Talvez ainda seja cedo para dizer que a crise está terminando para todas as empresas do agro, mas, pelo menos na SLC Agrícola, está começando um período de bonança. Esse é o tom de um relatório divulgado nesta quarta-feira pelo JP Morgan.
O banco elevou de neutra para compra a recomendação para as ações da SLC, estimando um potencial de valorização de 36,5% até dezembro de 2027, considerando o fechamento de ontem (8) de R$ 16,85. O preço-alvo para os papéis subiu de R$ 18 para R$ 23 — nesta quarta-feira, os papéis da SLC eram negociados a R$ 17,88, uma alta de 6%.
“Apesar de os riscos do El Niño estarem no radar, vemos uma combinação melhor entre preços e custos à frente, o que deve favorecer as margens”, escreveu a equipe de análise do JP Morgan comandada pelo analista Lucas Ferreira.
O cenário de recuperação, no entanto, não deve ser homogêneo em todo o País, assim como o nível de alavancagem no setor. Mas, para companhias como a SLC, que fizeram uma boa gestão de custos, administrando a compra dos fertilizantes, e têm uma estratégia de hedge, 2027 tende a ser um ano melhor, segundo o JP Morgan.
“A recente alta nos preços dos grãos não parece estar precificada, e diante das perspectivas de um mercado mais apertado, esperamos que os preços [das commodities] se sustentem em níveis elevados”, dizem os analistas.
Com isso, o banco elevou a sua projeção para o Ebitda da companhia no próximo ano em 11%, para R$ 3,2 bilhões, com uma margem de 34%. No final de agosto, o BTG Pactual também elevou as suas estimativas de lucro para a SLC, destacando que, em 2027, a empresa deve registrar o primeiro crescimento de margem Ebitda em três anos.
Queda na alavancagem
Outro indicador que deve contribuir para um bom desempenho das ações da SLC é a queda na alavancagem, com a dívida líquida voltando a representar 2 vezes o Ebitda até o final de 2027. Além do aumento esperado para o Ebitda, a queda no capex deve contribuir para uma melhor geração de caixa livre.
O banco lembra que a maioria dos projetos de expansão da SLC já foram concluídos, e que os investimentos em crescimento devem ficar limitados aos R$ 200 milhões previstos para irrigação por ano. No entanto, caso a companhia se encontre novamente na posição de ser obrigada a comprar mais terras da Radar — o que pode ser o caso no Maranhão —, a alavancagem pode voltar a subir.
O risco do El Niño
Para os analistas, os riscos à produtividade associados ao El Niño já parecem estar precificados nas ações da SLC. O banco estima uma queda no rendimento de 8% para a soja, 7% para o algodão e de 15% para o milho safrinha, o que implica resultados levemente superiores aos registrados durante o El Niño de 2015/2016.
Desta vez, contam a favor da SLC um percentual bem maior de áreas maduras em seu portfólio e uma maior área irrigada — duas condições que tendem a mitigar os efeitos de uma possível seca.





