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Na Camil, o pior ficou para trás. CEO vê queda na alavancagem

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Depois de sofrer com os preços baixos do arroz e deixar o investidor ressabiado em razão dos níveis altos de endividamento, a Camil parece pronta para virar o jogo, ingressando em um ciclo de desalavancagem que pode beneficiar a companhia da família Quartiero na bolsa.

Em teleconferência com analistas, o CEO da Camil, Luciano Quartiero, disse nesta sexta-feira que a recuperação dos preços do arroz deve trazer efeitos positivos para os resultados a partir do terceiro trimestre fiscal (iniciado em setembro). Ontem à noite, a empresa reportou o balanço do trimestre encerrado em agosto.

Desde o início do ano, o preço do arroz em casca no Rio Grande do Sul — principal região produtora do País — subiu mais de 50%, passando de R$ 53,45 por saca para R$ 82,58 por saca, de acordo com os dados do Cepea (Centro de Estudos em Economia Aplicada).

“O efeito dos preços mais altos praticamente não apareceu no segundo trimestre, mas já vemos o impacto cheio em setembro. De setembro a novembro, e muito provavelmente no quarto trimestre, o impacto desse novo patamar de preço vai ficar muito claro”, disse Quartiero.

Além disso, o CEO da Camil chamou atenção para as indicações de redução da área plantada de arroz na próxima safra brasileira. Combinado ao risco trazido pelo El Niño, o efeito positivo para a empresa pode ser maior. “Dependendo do impacto, os preços podem subir mais do que vimos até agora”, afirmou o empresário.

O arroz mais caro não é o único fator a ajudar na redução da alavancagem da Camil, que estava em 4,7 vezes no fim de agosto, nível bem acima da estrutura de capital desejada pela empresa.

Após concluir o projeto de construção da fábrica de Camaquã, no Rio Grande do Sul, a Camil vai trabalhar com um nível de investimento mais baixo, o que significa mais geração de caixa para reduzir o endividamento.

Segundo Quartiero, a empresa possui capacidade ociosa para ampliar a produção sem a necessidade de investimentos em expansão por ao menos 2,5 anos, e possivelmente até três anos.

No arroz, o nível de utilização de capacidade da companhia está entre 76% e 77%; em massas e biscoitos, de 40% a 50%, e em café, em 60%. “Temos capacidade para crescer 30% sem exigir investimentos adicionais em expansão”, resumiu o CEO da Camil.

Outro fator favorável é a perspectiva de queda dos juros. Pelas contas de Henrique Brustolin, analista do Bradesco BBI, cada corte de 1 ponto percentual na Selic aumenta em cerca de 1,4 ponto o fluxo de caixa livre para o acionista, medido em relação ao valor de mercado da empresa.

Por fim, a Camil ainda conta com a possibilidade de vender ativos não estratégicos para gerar caixa e acelerar o processo de desalavancagem. Entre esses ativos, estão terrenos onde ficavam plantas desativadas. Outra possibilidade é deixar de ter um centro de distribuição próprio e passar a operar em imóvel alugado.

Ao abordar a venda de ativos, Quartiero fez questão de ressaltar que nenhum negócio estratégico será alienado. “Não consideramos vender nenhum segmento, nenhuma companhia adquirida, mas sim ativos menores”.

No médio prazo, os executivos da Camil confiam que a alavancagem vai cair abaixo de 2,5 vezes. Só depois disso a companhia voltará a pensar em investimentos para crescer. No curto prazo, a companhia parece bem encaminhada para cumprir os covenants de alavancagem máxima de 4 vezes, o que é medido no fim de cada ano fiscal (28 de fevereiro).

***

No balanço trimestral divulgado ontem à noite, a Camil reportou uma receita de R$ 2,8 bilhões, queda de 7% na comparação anual, um reflexo dos preços ainda baixos na operação internacional e do menor volume comercializado de açúcar (no ano passado, houve muita exportação).

O Ebitda ajustado encolheu 13%, somando R$ 212 milhões, com uma margem Ebitda de 7,7%, também menor do que a do ano passado. O lucro líquido, que inclui um ganho não recorrente de R$ 21 milhões com hedge, foi de R$ 41 milhões, queda de 47%. Por outro lado, a margem bruta melhorou, subindo mais de dois pontos, chegando a 24,7%.

Na B3, os investidores estão mais construtivos com a Camil, o que também reflete o ambiente mais positivo da bolsa em geral. Nesta sexta-feira, as ações da Camil sobem 0,85%. Em doze meses, os papéis acumulam valorização de mais de 40%. A companhia está avaliada em R$ 2,4 bilhões.



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