O presidente do Uruguai, Yamandú Orsi, indicou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva que o país pode ceder ao Brasil o excedente da cota uruguaia de exportação de carne bovina para a China. Os líderes se encontraram nesta segunda-feira, em Nova York.
“Tratamos de temas da agenda bilateral, em especial infraestrutura e comércio agrícola. Agradeci a autorização concedida ao Brasil para uso do excedente da cota uruguaia de exportação de carne bovina para a China”, afirmou o presidente Lula em uma postagem numa rede social, sem mais detalhes.
O Uruguai conta com uma cota anual de exportação de 331 mil toneladas para o país asiático sem tarifa adicional. Desse total, a expectativa é que cerca de 80 mil toneladas sejam transferidas para o Brasil — um excedente que o país vizinho não conseguiria atender.
O volume que pode ser repassado ao Brasil corresponde a menos um mês de exportação para a China. A média mensal de embarques, nos oito primeiros meses de 2026, é de 111 mil toneladas, segundo dados da Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes). Em 2025, foram 140 mil toneladas mensais.
Na visão dos exportadores, a medida teria um efeito relevante sobre as exportações do próximo ano. “Para 2027, a medida pode representar uma alternativa importante, especialmente diante da cota brasileira de 1,128 milhão de toneladas e do risco de seu esgotamento já nos primeiros meses do ano, caso se mantenha o ritmo atual de vendas”, afirmou a Abiec por meio de nota.
Por enquanto, a medida ainda é muito mais uma sinalização do que uma confirmação de um excedente destinado ao Brasil. O governo chinês precisa concordar com a transferência de cota entre diferentes países — e não se sabe qual seria a sua posição.
Também não há detalhes sobre a contrapartida do Brasil na negociação dessa cota. Em julho, o jornal Valor informou que o governo brasileiro havia proposto aos uruguaios trocar a sua parcela da cota no Mercosul de exportação de carne resfriada à União Europeia, com tarifa reduzida, por parte da cota uruguaia de carne bovina à China. Mas não há informações se esse foi o acordo fechado entre os dois países sul-americanos.





