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“É uma LCA”. O diagnóstico do mercado sobre as CPRs da SLC Agrícola

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“Na prática, é uma LCA”. É assim que pessoas ligadas ao mercado de crédito têm definido a captação anunciada ontem (11) pela SLC Agrícola, a primeira CPR financeira da empresa distribuída ao mercado. 

O pulo do gato da emissão, de R$ 515,4 milhões, está na garantia dos títulos: fiança bancária do Bradesco BBI para o volume total. Em outras palavras, o investidor está tomando o risco do banco , com uma remuneração de 95% do CDI. “Nenhuma LCA está pagando isso hoje”, diz uma fonte.

Comprar esses títulos, no entanto, não está acessível ao bolso do investidor comum — como é o caso das LCAs, um dos investimentos mais populares às pessoas físicas. As CPRs da SLC Agrícola são destinadas a investidores profissionais, aqueles com mais de R$ 10 milhões em investimentos. 

Da porta para dentro, os títulos vêm em um momento no qual todas as instituições financeiras passam por dificuldades para ter lastro de LCA, avalia uma fonte.

A situação reflete, em parte, as restrições colocadas pela resolução 5.118, do CMN (Conselho Monetário Nacional), em 2024. De modo geral, as novas regras visavam reduzir brechas ligadas à emissão de títulos, especialmente os ligados ao agronegócio.

“Esse título substitui em parte essa demanda de LCA, já que, para o investidor, fica muito parecido. A grande diferença é o prazo”, diz a fonte.

Enquanto a maior parte das LCAs é relativamente curta, com vencimentos em dois a três anos, a CPR da SLC é mais longa (com prazo de sete anos), com a liquidez feita no mercado secundário.

As vantagens para a SLC

Para a SLC, os títulos servem como uma alternativa para uma captação via CRAs, que têm custo pelo serviço de securitização — algo que as CPRs não têm. Mas não é só isso.

Além do custo potencialmente menor de estruturação, a operação vale a pena no balanço da SLC também do ponto de vista de juros, com base nos dados públicos disponíveis.

A operação tem prazo de vencimento de sete anos e vai remunerar investidores a 95% do CDI, com swap para dólar. No frigir dos ovos, a operação custa, para a empresa, o equivalente à variação cambial do dólar mais 6,15% ao ano.

Nesse patamar, está mais barata do que a média das dívidas da empresa.  

No último balanço divulgado, a dívida em reais — a maior parte, somando R$ 8,1 bilhões no balanço do segundo trimestre — tinha um custo médio de 14,4% ao ano. A dívida em dólar, de R$ 84 milhões, ainda no mesmo balanço, tinha um custo médio de 7,2% ao ano.



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