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Em “Oasis: Don’t Look Back in Anger”, a volta de Noel e Liam Gallagher aos palcos também se revela um reencontro familiar. O documentário acompanha a turnê de 2025, após o fim da banda em 2009, e chega aos cinemas depois de sua estreia no Festival de Veneza.
Durante seis semanas de ensaios, a equipe permaneceu fora de vista para registrar os irmãos sem interferir na relação. A reaproximação aparece aos poucos: nos silêncios, nas piadas e no gesto de Liam ao erguer a mão de Noel antes do primeiro show, em Cardiff.
Dirigido por Dylan Southern e Will Lovelace, o filme deixa as antigas brigas em segundo plano para se concentrar na reconciliação e na comoção dos fãs, que parece ajudar a reparar o elo entre os músicos.
O Brasil tem lugar nessa história, com imagens dos shows no Morumbi, em São Paulo, e uma fã que batizou seu cachorro de Bonehead, apelido do guitarrista da banda. Entre canções e afeto, o retorno do Oasis ganha uma dimensão que vai além da música.
* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed
Veneza — Os responsáveis por Oasis: Don’t Look Back in Anger juram que a intenção do documentário nunca foi influenciar a reconciliação dos irmãos Gallagher. Mas talvez o truque da câmera escondida tenha contribuído para a reaproximação gradual de Noel e Liam, capturada durante ensaios e shows da banda símbolo do britpop — o movimento musical surgido no Reino Unido em meados da década de 1990.
“Quando chegamos aos ensaios, nosso objetivo era sermos completamente invisíveis. Durante aquelas seis semanas, eles não viram nenhum membro da nossa equipe, embora estivéssemos escondidos em algum canto. Não queríamos que aquilo parecesse algo mediado”, contou Dylan Southern, diretor do documentário, em parceria com Will Lovelace.
Recém-lançado nos cinemas do Brasil e do mundo, Oasis: Don’t Look Back in Anger dá realmente a sensação de que os irmãos explosivos reataram de modo orgânico diante das câmeras — tenha isso sido calculado ou não. O filme foi rodado ao longo de 2025, durante a turnê de retorno da banda, que havia anunciado seu fim oficial em agosto de 2009.
“Não tenho certeza se a filmagem afetou o relacionamento deles, mas certamente registramos a reaproximação. O mundo inteiro tinha interesse em acompanhar se isso daria certo e como seria, depois daqueles 15 anos de separação”, disse Lovelace, em encontro com jornalistas nesta 83ª edição do Festival de Cinema de Veneza, que teve cobertura do NeoFeed.
A première mundial de Oasis: Don’t Look Back in Anger, apresentado fora de competição, foi uma das mais concorridas do evento italiano, realizado no balneário Lido de Veneza. O filme foi aplaudido por oito minutos.
Noel e Liam prestigiaram a estreia, posando para os fotógrafos no tapete vermelho, mas evitaram a imprensa — provavelmente temendo perguntas sobre o histórico tóxico, marcado por brigas, trocas de ofensas públicas e possíveis agressões físicas.
Com foco no presente (ou seja, na turnê), muito pouco é resgatado aqui do passado dos irmãos ou mesmo da trajetória musical do Oasis — com mais de 75 milhões de discos vendidos pelo mundo e várias menções no Guinness, o livro dos Recordes. Be Here Now (1997) até hoje figura como o álbum vendido mais rapidamente na história do Reino Unido.
“O filme se chama Don’t Look Back in Anger [Não olhe para trás com raiva] por um motivo. Seguimos em frente, a partir do que aconteceu, ainda que muitos saibam e outros não”, afirmou Steven Knight, o criador e roteirista do documentário. “Filmamos nesse espírito intencionalmente, para destoar dessa época de rancor e de maldade, de redes sociais e de pessoas gritando umas com as outras no anonimato”, completou, explicando que o objetivo foi criar uma “experiência emocionante”. “As pessoas que assistem acabam pensando: ‘Talvez eu também devesse mandar uma mensagem para aquela pessoa de quem estou afastado’.”
Até que ponto o que vemos na tela é resultado de um roteiro criado por Knight? “Diferentemente de escrever ficção, onde você tem controle sobre a estrutura, sobre os três atos e sobre o final feliz, aqui nós dependíamos da realidade, de pessoas de verdade e de seus relacionamentos. Não foi uma obra com roteiro prévio”, esclareceu ele.
Knight destacou o momento do reencontro de Liam com Noel, assim que Liam entrou no estúdio para o ensaio, para os irmãos retomarem a parceria, depois de tantos anos de silêncio. “Sendo eles homens britânicos, vindos da classe trabalhadora, eles não iam mesmo se cumprimentar com um ‘high-five’, se abraçar ou chorar. Liam entra e diz: ‘O que é aquilo na bateria?’ E alguém diz: ‘Tira aquilo dali’. Aí ele solta um ‘Vamos nessa?’. E foi assim que tudo começou.”
A reaproximação é lenta e gradativa, justamente como costuma acontecer quando irmãos de gênio forte brigam, o que dá credibilidade ao documentário. Pequenos gestos nascem no calor dos acontecimentos, como quando Liam pega na mão de Noel e a levanta, como quem quer assegurar à plateia que agora tudo está bem, antes do primeiro show, em Cardiff.
“O relacionamento vai se desenvolvendo, com nossas câmeras registrando essa evolução. Enquanto eles fazem turnê, seus filhos (que ainda não se conheciam) se tornam amigos. É a família reunida novamente. Claro que tivemos muita sorte por tudo isso ter acontecido. Era exatamente o que esperávamos que acontecesse, para construir um filme sobre reconciliação, redenção e perdão”, comentou Knight.
Mais para o final do documentário, há trechos de uma entrevista conjunta atual, com os irmãos já muito à vontade na companhia um do outro — a ponto de fazerem piadas. “Deixamos para registrar esse momento bem mais tarde, quando a turnê já estava em pleno andamento”, afirmou Lovelace.
Foi uma decisão acertada, já que a comoção do público durante os concertos visivelmente mexeu com os Gallaghers. Aparentemente nem a dupla antecipava a dimensão que a volta do Oasis alcançaria. É como se o carinho da plateia ajudasse na reparação do elo entre os irmãos, principalmente diante de tanto choro de fã em diversas partes do mundo.
O Brasil é um dos países destacados, não só com imagens das apresentações no estádio Morumbi, em São Paulo, em novembro, mas também com a escolha de uma fã brasileira como personagem. “Quando você encontra alguém com um cachorro chamado Bonehead, percebe que isso precisa fazer parte da história”, contou Southern, rindo e se referindo à jovem que batizou o pet com o apelido do guitarrista Paul Benjamin Arthurs, de cabelo raspado. Daí o Bonehead — “Cabeçudo”.





