Depois de avançar na semana passada, o plantio de soja deve acelerar ainda mais nos próximos dias com o aumento da umidade. A chuva irá espalhar pelo centro e norte do Brasil, enquanto o El Niño dará uma rara trégua à região Sul.
Em boa parte do Sudeste e do Centro-Oeste, o acumulado deve variar entre 30 e 40 milímetros nos próximos dias. Matopiba, Rondônia e sul do Pará têm previsão semelhante. Em alguns municípios entre a Bahia, o Tocantins e o noroeste do Mato Grosso, estimam-se mais de 50mm.
Nas áreas de café do Espírito Santo e da Zona da Mata de Minas Gerais, o acumulado varia entre 50mm e 100mm, com risco de tempestades.
Por outro lado, mal irá chover nos próximos sete dias no oeste do Rio Grande do Sul, permitindo o plantio do arroz. Mais ao norte da região Sul, a chuva não para completamente, mas ela será mais fraca do que nas semanas anteriores, com acumulado entre 20mm e 30mm no Paraná, Santa Catarina e norte do Rio Grande do Sul.
Com o avanço da chuva para o centro e norte do Brasil, uma massa de ar frio domina o Sul e partes do Sudeste e Centro-Oeste, deixando as madrugadas mais frias.
Na próxima segunda-feira (19), há potencial para geadas fracas nas áreas mais elevadas do Rio Grande do Sul, de Santa Catarina e do Paraná, sem potencial para danos nas lavouras. No estado de São Paulo e no sul de Mato Grosso do Sul e de Minas Gerais, os termômetros devem marcar 10°C.
A trégua no Sul será curta e, na semana entre 21 e 28 de outubro, as tempestades retornam com acumulados acima dos 100mm no Paraná, Paraguai e nordeste da Argentina.
Apesar da mudança da gangorra da chuva para o Sul, a precipitação prossegue em boa parte das regiões Sudeste e Centro-Oeste, aumentando a umidade do solo e favorecendo o desenvolvimento das lavouras. A preocupação é com o Matopiba, que voltará a ter tempo mais seco e quente nos últimos dias de outubro.
Chuva afeta a soja no Paraná
O fim de semana prolongado foi de chuvas fortíssimas no Paraná, Paraguai e nordeste da Argentina, com acumulado pontual aproximando-se dos 300mm e, em média, chegando aos 150mm no oeste paranaense.
Houve inundações na Tríplice Fronteira por conta do elevado nível do rio Paraná, ainda mais com parte dos vertedouros de Itaipu abertos. No campo, o impacto é negativo na soja, primeira safra de milho e no trigo da região Sul.
De acordo com o Deral, em apenas uma semana, o percentual das lavouras de milho em boas condições caiu nove pontos percentuais no Paraná. No trigo, a condição ruim dobrou em uma semana, de 6% para 12% das áreas instaladas.
No Rio Grande do Sul, apesar do acumulado de chuva realizado mais baixo comparado ao Paraná, os problemas no trigo também são significativos, como a presença de doenças, germinação na espiga antes da colheita, diminuição do pH nas lavouras maduras e dificuldade na manutenção por conta da elevada umidade do solo e tempo nublado, de acordo com a Emater.
O efeito negativo no trigo extrapola a região Sul e chega ao estado de São Paulo, onde apenas 65% das áreas foram colhidas ante 90% no ano passado, segundo a Conab.
O Brasil estará mais dependente do trigo da Argentina neste ano pelo excesso de chuva e menor área plantada. Por enquanto, os efeitos do El Niño não foram tão severos no país vizinho como por aqui.
De acordo com a Bolsa de Cereais de Buenos Aires, 64% das áreas estão em boas condições de desenvolvimento. A produtividade das primeiras áreas colhidas não alcança as registradas no ano passado, porém está maior que a média dos últimos cinco anos.
Ainda sobre o excesso de umidade no centro e sul do Brasil, consultorias como a StoneX indicam pelo menos 30 milhões de toneladas de cana-de-açúcar podem ficar para a moagem de 2027/2028.
Algumas usinas pretendem trabalhar até dezembro para diminuir o atraso, mas a quantidade de Açúcar Total Retornável (ATR) deve permanecer baixa, já que a chuva não deve dar grandes tréguas. O acumulado de chuva na última semana oscilou em torno dos 25mm no estado de São Paulo.
Por outro lado, o plantio da soja avançou e chegou a pouco mais de 15% das áreas destinadas à oleaginosa no Brasil, ante 9% na semana anterior, de acordo com a Conab.
Em Mato Grosso, o plantio deu um salto para 33% das áreas instaladas, aumento de 23 pontos percentuais, segundo o Imea. O acumulado de chuva alcançou aproximadamente 25mm na região do Parecis, no oeste de Mato Grosso, enquanto áreas centrais do Estado receberam mais de 50mm.
Celso Oliveira é especialista em tempo e clima da Tempo OK.





