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Etanol de milho pode atingir um terço do total em 2028, diz StoneX

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O etanol de milho sinaliza chegar a um terço do total produzido no País dois anos antes do previsto, segundo a conta mais recente da StoneX, divulgada nesta semana. Até aqui projetado pela maioria do mercado para 2030, o patamar pode ser atingido já em 2028.

Segundo Lígia Heise, consultora em Gerenciamento de Risco da StoneX, a fatia do etanol de milho no volume total do País é de 27% na safra atual e deve subir para 28% na safra 2026/27. Depois, em 2027/28, a estimativa é que atinja 33,6%.

Na leitura da consultoria, o aumento de participação decorre da entrada em operação de oito novas usinas entre o mês que vem e março de 2028, além de cinco ampliações.

“A capacidade de produção do álcool do cereal deve começar abril de 2027 com 38,9 mil m³/dia e finalizar março de 2028 com 51,2 mil m³/dia”, disse a StoneX. Com isso, a consultoria estima uma oferta de etanol de milho em 2027/28 de 13,6 bilhões de litros, com uma expressiva alta de 29,7% na base anual.

No etanol de cana, a previsão para 2027/28 é de 26,9 bilhões de litros. E, como essa produção vem se mantendo relativamente estável nos últimos anos, o etanol de milho é que será o principal vetor do aumento da produção total do País a novos recordes: de 33,7 bilhões de litros em 25/26 para 37,8 bilhões em 26/27 e 40,5 bilhões em 27/28.

E a demanda?

Nesse contexto, a principal preocupação, segundo Heise, será encontrar onde colocar tanto produto. “Serão quase 3 bilhões de litros a mais de etanol no mercado de 2027 para 2028, o que vai gerar uma necessidade importante de demanda”, pontuou.

Mas segundo a analista Letícia Correa, o comportamento dos preços diante do aumento da oferta até aqui não preocupa: “Pelo que a gente tem visto, a demanda passará a reagir melhor em 2027”.

Segundo ela, números do segundo semestre de 2026 mostram melhora no consumo de etanol hidratado, que deve crescer ainda mais com uma esperada queda de sete pontos percentuais na paridade entre gasolina e etanol.

Já no anidro, utilizado na mistura obrigatória na gasolina, o aumento do consumo depende da evolução dos mandatos, disse Correa. Hoje, a mistura está em 32%, mas temporariamente por seis meses até janeiro, prorrogáveis por mais seis meses.

Nas contas da StoneX, o consumo de anidro na safra atual 2026/27 deve ser de 14,75 bilhões de litros. Em um cenário em que o E32 perdure até agosto de 2027, o aumento no consumo seria de 3,7% até a safra 2027/28, na base anual, somando cerca de 550 milhões de litros à demanda.

Já no cenário de entrada em vigor de um mandato E35 (35%) em agosto do ano que vem, como o setor de biocombustíveis defende, o aumento no consumo de anidro até a safra 2027/28 seria expressivamente maior, de 10,3%, acrescentando 1,52 bilhão de litros à demanda interna.

Por outro lado, caso o mandato retorne ao E30 em agosto de 2027, o consumo interno em 2027/28 seria 0,6% menor, retirando da demanda cerca de 90 milhões de litros.

Segundo a analista, o cenário de estabilidade nos preços está sujeito a fatores altistas e baixistas. No primeiro caso, ela cita três hipóteses: uma reação mais forte que o esperado da demanda por hidratado já em 2026, um aumento antes do previsto do mandato para E35, e um eventual mix mais açucareiro, ao encontro da recuperação nos preços da commodity, contendo o avanço da produção de etanol de cana.

Já entre os fatores que poderiam nortear uma baixa, Correa menciona a projetada produção recorde de etanol em 2026/27, uma expansão mais acelerada que o previsto da produção de etanol de milho no Centro-Oeste e um aumento acima do estimado do ganho de paridade do etanol hidratado no Centro-Sul.



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