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Inteligência artificial cresce rapidamente no campo, diz McKinsey

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Um produtor mais seletivo graças à pressão causada pelo ciclo de baixa das commodities nos últimos anos, mas cada vez mais aberto a adotar ferramentas de inteligência artificial generativa, principalmente na América Latina. Essa é uma das conclusões do Global Farmer Insights, estudo global da McKinsey sobre a adoção de tecnologias no agro.

Após ouvir 5,5 mil produtores em dez países, incluindo o Brasil, o trabalho mostra que 11% dos produtores nos Estados Unidos relatam adotar soluções pagas de IA generativa — os sistemas que produzem conteúdo, como textos, imagens, vídeos e códigos. No campo, as ferramentas são usadas principalmente para planejamento e manejo de culturas.

Na América Latina, o índice chega a 26%, o maior número entre todas as geografias, e bem acima da média global de 17% — embora a ampla maioria dos produtores na região relate usar apenas ferramentas gratuitas.

Na contramão, o aumento na adoção de soluções de agtechs tem sido “modesto”. E há uma crescente ligação entre uma e outra, diz a McKinsey: os produtores estariam adotando ferramentas de IA que rivalizam com produtos criados por startups.

“A adoção de tecnologias de agtechs nos EUA cresceu só 2% desde 2024, levantando questões sobre o espaço para crescimento em mercados maduros”, diz o estudo.

Nesse ponto, o estudo chega a uma conclusão curiosa: os agricultores valorizam cada vez mais a orientação digital, mas continuam dando importância a consultores técnicos de confiança.

A fatia dos que preferem canais online subiu 14 pontos percentuais frente a 2024, para 36%. “No entanto, representantes de vendas ainda são os principais influenciadores nas decisões de compra”, aponta a consultoria. Os agrônomos também mantêm a moral intacta, citados como determinantes na decisão por 56% dos produtores.

Biológicos

Outro flanco de inovação que resiste aos tempos de vacas magras são os biológicos, diz a McKinsey — embora a adoção deles “ainda dependa de apoio externo, como financiamento antecipado e subsídio governamental”.

A adesão a esses produtos varia a depender do tipo de cultura. Entre produtores de culturas especiais, como frutas, legumes e castanhas, o uso de produtos de controle biológico bate em 52%, ante 36% nas culturas comoditizadas, como soja e milho — o que a McKinsey credita ao maior valor comercial das primeiras.

Em bioestimulantes, repete-se o mesmo padrão: 59% no primeiro grupo, contra 43% no segundo.

Geograficamente, a América Latina é mais uma vez líder. Entre produtores de grãos, 45% relatam usar produtos de controle biológico, acima da média global de 36%. Em bioestimulantes, 52% dos agricultores latino-americanos relataram o uso, ante 43% no mundo.

Na definição de um produtor de aspargos: “Nosso produto pode ser rejeitado ou sofrer multas se excedermos certos níveis de resíduos químicos; por isso, passamos a usar produtos à base de algas e extratos de óleos vegetais para controlar a temperatura”.

A cautela impera

A McKinsey também perguntou aos agricultores sobre a sua intenção de aumentar gastos nos próximos 12 a 18 meses. Desde 2024, data em que foi realizada a pesquisa anterior, o percentual líquido de produtores que pretende aumentar os investimentos caiu 24 pontos, sinalizando um ambiente de investimento mais restritivo.

No Brasil, a intenção caiu perto da média: 25 pontos percentuais. A Argentina teve a maior queda, de 49 pontos, enquanto a França apresentou o único aumento entre os países analisados, de 4 pontos percentuais.

Embora a fatia de respondentes que preveja aumentar gastos ainda seja maioria, pela primeira vez na pesquisa — realizada desde 2020 — mais de 35% dos produtores relataram a intenção de reduzir gastos com nutrientes.

A McKinsey contextualiza: “Desde que a lucratividade atingiu seu último pico em 2021/22, os preços das commodities caíram, enquanto os custos de fertilizantes, mão de obra, terra, equipamentos e financiamento permaneceram elevados ou voláteis”.

A consultoria lembra que a situação piorou após a guerra no Irã, que causou elevação de custos. Somado a fatores como a incerteza climática, isso “tornou as decisões no campo mais arriscadas”, com reflexos sobre os agentes que atendem os agricultores.

Não por acaso, o aumento de custos de insumos é a principal preocupação dos produtores, sendo citado por 53%. Em seguida aparecem eventos climáticos (45%), volatilidade de preço das commodities (29%) e escassez de água (22%).

Há também quem não deixe de aplicar, mas migre de prateleira ou deixe para depois. “Produtores estão optando por alternativas mais econômicas, por exemplo, trocando produtos de marca por genéricos, e adiando compras, como fertilizantes e maquinário”, diz o estudo.

Entre produtores de grãos buscando opções mais baratas de defensivos, a região com maior intenção de migrar para genéricos é a América do Norte, com 36%, enquanto a Europa tem 30%. Já na América Latina, 33% esperam mudar para genéricos, mas significativos 23% planejam migrar para produtos de marca.

Para a McKinsey, o represamento de decisões “pode gerar uma demanda reprimida que os agentes precisarão antecipar à medida que a lucratividade se recupere”.



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