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El Niño deve causar déficit global de açúcar em 2027/28

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O El Niño já atrapalha, ou vai atrapalhar, a produtividade em grandes produtores globais de açúcar, reduzindo o superávit da safra atual e sinalizando um déficit na próxima. Com isso, o fluxo comercial pode ficar apertado no primeiro semestre do ano que vem, e a trajetória de alta nas cotações, iniciada em agosto, pode se manter.

Essa é a visão da StoneX, divulgada nesta semana, sobre as perspectivas de mercado para a commodity. A análise reforça a avaliação de outros especialistas sobre a tendência altista para os preços do adoçante.

No ano-safra 2025/26, que termina no fim do mês, a consultoria diminuiu a estimativa do saldo global de açúcar, de 2,9 milhões de toneladas para 1,45 milhão.

As razões são atrasos na moagem no Centro-Sul em julho e na primeira quinzena de setembro, causados por chuvas acima da média histórica, possivelmente um dos efeitos do El Niño, e o ATR abaixo do esperado.

Já no ano-safra seguinte (2026/27), a perspectiva é de déficit global, com a oferta menor que a demanda.

Entre as razões está a quebra de safra na Europa, onde o início da colheita já aponta perdas de mais de 20% nos três principais produtores do bloco, Alemanha, França e Holanda. Além disso, pesam os efeitos das chuvas abaixo da média em agosto e setembro na Índia e na Tailândia e da falta de chuvas no México e na América Central.

No Brasil, a consultoria revisou para baixo as estimativas de moagem em 2026/27, agora em 635,3 milhões de toneladas, ainda em alta de 3,9% na base anual. Para o açúcar, a produção também foi revisada para baixo, em 38 milhões de toneladas, com mix açucareiro em 46,2%.

Por outro lado, a oferta na África e na Rússia deve crescer em 2026/27, e, somadas, as altas aliviam a estimativa de déficit. Por isso, a StoneX reduziu a projeção negativa de 1,7 milhão de tonelada para 900 mil toneladas, com leve queda na relação estoque-uso, de 38,9% para 38,2%.

Para 2027/28, a StoneX trouxe notícias boas: a moagem no Centro-Sul deve bater recorde em 662,1 milhões de toneladas, com 11,6% mais açúcar, em 42,4 milhões de toneladas, e o mix açucareiro em 49,3%.

Sinal desse movimento, diz a consultoria, é o aumento “severo” em fixações de preços para 2027/28, que saltaram de cerca de 20% no final de julho para entre 45% e 50%.

O que sustenta a alta

Nesse contexto, em termos de fluxos comerciais, a consultoria prevê boa disponibilidade de açúcar até o fim do ano, mas relativa escassez no primeiro semestre de 2027 — o que tem suportado a tendência de alta dos preços no mercado futuro.

“O mercado parece estar antecipando a expectativa de déficit global no ano que vem, que é fundamentalmente respaldada pelo El Niño. Essa perspectiva não é somente importante para o balanço, mas afeta os fluxos comerciais, com diminuição de exportações da Tailândia, aumento expressivo das importações pela União Europeia e entrada da Índia no mercado importador no segundo semestre de 2027”, afirmou Lígia Heise, consultora em Gerenciamento de Risco da StoneX.

Segundo ela, desde a revisão mais recente da safra global, em julho, o açúcar saltou de 15 centavos de dólar por libra-peso para 17 centavos no contrato de outubro. Já o contrato de março superou 18 centavos após testar níveis próximos de 20 centavos.

Com isso, houve “forte atividade especulativa e reversão de posicionamento dos fundos”. Se há dois meses estavam vendidos em 91 mil contratos, agora os fundos estão comprados em mais de 160 mil contratos, segundo dados do relatório Commitment of Traders (COT) até 15 de setembro.



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