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A “síndrome brasileira” da França: dívida dispara e gestoras caçam pechinchas no caos europeu

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A França enfrenta preocupações com a sustentabilidade de sua dívida pública, que atinge € 3,5 trilhões, ou 119% do PIB.

A turbulência, marcada por protestos estudantis e um ajuste fiscal de € 54 bilhões, resultou em uma onda vendedora de títulos públicos, elevando os rendimentos dos OATs a quase 5%, o maior nível em 25 anos. O spread dos títulos franceses em relação aos alemães aumentou significativamente, refletindo a preocupação dos investidores.

Apesar disso, gestoras como Aberdeen Investments e W1M veem oportunidades de compra, apostando na valorização de títulos italianos e crédito corporativo europeu. A Ninety One, por sua vez, evita títulos soberanos franceses até as eleições de 2027. A Schroders optou por reduzir posições na Itália e Espanha, focando em ativos com fundamentos mais sólidos, dada a incerteza na França.

* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed

A França enfrenta um dilema conhecido do investidor brasileiro: a preocupação com a sustentabilidade da dívida pública. O país acumula uma dívida € 3,5 trilhões (aproximadamente US$ 4 trilhões), o equivalente a 119% do seu Produto Interno Bruto (PIB).

O desafio é antigo, mas ganhou novamente os holofotes em meio a um cenário de forte turbulência, com protestos estudantis mobilizando o país por maior investimentos em educação, enquanto o governo tenta aprovar um ajuste fiscal de € 54 bilhões.

No mercado, a reação foi uma forte onda vendedora neste início de outubro, que levou o rendimento do títulos do Tesouro francês (OATs) com vencimento em 10 anos a quase 5% – maior nível em quase 25 anos.

O spread do custo de financiamento da França em relação aos títulos alemães (Bunds) de 10 anos, considerado um importante indicador da preocupação dos investidores, saltou para 1,4 ponto percentual – um aumento de cerca de dois terços em relação ao início do mês.

A pressão também contaminou outros mercados. O spread dos títulos italianos sobre os alemães ultrapassou 1,1 ponto percentual, enquanto o crédito corporativo europeu também sofreu.

A deterioração dos preços, porém, é vista como oportunidade de compra para algumas gestoras. Uma delas é a Aberdeen Investments, que aumentou a posição em títulos italianos, apostando em uma valorização em relação aos papéis alemães.

Segundo Alex Everett, gestor de fundos da Aberdeen, a aposta se sustenta já que o cenário atual não será uma repetição da crise da dívida soberana que atingiu a zona do euro no início da década passada.

“Não estamos diante de uma repetição do cenário do início da década de 2010”, disse Everett ao Financial Times. “Apesar da volatilidade recente, o mercado de títulos públicos europeus conta com um respaldo institucional e com uma confiança do mercado significativamente mais sólidos [que no passado].”

A mesma estratégia aparece no crédito corporativo. James Carter, co-chefe de renda fixa da W1M, afirmou ao Financial Times que a gestora considerou exagerada a recente abertura dos spreads e aproveitou para comprar títulos de empresas francesas, incluindo papéis da seguradora Axa e do banco BNP Paribas.

A Ninety One também aumentou a exposição ao crédito europeu por meio de um índice de dívida high yield. A gestora, no entanto, tem evitado comprar diretamente títulos soberanos do país antes das eleições presidenciais, marcadas para abril de 2027.

Na terça-feira, 6 de outubro, os juros dos títulos franceses chegaram a recuar depois de declarações da líder da extrema direita e candidata à Presidência, Marine Le Pen, sobre disciplina fiscal.

A melhora, porém, durou pouco. No dia seguinte, os rendimentos voltaram a subir, pressionados também pela alta do petróleo e pela incerteza sobre o rumo das contas públicas antes da eleição.

Enquanto os rumos do país não se mostram mais claros, a estratégia tem sido buscar ativos que foram contaminados pela deterioração dos títulos franceses, mas que apresentam menor exposição ao risco soberano do país.

A Schroders aproveitou o barateamento dos títulos para diminuir as posições na Itália e na Espanha e aumentar a exposição ao crédito europeu de grau de investimento.

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