O Broto, plataforma digital de agro do Banco do Brasil, está se unindo à Grão Direto para acelerar no barter — modelo de negociação que consiste na troca de grãos por insumos. A parceria, que acaba de ser anunciada, visa aumentar a capilaridade e agilidade das operações oferecidas pelo banco público, maior financiador do agro brasileiro.
Na prática, as duas empresas, que já fazem operações de barter separadamente, vão uni-las numa só plataforma, a Barter Fácil, juntando os pontos fortes de cada uma. Enquanto o Broto garantirá o crédito necessário para viabilizar a transação, a Grão Direto — plataforma voltada à comercialização de grãos — ficará responsável pela digitalização do processo.
Após ter iniciado a oferta de barter no final do ano passado, o Broto busca mais clientes. “Estamos unindo forças para aproveitar esse ecossistema que a Grão Direto tem de revendas, tradings e produtores”, disse Francisco Martinez, diretor executivo do Broto, ao The AgriBiz. “Através dessa integração, vamos oferecer as soluções de crédito do Banco do Brasil para os clientes do banco que já acessam a solução da Grão Direto”, complementou.
A Grão Direto, que tem entre seus acionistas algumas das maiores tradings de grãos do mundo — Amaggi, ADM, Cargill e Dreyfus —, deve proporcionar mais liquidez às operações. Algumas dessas tradings devem, na largada, integrar a plataforma, que também terá entre os cadastrados fornecedores de diferentes segmentos, de insumos agrícolas a máquinas e picapes.
Outro diferencial da parceria é a tecnologia da Grão Direto que permite calcular a relação de troca com base nos preços dos grãos em tempo real, proporcionando rapidez e precisão à transação.
“Os preços dos grãos são conectados à Bolsa de Chicago, em dólar, e atualizados em tempo real. Então, a relação de troca também é em tempo real”, explica Sebastião Martinez, líder de barter na Grão Direto. O produtor pode, inclusive, criar um alerta para receber uma notificação quando a relação de troca chegar no preço que ele deseja.
Transação em minutos
Caso tenha interesse, o produtor pode seguir com a contratação de forma digital pelo celular. O Broto entra nessa fase do processo, dando acesso ao crédito para que a operação seja finalizada, sem a necessidade de ir até uma agência bancária. A empresa vendedora receberá o valor acordado no primeiro dia útil após à conclusão da operação.
“A premissa de ambos nessa parceria é que o processo deve ser simples e rápido”, afirmou Martinez. Segundo ele, uma operação de barter tradicional chega a demorar de 20 a 30 dias para ser concluída entre idas e vindas, devido à necessidade de trânsito de documentos em papel, registros cartoriais etc. “Conseguimos fazer em minutos”, afirmou Martinez, pelo fato de o processo ser 100% digital.
Para fechar uma operação, o produtor precisa ser cliente do BB e ter relacionamento com a empresa que está na outra ponta, como a trading.
O Barter Fácil já disponível em todo o Brasil, inicialmente para operações com soja e milho. Mas Broto e Grão Direto já planejam uma expansão para outros segmentos. “Já temos um projeto piloto para pecuária. Vamos conseguir fazer o barter também para compra de bois”, revelou Martinez.
No mês passado, a Minerva entrou para o grupo de acionistas da Grão Direto, como reportado pelo Agfeed. Além das tradings, o cap table da agtech conta também com SLC Agrícola e Basf.
Mercado de capitais
Segundo o executivo do Broto, a parceria também pode evoluir para ampliar a origem do funding. “Estamos iniciando a parceria por meio do acesso às linhas de crédito do BB específicas para o barter. Mas há muitas possibilidades, no futuro, de ampliar ainda mais essa parceria com instrumentos de mercado de capitais”, afirmou Martinez.
A ideia é captar recursos por meio de instrumentos como FIDC e Fiagro, para trazer mais recursos privados no financiamento ao setor.
“Há bastante espaço para a gente avançar além das linhas de crédito do banco. Acreditamos que realmente vamos trazer algo importante para o produtor rural, para o segmento distribuidoras, cooperativas, revendas de insumos e as próprias tradings”, disse Martinez.
Da demanda total de crédito do agronegócio brasileiro, estimada em R$ 1 trilhão por ano, cerca de metade é atendida por crédito privado, em operações principalmente pelas próprias indústrias. Nessa parcela, a maior parte é feita por barter, fatia que deve continuar aumentando nos próximos anos, segundo o executivo do Broto.





