltar para o CDI e papéis mais curtos atrelados à inflação. “Nossa visão é que ele deve anunciar medidas de ajuste fiscal, mas tímidas, suficientes apenas para não fazer a dívida explodir,” disse um gestor de fundos. 
“Existe um concurso de feiúra no mundo. O Brasil precisa mostrar que pode ser mais arrumadinho para atrair capital. A vantagem é que pouco dinheiro pode fazer diferença,” disse um alocador.



Fonte Link

spot_img
spot_img
Fique conectado
16,985FansLike
2,458FollowersFollow
61,453SubscribersSubscribe
Deve ler
spot_img
Notícias Relacionadas
spot_img