O Brasil é um dos mercados globais mais abertos ao setor de satélites, mas quer equilibrar o crescimento do mercado com iniciativas de interesse nacional e soberania digital. É o que defendeu o ministro das Comunicações, Frederico de Siqueira Filho, durante participação nesta quarta, 30, no primeiro dia do Congresso Latinoamericano de Satélites, promovido pela Glasberg Comunicações e TELETIME, no Rio de Janeiro. A reportagem é do portal Teletime.
“Nós vamos continuar abertos à inovação, aos investimentos e à cooperação internacional, mas é preciso garantir que sistemas críticos, especialmente aqueles relacionados à defesa e às comunicações estratégicas estejam sob um regime de proteção especial”, afirmou o ministro.
Segundo Frederico de Siqueira, o desafio atual é justamente permitir novos modelos de negócio satelitais que sejam alinhados às políticas públicas e ao interesse nacional. “A natureza global das constelações coloca essa tecnologia no centro dos debates atuais sobre soberania e segurança digital”, assinalou.
“Isso torna ainda mais importante o fortalecimento e a atualização das capacidades nacionais nesse campo. Por esse motivo estamos avançando na proposta da nova geração do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas, o chamado SGDC 2, no contexto do Sistema de Satélites de Defesa e Comunicações, o SSDC”, completou Siqueira.
O projeto tocado pela Telebrás está desenhado para envolver cooperação com o setor privado. “A soberania digital não significa nos fecharmos em nós mesmos. Isso sequer seria viável diante da interdependência das cadeias globais de suprimentos e dos ecossistemas tecnológicos modernos”, disse Frederico, no principal evento do setor no País.
Complementaridade e D2D
O ministro das Comunicações também destacou a complementaridade de tecnologias como elemento necessário nas políticas de conectividade. Segundo Siqueira, em muitos casos “a forma mais rápida de conectar o Brasil é sim com soluções de satélite”, enquanto a fibra óptica não chega.
“Em um país de dimensões continentais como o nosso, nenhuma tecnologia isoladamente será capaz de responder todos os desafios de conectividade”, notou o chefe do MCom. “As comunicações via satélite se somam às redes de fibra e de comunicação móvel como ferramentas essenciais para enfrentar o desafio da transformação digital no Brasil”.
Neste sentido, uma nova fronteira destacada pelo ministro é a comunicação direta entre satélites e dispositivos, ou o chamado D2D. Hoje o segmento é objeto de um ambiente regulatório experimental no Brasil.
“A Anatel vem fazendo um belíssimo trabalho e acelerando homologações para garantir esse serviço complementar e fortalecer a inclusão digital no Brasil. Ao que tudo indica, o D2D poderá complementar de forma importante as redes terrestres de maneira economicamente viável e cada vez mais transparente ao consumidor”, completouo Frederico de Siqueira.





