Três de uma vez, com “choque imediato” e um efeito residual por duas semanas: eis as características de um lançamento que é a nova aposta da gigante indiana de defensivos UPL.
Batizado Sucessor, o novo inseticida, que está sendo lançado primeiro no Brasil, age contra as mais graves pragas que assolam três das principais cadeias do agro brasileiro: soja, milho e algodão.
“Escutando o agricultor, trouxemos uma solução simples, de uma só tecnologia que controla todo um complexo de pragas de forma simplificada e simultânea”, descreveu Leandro Valerim, gerente de portfólio de inseticidas da UPL Brasil, em apresentação para jornalistas nesta segunda-feira, em São Paulo.
No caso dos grãos, o defensivo é eficaz na cigarrinha do milho, que ataca o cereal, e contra um complexo de espécies de percevejos, incluindo o mais famoso deles, o percevejo-barriga-verde.
A praga primeiro atacou os milharais e, depois, migrou para a soja. Nisso, aproveitou um ônus da mecânica de múltiplas safras no mesmo ano, típica da agricultura tropical no Brasil, que cria “corredores verdes” entre uma e outra cultura, explica Valerim.
Na soja, o crescimento do inseto foi de 46,52% nas últimas cinco safras, segundo o executivo, e o dano à produtividade pode chegar perto de 30%. Já no milho, a praga é ainda mais danosa, podendo tirar até 80% da produtividade, em casos extremos.
No algodão, o alvo é o bicudo-do-algodoeiro, um besouro que também cresceu nas últimas cinco safras (49,83%) e que pode tirar até 20 arrobas por hectare de pluma — o equivalente a 5,8% da produtividade média dessa cultura no Brasil na safra mais recente (2025/26), segundo projeção da Agroconsult.
De acordo com Valerim, os princípios ativos do Sucessor são conjugados por meio de uma nova tecnologia, chamada Blast, que, segundo a UPL, “possibilita a combinação em formulação sinérgica e consistente de ingredientes originalmente incompatíveis”.
O inseticida promove um efeito quase imediato, descrito como um “choque”, em um período entre 30 minutos e uma hora após a aplicação.
Depois, promove efeito residual por 14 dias, viabilizado também por ingredientes que protegem de fotólise, a quebra de moléculas por absorção da energia da luz — neste caso, a do sol. Durante esse período, o tarso (segmento final da pata do besouro que funciona como um “pé”) continua sendo contaminado pelo produto.
Os testes demonstraram, segundo a UPL, que em média serão necessárias de uma a sete aplicações, em média, a depender da latitude — quanto mais perto da linha do Equador, maior a demanda.
O Sucessor foi desenvolvido durante mais de dez anos a um custo não revelado, segundo a UPL Brasil, que também não detalhou quanto imagina que a novidade represente do portfólio, nem a expectativa de vendas.
A empresa também não descreveu o preço, mas afirmou que a ideia é que represente economia frente às alternativas até então disponíveis no mercado, que demandavam mais aplicações e de um número maior de produtos. De acordo com a fabricante, a novidade já está disponível para venda em todos os estados do Brasil.





