BELO HORIZONTE (MG)* — Algodão no Cerrado Mineiro pode parecer inusitado. Mas, para o Grupo DB, virou uma das principais culturas de uma operação agrícola de cerca de 30 mil hectares que combina café, grãos, pecuária e suinocultura.
A família, que começou a construir sua história no café nos anos 1980, entrou no algodão em 2014. Hoje, cultiva 4,5 mil hectares da pluma, principalmente nas regiões de Patos de Minas e São Romão — mais que o dobro dos 2,1 mil hectares dedicados ao café.
O algodão entrou inicialmente no esquema de rotação do grupo, que também planta soja, milho e sorgo na safra de verão. Mas o maior valor agregado da pluma — e as margens maiores nos ciclos de alta — ajudaram a consolidar a cultura dentro da operação, segundo Daniel Bruxel, diretor executivo do Grupo DB.
Fundado nos anos 1970 na região do Alto Paranaíba, o grupo teve no café seu principal vetor de expansão agrícola a partir de 1985. Para Bruxel, a experiência adquirida com a cultura tem paralelos com o que vem acontecendo no algodão brasileiro.
“Ao longo dos anos, o cafeicultor começou a focar muito mais em qualidade, começou a ter o café especial. O algodão já é reconhecido pela sustentabilidade e agora também está buscando qualidade”, afirmou Bruxel ao The AgriBiz.
“Hoje, nós temos um algodão com qualidade e sustentabilidade, que entra em qualquer lugar do mundo, que atende qualquer indústria que precisa. Temos outras culturas também, mas o café e o algodão se conversam bastante”, acrescentou.
Na próxima safra, o Grupo DB espera colher 2.100 quilos de algodão por hectare em seus 4,5 mil hectares, que correspondem a pouco mais de 10% da área total de algodão em Minas Gerais na safra passada. O rendimento está acima da produtividade média brasileira de 2.053 quilos por hectare em 2025/26, segundo a Conab.
Do algodão ao gado
A diversificação vai além das lavouras. O Grupo DB tem algodoeira própria, dimensionada para processar toda a produção, e mantém operações de pecuária de corte e suinocultura, com 11 mil suínos.
As diferentes atividades se conectam dentro das fazendas. O caroço resultante do processamento do algodão, por exemplo, é destinado à alimentação do gado de corte da própria operação.
A cada ano, o grupo mantém cerca de 20% das áreas com pastagens para o manejo da pecuária. Parte do gado ocupa áreas irrigadas, principalmente com braquiária sob pivô, numa estratégia que, segundo Bruxel, tem proporcionado uma rentabilidade atrativa ao longo do tempo.
Na suinocultura, a integração acontece na direção inversa: resíduos da criação voltam para as lavouras.
“Na parte de suínos, aproveitamos dejetos e chorume na agricultura. Fazemos compostagem com o que sobra da casca do café, um pouco da palha de milho, compostamos com chorume para fazer um adubo organomineral”, explicou Bruxel.
Os suínos são vendidos para a Suinco, cooperativa processadora de carne suína de Minas Gerais sediada em Patos de Minas. O frigorífico abate os animais e comercializa os produtos sob a marca Cozinha Premiada.
“Temos toda a cadeia, do início ao fim”, disse Bruxel.
Algodão mantido, apesar do El Niño
Além de algodão, café e das culturas de verão, o Grupo DB também produz feijão e tomate em sua área no Cerrado Mineiro.
Para a próxima safra, a expectativa é manter praticamente inalterada a área dedicada ao algodão, já que a localização das fazendas deve deixá-las menos expostas aos efeitos do El Niño do que regiões produtoras do Centro-Oeste e do Nordeste.
“Especificamente a nossa área, ali no Paralelo 17, não deve ser tão influenciada por isso. Mas [o El Niño] segue sendo uma grande incógnita”, afirmou. “Tomamos alguns cuidados para não plantar em áreas mais arenosas, por exemplo. Nessas, preferimos colocar soja”, finalizou.
*A jornalista viajou a convite da Bayer





