Após uma década de pesquisas, a Mosaic está lançando a sua primeira tecnologia no promissor mercado de biológicos da América Latina. O PowerCoat, que vem sendo tratado como disruptivo no mercado, acaba de obter aprovação das autoridades do Paraguai para comercialização. O Brasil precisa esperar.
Para o lançamento no País, a Mosaic aguarda a regulamentação da lei dos bioinsumos, aprovada há quase dois anos e que ainda aguarda o decreto para a sua regulamentação. A minuta que está no gabinete do vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, ainda com pontos sensíveis a serem endereçados, segundo o country manager da Mosaic no Brasil e Paraguai, Eduardo Monteiro.
A nova tecnologia da Mosaic combina biológicos e nutrição mineral. Em outras palavras, integra microrganismos do gênero Bacillus a fertilizantes minerais. O resultado, segundo a empresa, é uma melhora na eficiência da adubação, maior aproveitamento dos nutrientes pelas plantas, distribuição mais uniforme dos microrganismos na área cultivada e redução nas perdas de nutrientes.
“Aqui estamos falando de agricultura regenerativa, de restaurar a saúde do solo. E os resultados são muito bons”, disse Monteiro ao The AgriBiz.
Testes realizados em solos tropicais mostraram um ganho de produtividade de 3,5 sacas de soja por hectare, em média, em comparação com um produto convencional. No caso do milho, o aumento médio no rendimento foi de 8 sacas por hectare.
Outra vantagem do PowerCoat, que já é comercializado pela Mosaic na América do Norte, é o tempo de prateleira. O grupo de cepas selecionado pela empresa, após dez anos de pesquisas, possibilitou um shelf life de dois anos para o produto, bem acima da média do mercado, segundo Felipe Pecci, vice-presidente comercial da Mosaic.
“Essa conexão entre o biológico e o fertilizante tem dois grandes desafios. O primeiro é a seleção desse grupo de cepas que tenham compatibilidade com o fertilizante e consigam promover o crescimento da lavoura. Isso é muito difícil, a maioria das tentativas dá errado”, explicou Pecci ao The AgriBiz.
Na América Latina, o único laboratório apto a fazer esse teste de compatibilidade foi inaugurado pela Mosaic em Uberaba (MG) no início deste ano, de acordo com o executivo. Ironicamente, a tecnologia ainda não pode ser lançada no Brasil por falta de regulamentação.
Os testes em campo também já vêm sendo realizados no País. “Nós temos amostras nos principais campos de pesquisa do Brasil. Agora é uma questão de o Brasil de fato ter um marco regulatório para que possamos trazer essa tecnologia também para os agricultores brasileiros”, disse Monteiro.
Motor de crescimento
O mercado de biológicos está no centro da estratégia de crescimento da Mosaic nos próximos anos. A empresa, que almeja ser líder mundial no segmento de bionutrição, pretende mais do que dobrar o faturamento global da divisão de biológicos este ano.
Em 2025, as vendas globais da Mosaic BioSciences somaram US$ 68 milhões — uma fatia ainda muito pequena comparada à receita total de US$ 12 bilhões da empresa no ano passado, mas com um grande potencial de crescimento.
Até aqui, o crescimento tem sido puxado pelo Brasil e pela China. “No Brasil, esperamos mais do que triplicar o faturamento de bionutrição este ano”, disse Monteiro, sem revelar a receita no País do ano passado.
A estimativa considera apenas o portfólio atual de produtos com tecnologia de terceiros — modelo que a companhia vem adotando nos últimos anos. “Imagina quando tivermos acesso ao mercado com nossos produtos próprios. É por isso que depositamos uma expectativa muito grande sobre esse processo [da regulamentação da lei].”
Além do PowerCoat, a Mosaic tem entre 10 a 12 produtos biológicos no pipeline com lançamento previsto para os próximos anos, segundo Monteiro. A companhia, no entanto, pretende continuar trabalhando com parceiros mesmo depois que as vendas de suas próprias tecnologias sejam viabilizadas.
Além da inovação, o negócio de biológicos tem uma ampla avenida de crescimento considerando apenas o mercado ainda inexplorado. “Numa conta bem simples: 30% da agricultura brasileira já experimentou biológico, 70% ainda não. A base de crescimento é muito grande. Quando a gente combina isso com a bionutrição e leva um produto inovador como este, é algo muito poderoso.”
O nó da regulamentação
Atualmente sob avaliação do gabinete da vice-presidência, o decreto que vai regulamentar a lei dos bioinsumos deve ser publicado nas próximas semanas, segundo Monteiro, que destacou três prioridades da indústria de fertilizantes a serem contempladas nesse texto.
Uma delas refere-se ao processo de registro de produtos com cepas novas. Pelo texto atual, além do Ministério da Agricultura, Anvisa e Ibama precisarão dar o seu parecer sobre os riscos à saúde humana e ao meio ambiente, respectivamente, para bioinsumos para controle fitossanitário.
“No caso do fertilizante biomineral, entendemos que o órgão competente para fazer isso é o Mapa. Respeitamos a Anvisa e o Ministério do Meio Ambiente para as questões fitossanitárias. Mas não nesse caso [do fertilizante biomineral]”, disse Monteiro.
Outro ponto relevante é o reconhecimento da categoria de biominerais e fertilizantes híbridos. “Com isso, conseguimos garantir o enquadramento regulatório claro para uma tecnologia que integra fertilizante mineral e biológico. Sem dúvida, é um passo importante para viabilizar a inovação”, afirmou. O termo “biomineral”, no entanto, não está citado na minuta, segundo informações publicadas nesta segunda-feira pelo portal Agfeed.
“Também trabalhamos muito para que a gente tenha segurança jurídica. Quem fez um trabalho como esse, desenvolveu o produto, trabalhou com pesquisa e desenvolvimento, tem que ter sua patente e seus direitos reservados”, disse.





