Na safra 2025/26, o avanço da irrigação nas áreas de algodão mais do que compensou a redução da área de sequeiro na Bahia, mostram dados da Agroconsult. O estado tem 425,7 mil hectares cultivados com a pluma, um volume estável em relação à safra anterior.
O resultado deriva de uma mudança importante no perfil das lavouras: a área de sequeiro recuou 7% nesta safra, enquanto a irrigada avançou 12%. Com isso, a participação da irrigação passou de 39% para 44% da área plantada na safra 2025/26.
“Apesar de a agricultura estar passando por restrições de crédito, encolhimento de investimentos, a Bahia tem muita outorga liberada, muito projeto estabelecido. O limitante era a rede de energia”, diz Heloísa Melo, sócia da Agroconsult.
A limitação deve ficar, pouco a pouco, para trás. Na Bahia Farm Show, no início deste ano, a Neoenergia Coelba, distribuidora responsável pelo serviço no estado, anunciou R$ 25 bilhões em investimentos em infraestrutura de transmissão e em novas subestações até 2030.
“Nas conversas com produtores, é comum ouvir que estão com a outorga, com projetos prontos, mas que precisam da energia. Alguns produtores tomam até outras frentes, como construir pequenas centrais hidrelétricas, mas não é sempre que a conta fecha”, explica Melo. Os mesmos argumentos foram ouvidos pela reportagem, em agosto.
Conforme a energia chega, a tendência é que a irrigação cresça de forma significativa no estado, porém sem chegar à área total da Bahia, pelas diferenças entre as características de solo e os regimes de chuva de cada região.
“A irrigação cresce a leste para o interior, ‘sentido oceano’, no limite. A gente vê isso acontecendo em 2027, 2028, conforme a energia vai chegando”, diz Melo.
É uma situação diferente de alguns municípios do oeste baiano, como São Desidério, por exemplo, em que há mais chuvas ao longo do ano — e, portanto, o investimento é visto de uma forma diferente, segundo a executiva.
De toda forma, a segurança que a irrigação traz vira um argumento quase incontestável ao longo do tempo.
“O irrigado traz uma certa estabilidade, uma segurança. Se tem algum veranico, você sabe que pode fazer a irrigação de salvamento, não precisa ser os 180 dias corridos. O uso é pequeno diante do que outros países que dependem disso utilizam”, diz Melo.





