As transformações na ordem geopolítica global e o avanço de exigências ambientais, sanitárias e de rastreabilidade estão reconfigurando as cadeias internacionais de suprimentos. Para preservar posições consolidadas e abrir novas frentes de exportação, o agronegócio brasileiro precisa adotar uma estratégia de atuação mais coordenada, transformando sua capacidade de produção sustentável em instrumento de poder de barganha comercial.
A avaliação foi consensual entre especialistas reunidos em São Paulo, durante debate focado na regulação do comércio global de alimentos e no papel geopolítico dos países fornecedores.
Rastreabilidade e o Custo das Barreiras Não Tarifárias
O presidente da Academia Latino-Americana do Agro (Alagro), Manoel Mário de Souza Barros, destacou que o uso intensivo de regulações sanitárias e ambientais marca uma mudança profunda nas relações bilaterais, atuando frequentemente como barreiras não tarifárias veladas.
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Exigência de Monitoramento: Sistemas de monitoramento e rastreabilidade ponta a ponta na pecuária e na agricultura tornaram-se condicionantes para o acesso a mercados compradores exigentes.
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Impacto nos Custos: Embora indispensáveis para validar a conformidade dos produtos, essas ferramentas elevam os custos operacionais de produtores e agroindústrias.
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Capacidade Negocial: Para evitar que exigências unilaterais inviabilizem exportações, Barros defendeu o fortalecimento institucional da diplomacia brasileira na pactuação de parâmetros razoáveis de transição.
Proteína Animal como Ativo Geopolítico
Na visão de Ricardo Santin, presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), a produção de alimentos do Brasil ultrapassou a função comercial e tornou-se um vetor de estabilidade geopolítica global.
Santin ressaltou que, mesmo diante de graves eclosões de conflitos internacionais — como as instabilidades no Oriente Médio —, a logística e os embarques brasileiros de carne bovina, suína e de frango mantiveram-se contínuos, garantindo o abastecimento em nações envolvidas diretamente em crises. Essa previsibilidade de oferta confere ao país um peso estratégico que deve ser utilizado ativamente nas mesas de negociação multilateral.





