O ambiente macroeconômico segue impondo desafios ao varejo brasileiro, com juros elevados e endividamento das famílias pressionando as vendas. Para shoppings centers, no entanto, o retrato é um pouco diferente.
A Allos (ALOS3), por exemplo, vem performando. Seus shopping centers (55, sendo 45 próprios e 10 administrados para terceiros) vêm apresentando desempenho superior ao do varejo em geral, destacou o BTG Pactual em relatório.
“A perspectiva para os varejistas é difícil, mas a Allos está apresentando desempenho acima do setor”, disseram os analistas.
Rafael Sales, CEO da Allos, disse em reunião com analistas do banco que a resiliência da operação se deve a quatro fatores: qualidade do portfólio, ajustes frequentes no mix de lojistas, baixa vacância e inadimplência sob controle.
Na leitura da Allos, a diferença também está relacionada ao processo contínuo de qualificação dos ativos. A companhia vem revendo sua exposição entre empreendimentos menos e mais produtivos e direcionando investimentos para shoppings considerados dominantes em suas regiões.
Investimentos ficam mais seletivos
O custo elevado de capital também levou a Allos a adotar uma postura mais seletiva na alocação de recursos, disse o BTG.
Apesar disso, a companhia continua avaliando oportunidades de expansão em ativos existentes e eventuais operações de fusões e aquisições.
A expectativa apresentada ao banco é de que esses movimentos possam coexistir com uma remuneração relevante aos acionistas e manutenção da alavancagem em torno de duas vezes a relação entre dívida líquida e Ebitda.
A Allos ainda espera capturar novas eficiências administrativas nos próximos trimestres por meio do programa Simplifica Allos.
Para o BTG Pactual, a combinação entre resiliência operacional e disciplina de capital sustenta uma visão positiva para a companhia.
O banco manteve recomendação de compra para ALOS3 e preço-alvo de R$ 39 para os próximos 12 meses, ante R$ 29,07 considerados no relatório.
A projeção indica potencial de valorização de 34,2%, além de dividend yield estimado em 12%. A ação chegou a ser negociada a R$ 28,46 nesta segunda-feira, 14.
Reforma Tributária pode favorecer shopping centers
Outro ponto discutido pela administração foi o impacto da Reforma Tributária sobre o setor.
Segundo o relatório, a Allos considera que as mudanças podem ser positivas para shopping centers, especialmente para ativos dominantes. O cenário-base da companhia prevê o repasse integral da alíquota do IVA nos contratos de locação.
Helloo cresce acima do esperado e amplia novas frentes
Além da operação de shopping centers, a Allos demonstrou otimismo com a Helloo, sua subsidiária de mídia digital.
Segundo o BTG, a Helloo vem avançando acima das expectativas, com bom desempenho da operação em aeroportos. A companhia também pretende acelerar sua presença em edifícios residenciais, ampliando as frentes de atuação da empresa de mídia.
Com a expansão em aeroportos e a intenção de avançar mais agressivamente no segmento residencial, a expectativa da companhia é de que as receitas da Helloo continuem crescendo em ritmo sólido.
A Allos teve lucro líquido de R$ 294 milhões no segundo trimestre de 2026, uma alta de 57,7% em relação ao mesmo período de 2025.
O lucro foi puxado pelo maior faturamento com mídia nos shoppings e desenvolvimento imobiliário nos entornos. A empresa também conseguiu reduzir suas despesas, como resultado do programa de ganho de eficiência adotado desde o último ano.
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