Uma empresa de capital nacional está nadando contra a maré no competitivo mercado de defensivos agrícolas, dominado por multinacionais. Em 2026, a Nortox, companhia com sede em Arapongas (PR), deve crescer 8% em faturamento, chegando aos R$ 3 bilhões. Até 2030, a meta é dobrar de tamanho.
É a continuação de uma trajetória virtuosa que vem desde 2022, quando a empresa faturava R$ 2,2 bilhões. “O mercado andou de lado nesse período, mas se olhar o nosso resultado, crescemos 30%”, afirmou o presidente da Nortox, Romeu Stanguerlin, executivo que fez carreira na Syngenta e atuou como CEO da Adama até a chegada à Nortox, em janeiro.
Hoje, 90% da receita da empresa vem da venda de defensivos. O restante é formado por plataformas de nutrição e de sementes — a Nortox produz as de milho e comercializa as de sorgo.
Na noite de terça-feira, em São Paulo, a empresa apresentou a jornalistas um reforço importante no portfólio. São dois inseticidas voltados ao controle de lagartas principalmente nas lavouras de milho: o Typhoon (que também controla a cigarrinha) e o Tempus (focado em lagartas maiores).
Os lançamentos são uma resposta ao aumento da demanda por esse tipo de solução, acompanhada de perto pela Nortox há pelo menos cinco anos.
“Só no primeiro semestre deste ano, houve um aumento de 19 milhões de hectares na área tratada para lagartas no Brasil. De 2024 para 2025, esse aumento foi de 30 milhões de hectares”, disse João Marcos Ferrari, diretor comercial da Nortox.
Para atender a esse público, a Nortox passa a disponibilizar ao mercado produtos feitos a partir da queda recente da patente da molécula Clorantraniliprole, que caiu em 2024. Grosso modo, o Typhoon é a mistura desse composto com outra molécula chamada Metomil e, o Tempus, é a mistura com a Clorpirifós. Todas já têm patentes vencidas.
Para chegar à mistura ideal entre esses componentes, a Nortox faz testes agronômicos e químicos. A empresa conta com três estações experimentais, localizadas em Primavera do Leste (MT), Itumbiara (GO) e Arapongas (PR). Na cidade paranaense também fica a atual sede e a planta industrial.
Além dos trabalhos nas estações experimentais, a companhia também submeteu o produto a outros testes em 11 estações de pesquisa de terceiros por dois anos antes de iniciar a comercialização.
Entre as vantagens apresentadas aos produtores, está o fato de que os lançamentos podem ser usados tanto para o tratamento de sementes como para a parte aérea, melhorando a equação final de custo-benefício.
“Ele não precisa comprar dois produtos e tem uma eficiência melhor do que a feita por tanque, em que ele tinha de comprar os produtos separados”, diz Ferrari.
Nas contas da empresa, isso significa uma eficiência de 10% a 12% sobre os custos finais da lavoura, na comparação com a mistura feita pelo produtor na fazenda.
O pipeline de inovação
Parte dessa eficiência é garantida pela tecnologia OD, uma suspensão concentrada em que partículas sólidas são dispersas em óleo, trazendo maior estabilidade da formulação, além de melhor adesividade sobre as folhas.
“Para esse grupo de pragas, eu diria que ele está entre os top 3 controles que o mercado pode oferecer”, frisa Ferrari.
O produto é parte de um extenso pipeline de inovação colocado pela empresa. Hoje, são 60 produtos (entre defensivos e nutrição vegetal) submetidos à aprovação do Ministério da Agricultura. Dentro de casa, outros 100 seguem em estudo, refletindo um processo que começou há quinze anos.
“Como a gente sabe se está bom ou ruim esse volume? Fazemos a conta. Se pegar esses 100 projetos e projetar o pico de venda deles, isso dá entre 1,3 vez a 1,8 vez a nossa receita atual? Se sim, estamos bem”, conta Stanguerlin.
Os lançamentos devem corresponder, anualmente, de 30% a 35% das vendas feitas pela companhia ao longo de quatro anos (o do lançamento mais três). No caso do Typhoon e Tempus, por exemplo, serão considerados lançamentos até 2029.
Para chegar a esse total, a empresa faz todos os anos cerca de 3.000 parcelas (testes em pequenos pedaços do campo). Dessas, poucas são selecionadas depois de um pente-fino até chegar aos resultados almejados.
O perfil da Nortox
O foco não é, entretanto, que a empresa se torne uma companhia de pesquisa e desenvolvimento focada em novas moléculas. A atuação da Nortox se baseia em três pilares: mistura de produtos exclusivos, qualidade de formulação e alianças estratégicas.
Com uma trajetória de mais de 70 anos, a companhia acessa fornecedores de moléculas principalmente na Índia e na China e faz, aqui no Brasil, a mistura dessas formulações, adaptando-as para o cenário brasileiro, numa espécie de co-desenvolvimento.
Não há restrições para lidar com moléculas ainda sob patente. Inclusive, a Nortox pode misturar essas moléculas a outras cuja patente já expirou, de olho em fornecer novos produtos ao agricultor brasileiro.
Hoje, citando dados da Kynetec, Stanguerlin afirma que 60% dos produtores de soja no Brasil usam pelo menos um produto da Nortox. “Temos uma boa penetração de mercado, equipe técnica que acesa o produtor, isso é a fortaleza da empresa”, ressalta.
Hoje, metade da venda da empresa é feita por distribuidores, 20% por cooperativas e o restante com vendas diretas, principalmente aos grandes produtores do Cerrado e às grandes usinas de cana.
Daqui para frente, além de crescer no Brasil, a empresa espera que 10% da receita venha da operação internacional, estabelecida com escritórios no México, Paraguai, Uruguai e Chile. “Nosso foco é estar nos países mais rentáveis da América Latina”, destaca o presidente da empresa.





