Depois de Itaú e BTG, foi a vez da XP. A asset trouxe a mercado, por meio da subsidiária XP Vista, um Fiagro com ativos de tesouraria ligados ao agronegócio, numa operação de R$ 5,3 bilhões. O montante foi integralmente alocado por partes relacionadas à operação, mostram os documentos disponíveis na CVM (Comissão de Valores Mobiliários).
O fundo, chamado XP CDI CRA Fiagro, vem nos mesmos moldes de um fundo imobiliário já operado pela XP, o “CDI CRI FII”, dividido em uma estrutura que combina master e feeder.
No Fiagro recém-lançado, há quatro subclasses seniores (A1 a A4). Dessas, as subclasses A1 e A2 são subscritas pelos fundos feeder, que podem captar dinheiro com investidores comuns, enquanto todas as demais poderiam ser subscritas apenas por investidores qualificados.
Apesar dessas distinções, o anúncio de encerramento do fundo mostra que todas as subclasses foram subscritas por partes relacionadas ao emissor — o que sugere que a XP absorveu essas cotas para distribui-las posteriormente em sua base de investidores.
Na estrutura colocada, há diferenças de proteção para cada uma das subclasses. As cotas seniores contam com um “colchão” de 15% (formado pela soma das cotas mezanino e subordinadas). No caso das cotas mezanino, esse colchão é de 10%.
As cotas sênior e a mezanino têm um prazo de vencimento de um ano, sendo prorrogáveis por mais dois, a depender da própria gestora. As classes subordinadas só recebem depois que a sênior e a mezanino forem amortizadas.
O retorno-alvo das classes seniores varia entre 94% a 97% do CDI. Na cota mezanino, é de CDI+4,50%. A cota subordinada, por sua vez, fica com o que sobrar depois dessas distribuições.
Diferentemente do fundo imobiliário, que conta com compromisso de recompra das cotas pelo valor na curva, aqui, os documentos públicos não colocam essa cláusula de forma explícita. O que existe é a própria XP atuando como formadora de mercado para essas cotas.
O fundo vai investir principalmente em CRAs e cotas de Fiagro, indicou a gestora no material publicitário do Fiagro. Esses ativos devem vir de dentro da própria XP, funcionando na prática como um veículo para tirar do balanço CRAs que o próprio Investment Banking estruturou ao longo do tempo.
Caso o pipeline indicativo seja seguido à risca, as maiores concentrações individuais estão nos seguintes emissores: Seara (15%, dividido em dois CRAs), Suzano (13,8% em duas CPR-F), Fiagro da Cocal (6,9%) e títulos da Eldorado (5,1%). Ao todo, estavam elencados no material publicitário 28 operações de 18 emissores.





