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Juros de 6%? É possível, para os arrozeiros de Santa Catarina

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Pequenos produtores de arroz de Santa Catarina estão recorrendo a uma linha emergencial de crédito criada neste ano pelo BRDE (Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul), banco de fomento que reúne os estados de Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Paraná.

A entidade lançou uma linha focada em capital de giro para os rizicultores, que dispõe de R$ 80 milhões para operações. São cheques de R$ 50 mil a R$ 100 mil, em média, que poderão ser contratados até o dia 8 de novembro.

Os empréstimos têm juros de 6% ao ano e carência de um ano: ao final dos doze meses, o produtor paga os primeiros juros referentes à operação. Um ano depois, faz a primeira amortização e, no ano seguinte, faz a segunda amortização. Todos os pagamentos são anuais.

Até setembro, o banco já emprestou R$ 50 milhões (dos R$ 80 milhões disponíveis), em quase 500 contratos, conta André Diehl, gerente adjunto de operações conveniadas e microfinanças do BRDE. O Sul catarinense concentra 40% das operações. Em seguida, vem o Vale do Itajaí, com 31% e, por fim, a região Norte do estado, com 29%.

Em Santa Catarina, a rizicultura tem forte presença entre pequenos e médios produtores que, nas últimas safras, enfrentaram uma combinação de custos elevados e preços baixos, motivos que levaram à criação do programa de crédito no segundo maior produtor de arroz do Brasil.

De acordo com os dados do Epagri/Cepa (Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola), depois de bater R$ 115 em janeiro de 2024, os preços da saca de 50 quilos fizeram o piso em janeiro deste ano, negociados a R$ 48,49, o menor valor desde fevereiro de 2020.

Desse cenário de dificuldades, vieram diálogos das principais cooperativas do estado com a Secretaria de Agricultura do estado.

No caso do programa do arroz, a demanda veio de nomes como a Cooperja (maior cooperativa de arroz do Brasil), Juriti e Cravil (uma das maiores produtoras de sementes de arroz do País). Todas pertencem à BrasilRice, uma central de cooperativas de Santa Catarina que reúne cinco organizações ao todo.

As demandas vêm por meio do governo, e o BRDE é o responsável por fazer o match entre o dinheiro pleiteado pelas cooperativas e quanto o banco dispõe, de fato, para criar esses programas subsidiados.

Os recursos vêm em um momento da iminência do El Niño, ajudando esses produtores a enfrentar o cenário climático mais complexo, que pode incluir o excesso de chuvas na região.

“Os plantios começam agora e esse recurso pode ser uma reserva de saldo para cumprir com os compromissos dos próximos anos”, completa Andressa Saplinski Hafemann, gestora de Atendimento ao Produtor da Cooperativa Juriti.

De onde vem o dinheiro?

Oficialmente, o programa se chama Pronampe BRDE Resiliência Arroz, mas, apesar do nome, os recursos que vêm para esse programa não se confundem com os do Plano Safra. A equalização entre os juros oferecidos aos produtores e os juros de mercado é feita com a própria geração de caixa do banco regional.

“Esses recursos seriam juros sobre capital próprio, porém, em vez de os estados reterem, deixam esse dinheiro como forma de subsidiar esses programas”, explica Diehl.

Só neste ano, o programa destinado aos produtores de arroz é o terceiro dedicado ao agro. Antes dele, vieram linhas destinadas a produtores de leite (por causa dos baixos preços do produto) e a desastres climáticos (para municípios que tiveram situações de emergência e de calamidade, independentemente da atividade agrícola).

Somadas, as três linhas compreendem empréstimos na casa dos R$ 220 milhões, de um bolso de R$ 800 milhões da instituição financeira ligado a esses programas de apoio (além do agro, a instituição financeira mantém, anualmente, um programa para micro e pequenas empresas).

O dinheiro chega às mãos dos produtores pelas cooperativas de crédito (Sicoob, Cresol, Sicredi, Ailos). Caso o produtor fique inadimplente, perde o direito à equalização. Em outras palavras, os juros passam de 6% ao ano para CDI+4,74% ao ano.

Todas as operações contam, ainda, com aval das cooperativas. “O BRDE fica resguardado e, caso uma operação fique inadimplente, a cooperativa é quem vai fazer a negociação com o associado”, frisa Diehl.



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