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Para a Eurasia, a pergunta para o próximo governo é se o ajuste fiscal será suficiente para baixar os juros

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A situação fiscal do Brasil exigirá um ajuste nas contas públicas a partir de 2027, independentemente da reeleição de Lula, que enfrenta ceticismo do mercado sobre sua capacidade de apresentar um plano fiscal crível.

Christopher Garman, da Eurasia Group, destaca que todos os candidatos reconhecem a necessidade de ajustes, mas Lula terá dificuldade em recuperar a credibilidade perdida. Mesmo que um ajuste seja feito, não se espera que o governo Lula adote uma postura fiscalista rigorosa.

Em contraste, Flávio Bolsonaro, candidato da oposição, é visto como mais promissor, com expectativas de valorização do Real e queda na curva de juros, caso implemente reformas fiscais concretas.

Garman acredita que o Brasil tem oportunidades estruturais no médio e longo prazo, mas a transformação dessas vantagens em investimentos depende da redução dos juros e da organização das contas públicas.

* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed

Belo Horizonte – A delicada situação fiscal vai forçar um ajuste das contas públicas a partir de 2027, mesmo se o presidente Luiz Inácio Lula da Silva for reeleito. A questão é o que sua equipe irá propor, dada a descrença do mercado em relação ao atual governo.

A avaliação é de Christopher Garman, diretor executivo para as Américas da Eurasia Group. Segundo ele, ninguém conseguirá escapar do tema em 2027, dado que a situação faz com que o “custo econômico e político de não fazer nada aumente rapidamente”, corroendo qualquer apoio pós-pleito.

“Nas falas públicas dos candidatos, não se têm menções à questão da responsabilidade fiscal, mas, a portas fechadas, todos estão com diagnóstico semelhante”, disse ele no sábado, 26 de setembro, durante o Inter Invest Summit 2026. “Vem aí algum acerto nas contas, a dúvida é o tamanho e o escopo do que será feito.”

No caso de Lula, fazer com que o mercado compre seu discurso será difícil, dado que os investidores têm baixas expectativas em relação à apresentação de um plano fiscal crível pelo governo.

“Se o presidente Lula prevalecer, provavelmente nós vamos ver o câmbio real se depreciando, vamos ver as curvas de juros futuros subindo”, afirmou.

O desafio de um eventual novo governo Lula não seria apenas fazer um ajuste, mas recuperar a credibilidade perdida junto ao mercado, considerando o forte aumento dos gastos ao longo do governo. “Será que ele consegue dobrar essa crise de credibilidade ou não?”, disse.

Mesmo que faça um ajuste, Garman não espera um novo governo Lula mais “fiscalista”. Segundo ele, o governo reconhece, nos bastidores, que precisa fazer algum ajuste, “mas não deve ser tão amplo quanto em um governo de Flávio Bolsonaro”.

Em relação ao senador e candidato pelo PL, Garman disse que existe o “benefício da dúvida”, considerando que se trata de um candidato da oposição e que sua equipe já deu indícios de que pretende atuar de forma mais incisiva no tema das contas públicas. “Eles estão defendendo uma reforma fiscal ampla para colocar na mesa logo depois da eleição”, afirmou.

Ele citou uma pesquisa realizada pela Eurasia com clientes brasileiros e internacionais e disse que, em um cenário de vitória de Flávio Bolsonaro, havia uma expectativa de valorização do Real, com queda na curva de juros.

“Fizemos uma pesquisa com os nossos clientes no Brasil e internacionalmente. A expectativa é que o câmbio fique entre R$ 4,50 e R$ 5, uma apreciação importante em caso de vitória do candidato de oposição”, afirmou.

Apesar de contar com a simpatia do mercado, Flávio Bolsonaro precisa entregar. Segundo Garman, a boa recepção inicial dos investidores pode se desfazer caso não resulte em medidas concretas.

“Talvez fique mais fácil entrar num ciclo virtuoso de fazer uma reforma fiscal com confiança nas suas contas e abrir um espaço maior para o Banco Central”, afirmou. “A pergunta é: o ajuste vai ser grande o suficiente para poder baixar a taxa de juros? Essa é a grande pergunta política.”

Se, por um lado, fez alertas em tom mais alarmista para o curto prazo, Garman foi mais otimista com as perspectivas do Brasil no médio e longo prazo.

Ele vê uma oportunidade estrutural para o País em um mundo marcado por maior fragmentação geopolítica e por esforços de empresas e governos para reduzir sua dependência de China e Estados Unidos.

Agro, minerais, petróleo e energia de menor emissão de carbono seriam ativos potencialmente mais valorizados nesse ambiente. O problema, segundo ele, é transformar essa vantagem estrutural em investimento efetivo. E isso passa por reduzir os juros, o que, por sua vez, passa por colocar as contas em ordem.

“O Brasil está bem posicionado geograficamente, o Brasil tem ativos que vão crescer em valor, isso é perspectiva dos próximos dois a cinco anos”, disse. “Mas, no curto prazo, está todo mundo de olho na taxa de juros.”

*O repórter viajou a Belo Horizonte a convite do Inter



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