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O maior ETF de ações brasileiras nunca recebeu tanto dinheiro em uma única semana. Após o primeiro turno das eleições, o EWZ, negociado em Nova York, criou 63,4 milhões de cotas, cerca de US$ 2,7 bilhões, recorde desde o lançamento, em 2000, segundo a BlackRock.
A enxurrada levou a bolsa à melhor semana em mais de seis anos. O Ibovespa subiu 8,82%, para a máxima histórica de 209.066 pontos, e as small caps saltaram 20,1%. Na B3, estrangeiros aportaram R$ 12,2 bilhões em quatro pregões, enquanto pessoas físicas e institucionais venderam.
Fundos dedicados ao Brasil captaram mais que todos os emergentes somados, o volume chegou a R$ 103,3 bilhões em um único dia e o dólar recuou 4,49% na semana.
O Goldman Sachs vê espaço para mais alta, condicionada à queda dos juros longos e a uma política fiscal mais responsável. Mas Flávio Bolsonaro, à frente nas pesquisas do segundo turno, ainda não detalhou seu plano econômico.
* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed
Em cinco pregões, o maior ETF de ações brasileiras negociado em Nova York aumentou em mais de um quarto o número de cotas em circulação. Após o primeiro turno das eleições, o EWZ registrou 63,4 milhões de novas cotas, equivalentes a uma entrada estimada de US$ 2,7 bilhões, segundo dados da BlackRock, gestora do fundo. Essa é a maior expansão semanal de sua base desde o lançamento, em 2000.
O aumento de 26,6% no número de cotas dá a dimensão da corrida dos investidores para ampliar suas posições ativos brasileiros. Em quantidade, o resultado é quase o triplo do recorde anterior, registrado em abril deste ano.
Todos os cinco pregões da semana pós-primeiro turno figuram entre os seis maiores da história do ETF em criação de cotas. A segunda-feira, 5 de outubro, liderou o movimento, com entrada estimada de US$ 703 milhões.
Quando um investidor compra o EWZ na bolsa americana, pode apenas adquirir a posição de outro vendedor. A expansão do número de cotas mostra que o movimento também chegou à estrutura do fundo, ampliando sua carteira de ativos.
Nesse processo entre negociar cotas existentes e criar novas cotas, instituições autorizadas entregam ao ETF uma cesta de ativos ou recursos e recebem novas cotas, que podem ser negociadas no mercado. O EWZ é uma maneira de comprar exposição ao Brasil sem selecionar individualmente cada ação. Sua referência é o MSCI Brazil 25/50, índice de empresas de grande e médio porte.
Na segunda-feira, 12 de outubro, o fundo tinha US$ 13,1 bilhões de patrimônio e 301,8 milhões de cotas em circulação, segundo a BlackRock.
A expansão recorde ocorreu na mesma semana em que o Ibovespa avançou 8,82%, seu melhor desempenho semanal em mais de seis anos, e renovou a máxima histórica, aos 209.066 pontos. O resultado do primeiro turno reacendeu a aposta na mudança da condução político-econômica e de uma política fiscal menos expansionista.
O apetite não ficou restrito ao EWZ. Segundo dados da EPFR compilados pelo Goldman Sachs, os fundos de ações dedicados exclusivamente ao Brasil captaram US$ 2,3 bilhões na semana encerrada em 7 de outubro, o equivalente a 8,25% do patrimônio monitorado.
Esse levantamento acompanha tanto ETFs quanto fundos de gestão ativa ao redor do mundo. Por isso, seus valores não devem ser somados aos do EWZ. Além da possível sobreposição, os períodos são diferentes: a semana da EPFR terminou na quarta-feira, enquanto o número do ETF considera os cinco pregões até sexta-feira, 9 de outubro.
Ainda assim, a comparação mostra a força da preferência pelo País. A captação dos fundos dedicados ao Brasil superou o saldo agregado dos fundos de ações de mercados emergentes monitorados no levantamento. Em outra medida do movimento internacional, o Goldman apontou vendas líquidas de ações por estrangeiros de US$ 4,9 bilhões na Coreia do Sul e de US$ 1,3 bilhão na Índia no mesmo período.
