Em meio à crescente insatisfação do campo com o seu mandato, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, liberou um valor recorde para proteger produtores rurais de perdas por fatores climáticos ou quedas abruptas de preços.
Os principais programas de proteção contra riscos e perdas de safras do USDA (Departamento de Agricultura dos EUA) vão pagar US$ 13,8 bilhões (R$ 69 bilhões) aos produtores elegíveis em 2025.
“Trata-se, de longe, do maior pagamento anual realizado desde que esses importantes programas de rede de segurança foram instituídos pela Lei Agrícola de 2014”, ressaltou o USDA em comunicado nesta quinta-feira.
O montante se divide em dois planos: o “Agriculture Risk Coverage” (ARC, da sigla em inglês para “cobertura de riscos agrícolas”) e o “Price Loss Coverage” (PLC, “cobertura de perda de preço”). O primeiro cobre perdas agrícolas ligadas a perdas de produtividade e volumes (quase sempre por questões climáticas), enquanto o segundo protege os produtores de quedas acentuadas nos preços das commodities.
Em declaração atribuída ao próprio presidente Donald Trump, o USDA afirmou que “esse apoio econômico histórico proporciona aos produtores a liquidez essencial para cobrir custos operacionais, preparar-se para a próxima safra e investir em suas atividades”.
O apoio foi anunciado às vésperas das “midterm elections”, como são chamadas as eleições de “meio de mandato” presidencial que renovam a maior parte do Legislativo nos EUA e acontecerão em novembro.
Tradicionalmente parte do público trumpista mais fiel, o agronegócio concentrado no meio-oeste americano tem dado crescentes sinais de insatisfação com as políticas do presidente.
Em especial, a guerra no Irã, que abalou as cadeias de suprimento de insumos e ampliou os custos com energia e fertilizantes, e a guerra comercial, que abalou a demanda chinesa por alguns produtos agrícolas americanos, especialmente a soja.
Com isso, estados que sempre foram praticamente de vitória garantida para os Republicanos, como Kansas e Iowa, começam a ver uma crescente competitividade dos candidatos Democratas, como reportou nesta quinta-feira a Bloomberg.
Mais benesses
O valor recorde nos programas de proteção contra perdas não é a única ação recente de Trump para tentar melhorar o clima com o agronegócio local.
Na segunda-feira, a Secretária de Agricultura dos EUA, Brooke Rollins, comunicou uma ordem executiva do presidente para dar isenção fiscal temporária, até o fim do ano, para agricultores e pecuaristas na compra de diesel. Segundo o governo americano, a ação vai cobrir cerca de 91 milhões de hectares e representará uma economia de US$ 640 milhões para o setor.
Em junho, Trump anunciou “medidas para proteger o abastecimento de alimentos e apoiar a produção agrícola nacional” que incluíam a suspensão temporária de tarifas sobre fertilizantes fosfatados importados do Marrocos.
Em dezembro passado, o USDA anunciou US$ 12 bilhões em verbas “de transição” para agricultores para proporcionar liquidez, “em resposta a perturbações temporárias no mercado e ao aumento dos custos de produção que ainda afetam o setor após quatro anos da desastrosa administração de Joe Biden”.
Por fim, também nesta quinta, o USDA anunciou um investimento de US$ 825 milhões em compras de commodities produzidas nos EUA para assistência alimentar internacional.
As eleições
As eleições de “midterm” nos EUA são decisivas para a segunda metade da gestão presidencial — daí o “de meio de mandato” no nome pelo qual são conhecidas.
Historicamente, o presidente da vez sai desse pleito ou com o poder renovado, ou posto sob dúvida, para o restante do governo.
Neste ano, Trump tenta consolidar seu poder nas “midterms”, buscando manter a maioria na Câmara e no Senado que construiu na eleição presidencial de 2024.
Em tempos de crescente polarização política e muitas acusações dos Democratas contra Trump que, até aqui, não foram investigadas no Legislativo justamente pela maioria Republicana, o pleito serve também, no caso de vitória da oposição, para gerar um risco de impeachment na Câmara.





