PhD pelo MIT, Wilson Cardoso fala sobre inovação e tecnologia em entrevista a Nily Geller, conselheiro da ADVB
O Brasil tem hoje um déficit de cerca de 80 mil engenheiros e um número ainda maior de técnicos que acompanham e dão sequência ao trabalho dos engenheiros.
A China tem cerca de 15 engenheiros por mil habitantes, o Japão 25, os EUA 25 e o Brasil cerca de 5 engenheiros por mil habitantes.
E muitos bons engenheiros brasileiros se formam e vão trabalhar em outros países.
Por que, no Brasil, inúmeros jovens não querem seguir carreira de engenheiro?
Isso não começa na época dos exames de vestibular, mas sim na formação do Ensino Fundamental e Médio, quando aqui muitos professores despreparados não conseguem encantar as crianças e adolescentes com a matemática, por muitos alunos classificada como bicho-papão e não como a Rainha das Ciências.
Dentro desse panorama, o SENAI se destaca como uma escola técnica onde os alunos são preparados exatamente para as vagas que as nossas indústrias precisam preencher.
Lá os alunos têm à disposição todo o arsenal para que se formem e sejam encaminhados à indústria.
Vamos a entrevista com o Dr. Wilson Cardoso, que com a sua longa experiência e didática, inspira alunos e professores do SENAI.
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O que é necessário para reverter esse quadro de não interesse de muitos jovens em seguir a carreira de ciências exatas?
O desafio começa muito antes da escolha profissional. Precisamos despertar o interesse dos jovens pela ciência, tecnologia, engenharia e matemática ainda no Ensino Fundamental.
Também é fundamental aproximar os estudantes das tecnologias que fazem parte do seu cotidiano, como inteligência artificial, robótica, redes de telecomunicações e sensores, automação industrial e desenvolvimento de software. Quando os jovens compreendem que são protagonistas da inovação, o interesse pelas carreiras técnicas e de engenharia cresce naturalmente.
O SENAI tem desempenhado um papel importante nesse processo ao oferecer uma formação prática, conectada às necessidades da indústria e focada na empregabilidade.
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Como evitar que os bons profissionais que se formam venham a trabalhar em outros países?
A mobilidade internacional de talentos é um fenômeno global e não deve ser vista apenas como um problema. Entretanto, o Brasil precisa criar condições para que esses profissionais encontrem aqui oportunidades compatíveis com sua qualificação.
Isso passa por aumentar os investimentos em inovação, pesquisa aplicada, transformação digital e manufatura avançada. Países que concentram talentos são aqueles que oferecem desafios tecnológicos, bons salários e perspectivas de crescimento profissional.
É fundamental fortalecer o ecossistema que integra indústria, universidades, centros de pesquisa e instituições como o SENAI para gerar oportunidades de alto valor agregado dentro do próprio país.
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Como alimentar as demais escolas técnicas e de engenharia com as mesmas informações e recursos do SENAI para ampliar a oferta de mão de obra especializada para a indústria?
O SENAI desenvolveu, ao longo de décadas, uma metodologia baseada na proximidade com o setor produtivo.
Além disso, a formação deve ocorrer em rede. Nenhuma instituição conseguirá atender sozinha à crescente demanda por profissionais qualificados. A integração entre escolas técnicas, universidades, institutos de pesquisa e empresas é essencial para acelerar a formação de talentos e ampliar a escala da capacitação profissional.
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Com a utilização generalizada de IA, a necessidade de mão de obra especializada aumentará ou diminuirá com o tempo?
Aumentará significativamente. A inteligência artificial não elimina a necessidade de profissionais qualificados; ela muda o perfil das competências exigidas pelo mercado. Tarefas repetitivas tendem a ser automatizadas, mas surgirá uma demanda ainda maior por profissionais capazes de interpretar dados, desenvolver soluções, operar sistemas complexos e integrar tecnologias.
As profissões do futuro exigirão uma combinação de conhecimento técnico, pensamento crítico, criatividade e capacidade de adaptação.
Nesse contexto, o aprendizado contínuo deixa de ser uma opção e passa a ser uma necessidade.
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No SENAI, além das aulas técnicas, os alunos são também preparados e estimulados para empreender os seus próprios negócios baseados em seus novos conhecimentos?
Sim. O empreendedorismo faz parte da visão moderna da educação profissional.
Além da formação técnica, os alunos são incentivados a desenvolver competências relacionadas à inovação, gestão de projetos, resolução de problemas e identificação de oportunidades de mercado. Muitos projetos desenvolvidos dentro das escolas evoluem para startups, soluções industriais ou novos modelos de negócio.
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Os melhores alunos do SENAI são estimulados a seguir a carreira de professores do próprio SENAI?
A formação de novos docentes é estratégica para a continuidade da excelência da instituição.
Muitos dos atuais professores do SENAI iniciaram sua trajetória como alunos e posteriormente acumularam experiência profissional na indústria. Essa combinação de vivência prática e conhecimento acadêmico é um dos grandes diferenciais da instituição.
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Quais são os planos do SENAI em expandir a sua atuação em mais localidades?
O SENAI vem ampliando sua atuação não apenas pela expansão física de suas unidades, mas também através de novos formatos de ensino, incluindo educação digital, laboratórios remotos e ambientes híbridos de aprendizagem.
A transformação digital permite que conteúdos de excelência alcancem um número cada vez maior de estudantes, independentemente da localização geográfica.
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Aproveitando sua larga experiência, existem planos do SENAI em participar de empreendimentos industriais inéditos no Brasil?
Sim. O SENAI tem assumido um papel cada vez mais relevante em projetos estratégicos para o desenvolvimento tecnológico nacional.
Entre as áreas de maior potencial, destacam-se semicondutores, inteligência artificial, manufatura avançada, redes privativas 5G, Internet das Coisas, cibersegurança, computação de alto desempenho, tecnologias quânticas e digitalização industrial e quando falamos de digitalização industrial, falamos de padarias até a indústria aeroespacial.
O Brasil possui uma oportunidade histórica de fortalecer sua autonomia tecnológica e aumentar sua competitividade global. O SENAI pode contribuir de forma decisiva para a formação dos profissionais e para a construção das capacidades tecnológicas que permitirão ao país ocupar posições mais relevantes nas cadeias globais de valor.
Minha mensagem final
“A educação profissional é uma das ferramentas mais poderosas para transformar sociedades. Quando conectamos formação de excelência, inovação tecnológica e necessidades da indústria, criamos oportunidades para as pessoas, fortalecemos a competitividade das empresas e contribuímos para o desenvolvimento sustentável do Brasil”.
Wilson Cardoso é engenheiro com mais de 40 anos de experiência, PhD pelo MIT e membro ativo do IEEE. Detentor de 2 patentes internacionais. Diretor do DEINFRA da FIESP e Diretor do Grupo Setorial de Telecomunicações da Abinee, atualmente traz toda a sua experiência para o Senai.
Nily Geller é engenheiro eletrônico formado pela PUC-RJ com larga experiência no setor de telecomunicações, atualmente VP da FBM – Fundação Brasileira de Marketing, Conselheiro da ADVB – Associação dos Dirigentes de Vendas e Marketing do Brasil, Diretor da Área de Telecom da FIESP e Sócio-Diretor da Janar Engenharia.
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