Melhor semana em mais de seis anos
Na B3, os investidores estrangeiros aportaram R$ 12,2 bilhões líquidos nos quatro pregões seguintes à votação. Apenas na segunda-feira, 5, o saldo foi de R$ 10,06 bilhões, o maior valor diário do ano.
A entrada coincidiu com a expansão do EWZ e reforça o retrato de uma recomposição acelerada de posições em Brasil. Os dados disponíveis, porém, não permitem identificar qual parcela das compras na bolsa brasileira esteve diretamente associada à criação de cotas do fundo.
Do outro lado do balcão estavam os investidores locais. Nos três primeiros pregões da semana, as pessoas físicas venderam R$ 5,4 bilhões em ações e os institucionais, R$ 3,9 bilhões, segundo a B3. Quase tudo ficou concentrado na segunda-feira, quando os dois grupos se desfizeram, juntos, de R$ 9,3 bilhões.
Na segunda, 5, a bolsa movimentou R$ 103,3 bilhões em ações, mais de quatro vezes a média diária de 2025, em 10,4 milhões de negócios. Segundo dados da Bloomberg, em pelo menos cinco anos apenas um pregão superou essa marca: o de 15 de abril, inflado pelo vencimento de opções sobre o Ibovespa.
Na semana, foram R$ 350,3 bilhões negociados, uma média de R$ 70 bilhões por dia. O movimento levou o volume médio diário de outubro, até o dia 9, a R$ 61,8 bilhões, 85% acima do registrado em setembro.
O câmbio também refletiu a procura por ativos brasileiros. O dólar Ptax recuou 4,49% na semana, para R$ 4,9892, e passou a acumular queda de 9,33% em 2026. Nos fluxos cambiais de fundos monitorados pelo Goldman, o real teve, ao lado do dólar, a maior demanda líquida entre as moedas, com entrada de US$ 1,7 bilhão.
Para Paulo Abreu, sócio-fundador da Mantaro Capital, a intensidade do movimento revela quanto espaço ainda existe para recompor posições.
“É reflexo de uma subalocação generalizada em Brasil, tanto de investidores locais quanto estrangeiros”, diz Abreu.
A equipe de estratégia para emergentes do Goldman Sachs também vê possibilidade de continuidade do rali, mas condiciona esse avanço a uma nova queda dos juros longos, sustentada pela perspectiva de uma política fiscal mais responsável.
Na avaliação do banco, as ações brasileiras continuam baratas em relação ao histórico, e o posicionamento em small caps e em papéis sensíveis a juros permanece leve. “Os fluxos, no geral, seguem baixos em relação à tendência de ciclos eleitorais anteriores e podem melhorar à medida que a incerteza eleitoral se dissipar.”
Foi justamente nesses segmentos que a alta ganhou mais força. O índice de small caps disparou 20,1% na semana, mais que o dobro do Ibovespa, encerrou a sexta-feira na máxima do ano e acumula valorização de 41% desde a mínima de 2026, registrada em 18 de agosto. Na contramão, o índice de materiais básicos, que reúne exportadoras de commodities, caiu 1,7%, pressionado pela valorização do real.
O pano de fundo continua sendo a eleição. A primeira pesquisa Datafolha para o segundo turno, realizada entre 6 e 8 de outubro, mostrou Flávio Bolsonaro com 52% dos votos válidos, contra 48% de Lula, com margem de erro de dois pontos percentuais. Na AtlasIntel, divulgada no dia 9, o senador apareceu com 52,8%, ante 47,2% do presidente.
“Uma eventual mudança de cenário pode ser transformacional para o preço dos ativos locais”, afirma Abreu.
A transformação esperada pelos investidores, porém, ainda depende de propostas concretas. Flávio não detalhou seu plano para a economia, e a perspectiva de maior responsabilidade fiscal, que sustenta a tese do Goldman, precisa ganhar contornos mais claros.
“O foco agora se volta para as pesquisas do segundo turno e para as declarações de política econômica dos candidatos nos próximos dias”, afirma o banco.
O EWZ mostra a velocidade com que o dinheiro pode chegar quando muda a percepção sobre o Brasil. Depois da criação recorde de cotas, o desafio é dar sustentação à aposta que trouxe esses recursos.





