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John Deere vê IA inaugurando era da “agricultura de decisão”

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A agricultura de precisão está dando lugar à chamada “agricultura de decisão”, impulsionada pela inteligência artificial. A avaliação é de Rodrigo Bonato, vice-presidente de Vendas e Marketing da John Deere para a América Latina, para quem a IA, combinada a um robusto banco de dados e conectividade, permitirá ao produtor tomar decisões em tempo real.

“Durante todo esse tempo da agricultura de precisão, coletamos dados referenciados e colocamos a conectividade para o produtor gerenciar a sua operação. Agora, com a IA, você tem análise em tempo real para tomar decisão em tempo real. Chegamos ao ponto de usufruir da agricultura de decisão”, disse Bonato em entrevista ao The AgriBiz.

O grande diferencial da nova era da agricultura está nas respostas rápidas dos agentes de IA a perguntas específicas — que podem considerar não só os dados de uma fazenda, mas de milhões de hectares conectados em todo o mundo.

A John Deere tem mais de 1 milhão de máquinas conectadas em tempo real globalmente, enviando dados para a nuvem por meio de conexão via satélite ou pelo celular. “O nível de adoção que nós temos, com esse 1 milhão de máquinas, já ultrapassa 200 milhões de hectares conectados no mundo”, disse. Só no Brasil, são cerca de 20 milhões de hectares.

“Com a conectividade, o produtor estava recebendo dados. Mas precisava parar, analisar, juntar planilhas de Excel para entender tudo. Não era em segundos que ele fazia uma análise. Agora, com três a quatro perguntas para o JD, ele decide, naquele minuto, qual a população de sementes terá naquele talhão”, explicou o executivo, numa referência ao agente de IA da companhia.

Batizado de JD, ele deve ser lançado na América Latina até o final deste ano. Na prática, explica o executivo, a ferramenta de IA da John Deere vai transformar a gigantesca base de dados que a empresa construiu ao longo da última década em uma resposta precisa, em segundos.

O JD já está sendo implementado gradualmente nos Estados Unidos e deve ser lançado até o final deste ano na América Latina, onde Bonato vê um grande potencial para adoção.

“Como o produtor brasileiro é mais adepto à tecnologia, acredito que ele vá usar mais o JD também. Ele vai fazer mais perguntas, porque ele é mais curioso, mais inquisitivo, então ele vai conseguir cruzar dados de forma mais eficiente. A tendência é a gente ter uma curva de adoção do JD maior aqui.”

Além do perfil “early adopter” do produtor brasileiro, a agricultura tropical favorece o uso desse tipo de ferramenta. “Temos mais dados porque temos duas safras, ou seja, temos o dobro de uso naturalmente”, lembrou Bonato.

Também há mais dados disponíveis porque o agricultor brasileiro é mais propenso a compartilhar as suas informações na nuvem. “Aqui, quase 99% dos nossos clientes autorizam o compartilhamento de dados com a John Deere e a com a nossa rede de concessionários. Olha o nível de confiança que eles têm na nossa marca”, disse Bonato, lembrando que a empresa segue as regras de LGPD e data privacy, além de não acessar os dados individuais dos clientes.

A estratégia comercial para a ferramenta ainda não foi definida, mas Bonato indicou que o modelo deve ser parecido com o do adotado no Operation Center, sistema de gerenciamento da John Deere em nuvem que centraliza informações de máquinas, monitores e aplicativos. O acesso ao aplicativo é gratuito, mas alguns serviços específicos exigem assinaturas.

Rodrigo Bonato, vice-presidente de Vendas e Marketing da John Deere para a América Latina

Tecnologia, sim. Ferro, ainda não

Segundo Bonato, a fome do agricultor brasileiro por tecnologia continuou evidente mesmo nos últimos anos, marcados por uma queda nas vendas de máquinas agrícolas devido à conjuntura de baixos preços das commodities, altas taxas de juros e crédito escasso.

“O ferro da indústria caiu e está estabilizado. Mas a tecnologia, não. Existe um aumento do investimento dos produtores em itens de tecnologia que mitiguem os riscos para ele em todos os níveis, desde a manutenção e atualização de máquinas às ferramentas digitais”, contou.

Apesar de identificar uma mudança no humor do produtor após mais uma colheita recorde e da recente alta das commodities, Bonato diz que a melhora no ambiente ainda não tem resultado em encomendas de tratores e máquinas.

Para que o mercado destrave, ele afirma que é preciso que as taxas de juros caiam para patamares mais amigáveis, que as linhas de crédito se tornem mais acessíveis e que haja uma redução na quantidade de incertezas que rondam o agronegócio. Entre elas, ele citou os impactos que serão causados pelo El Niño em diversos países e o resultado das eleições no Brasil.

“Depois, com a estabilização das safras, ele talvez vá fazer um investimento que será muito mais para a safra 2027/28 do que para 2026/27”, disse. “O que a gente vem sentindo do produtor é que chegamos ao fundo do ciclo, porque a agricultura é cíclica. E, por todas essas razões, vemos que o mercado do Brasil e da América Latina vai continuar nesse fundo, com tendência de subida”, finalizou.



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