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Preço do suíno desaba e vendas no mercado interno dão prejuízo

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Depois de um ano eufórico, marcado por margens historicamente altas, os produtores de suínos têm visto a sua rentabilidade derreter no mercado interno em 2026.

Diferente das crises anteriores no setor, normalmente causadas pelo aumento nos custos de produção, desta vez a razão do problema é o excesso de oferta, que derrubou os preços no Brasil ao menor patamar desde 2020, em termos nominais, segundo a consultoria agro do Itaú BBA.

A razão é um excesso de oferta, atribuído a um desordenado aumento na produção, favorecido por uma estabilidade nos custos de produção. Do lado da demanda, as exportações acumulam um crescimento de 9% até agosto deste ano e o consumo interno apresenta um leve crescimento.

A meia carcaça no atacado paulista caiu 43% em julho, em comparação ao mesmo período do ano passado. Em agosto, o suíno vivo foi negociado a R$ 4,78 por quilo, bem abaixo do custo de produção, estimado em R$ 6,30 por quilo.

“Hoje, o prejuízo de engordar o suíno é de R$ 180 por cabeça. Em março, estava em R$ 80 por cabeça”, afirma César de Castro Alves, gerente da consultoria agro do Itaú BBA.

Com isso, a margem bruta das vendas no mercado interno ficou negativa em 32% no mês passado. Há um ano, ela estava em 27%, segundo a consultoria.

Para Wagner Yanaguizawa, analista de proteínas do Rabobank, o aumento na produção, estimado em 6,5% no primeiro semestre pelo banco, é consequência da bonança de 2025. “Um cenário que poderia ser positivo se transformou em sobreoferta”, afirmou.

Consumo interno frustrante

Os primeiros sinais da crise começaram a aparecer no final do primeiro trimestre, mas o setor demorou para reduzir os alojamentos em meio a uma forte demanda para as exportações e à expectativa de uma alta no consumo doméstico, teoricamente estimulado pela alta no preço da carne bovina — o que costuma favorecer o consumo de proteínas mais baratas.

“Está tendo um incremento no consumo interno, mas está sendo abaixo do que o mercado esperava”, diz Yanaguizawa. Apesar da diferença entre os preços da carne suína em relação à bovina e ao frango ter atingido o maior patamar dos últimos quatro anos em julho, o aumento do consumo no Brasil foi de apenas 1% no primeiro semestre, segundo o Rabobank.

O Itaú BBA estima que o consumo total aparente tenha crescido 2% no Brasil no primeiro semestre. Mesmo assim, “não está cabendo carne no mercado interno”, diz Alves. “O avanço das exportações não tem sido suficiente para absorver o aumento da oferta doméstica e restabelecer o equilíbrio do mercado interno”, complementa o banco, em relatório.

Existem algumas hipóteses para o consumo doméstico não estar crescendo de acordo com as expectativas. A primeira delas é a forte competição com a carne de frango, que também está extremamente competitiva e acaba atraindo mais os consumidores que estão evitando a carne bovina por uma questão orçamentária.

Afinal, o frango está muito mais presente na vida dos brasileiros, com um consumo per capita de 45 quilos, enquanto o suíno é de 20 quilos por pessoa ao ano, apesar de um avanço nos últimos anos.

Outra hipótese está relacionada à própria questão orçamentária. “O mercado de suínos doméstico tem muitos processados, que podem estar sofrendo pelo lado da renda”, diz Alves. “E tem também a questão das canetinhas emagrecedoras. Por mais que isso ainda seja incipiente no Brasil, pode ser que também esteja criando dificuldades”, acrescenta.

Recuperação à vista?

A esperança do setor está nas festividades de final de ano, que normalmente favorecem o consumo de carne suína. “Espero que os preços reajam no final do ano, mas tem que subir muito para chegar no breakeven”, disse Alves, do Itaú BBA.

Para isso, será essencial um ajuste na oferta. Na avaliação do Itaú BBA, ainda não há sinais claros de que esse movimento já esteja em curso. Já Yanaguizawa, do Rabobank, diz que há alguns indícios de queda nos alojamentos em algumas regiões, o que pode ser interpretado como um período de transição até uma fase de recuperação.

“Diante da queda de receita, muitos produtores independentes, que estão com o fluxo de caixa apertado, optaram por descartar algumas matrizes, o que acabou agravando a crise de oferta em julho e agosto”, disse Yanaguizawa.

Neste mês, o mercado estaria passando por um período de transição, preparando-se para o início de uma recuperação em outubro. “Acredito em uma retomada nos preços por conta de uma possível melhora no balanço entre oferta e demanda”, afirmou.

Sem identificar uma interrupção no processo de aumento da oferta, o Itaú BBA espera uma recuperação apenas gradual dos preços. Além da sazonalidade mais favorável ao consumo doméstico no final do ano, os elevados preços da carne bovina e, em menor medida, do frango em relação à carne suína podem favorecer a demanda, avalia o banco.

Na exportação, o setor vai bem

Enquanto as margens no mercado doméstico têm descido ladeira abaixo, a rentabilidade das exportações de carne suína continua bastante favorável. Neste ano, o spread de exportação está em 38%, acima da média dos últimos cinco anos de 34%, segundo o Itaú BBA. “O preço de exportação, em dólares, está razoável e a demanda está firme. O melhor cenário, hoje, é para quem exporta”, finaliza Alves.



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