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Bem-estar na suinocultura vai além da norma  Agrimidia

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Nos últimos vinte anos, a suinocultura brasileira passou por uma das transformações mais silenciosas e profundas de sua história. Não foi uma mudança de genética, nem de nutrição. Foi uma mudança de olhar. “Nesses 20 anos, você viu que nós passamos por uma evolução tecnológica muito grande na gestação”, resume o pesquisador Osmar Antonio Dalla Costa, da Embrapa Suínos e Aves. O caminho começou nas baias coletivas de 50 a 60 matrizes com estação de alimentação, passou pelos minibox, inicialmente subdimensionados, e hoje já aponta para os chamados “box de acesso livre”, em que a fêmea entra e sai sem restrição. Na maternidade, as células de parição, que já foram de 1,80 metro de largura, hoje chegam a 2,20 metros, acompanhando o aumento no número de leitões nascidos vivos.

Para Dalla Costa, esse capítulo está praticamente encerrado. “A questão da gestação eu acredito que já é um pacote tecnológico que nós já temos na suinocultura. Tem que ser feito pequenos ajustes, mas já é uma coisa mais superada”, afirma. O desafio, segundo ele, mudou de endereço.

Se a gestação já tem seu caminho relativamente definido, o que explica a pressão que o setor sente hoje? Para Juliana Ribas, gestora de Boas Práticas de Produção e Bem-estar Animal na Agroceres PIC, a resposta tem duas camadas. A primeira é regulatória: a Instrução Normativa 113. A segunda, talvez menos óbvia, é o calendário dos próprios compromissos que as empresas assumiram.

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“Muitos desses compromissos foram estabelecidos há 10, 12 ou até 15 anos e agora estão chegando aos prazos finais”, explica Juliana. “Existe, portanto, uma pressão maior para que as empresas apresentem seus resultados e demonstrem o cumprimento das metas assumidas.”

Nem tudo, porém, caminha em linha reta. Um dos pontos mais delicados, e que a entrevistada não hesita em colocar em xeque, é o corte de cauda, especificamente a orientação de retirar apenas o terço final. “Trabalhos realizados junto a grandes agroindústrias mostram que esse ponto provavelmente precisará ser reavaliado”, diz Juliana. “Mesmo com o atendimento aos demais pré-requisitos previstos na norma, os estudos conduzidos realizados dessa forma nem sempre têm apresentado resultados favoráveis sob a ótica da sustentabilidade produtiva.” Em algumas situações, as perdas na indústria e na produção de carcaça acabam sendo maiores. Um lembrete de que boa intenção regulatória nem sempre se traduz em execução simples.

Outro prazo no radar é 2030, data-limite para a retirada da mossa como método de identificação. A alternativa mais discutida, a tatuagem, também tem seus próprios riscos: “Uma orelha tatuada pode perder valor comercial e, quando o procedimento não é realizado adequadamente, pode ocorrer migração da tinta para linfonodos da cabeça e da papada, levando à condenação desses órgãos”, alerta Juliana. Existe, segundo ela, “uma curva de aprendizagem importante nessa transição”.

Leia a reportagem completa na revista Suinocultura Industrial.

 



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