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A Erco Energia, originária da Colômbia, está mudando sua estratégia no Brasil, focando em baterias para armazenamento de energia, devido à diminuição de oportunidades em projetos eólicos e solares de grande porte. A empresa captou US$ 129 milhões em uma rodada de investimento e planeja alocar recursos conforme o retorno de cada projeto.
A meta é instalar 20 MWh de baterias no próximo ano, com um investimento de cerca de R$ 40 milhões, visando consumidores industriais de médio porte. A estratégia envolve carregar as baterias em períodos de menor custo e utilizá-las em horários de pico, com um payback estimado de três a quatro anos. Enquanto a Erco ainda gera mais de 95% de sua receita na Colômbia, onde a energia solar está em expansão, o Brasil pode se tornar um mercado mais relevante a longo prazo.
* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed
A energia solar deu origem à Erco Energia na Colômbia, mas são as baterias que devem puxar a próxima fase de expansão da companhia no Brasil. O movimento ocorre em um momento em que a empresa vê menos espaço para novos projetos eólicos e solares de grande porte no País.
Os planos serão apoiados pela rodada Série C concluída em agosto deste ano. A empresa captou US$ 129 milhões (pouco mais de R$ 650 milhões) em equity com Next Utility Ventures, Augment Infrastructure, Norfund e Endeavor Catalyst. Não há uma fatia pré-definida dos recursos para o Brasil, e a alocação dependerá do retorno de cada projeto.
“Se no passado surgiam mais oportunidades boas do que ruins, hoje está mais difícil. Tem que saber selecionar muito bem as que aparecem”, afirma Vitor Piva, country manager da Erco Energia no Brasil, ao NeoFeed.
Fundada em 2012, a Erco começou com projetos solares em telhados e, ao longo dos anos, avançou para empreendimentos de maior escala, comercialização e outras soluções de energia. Hoje, a companhia atua na Colômbia e no Brasil, onde chegou em 2022, iniciou a comercialização de energia e agora prepara novas frentes de atuação.
A aposta nas baterias acompanha uma mudança de ciclo no mercado brasileiro, no qual soma cerca de R$ 50 milhões em contratos atualmente.
Depois de anos de crescimento das fontes renováveis, o setor convive com sobreoferta de energia e volatilidade de preços, além de restrições na rede de transmissão e curtailment — cortes obrigatórios na geração por limitações do sistema elétrico.
“Acredito que veremos pouquíssimos novos projetos de energia solar nos próximos dois ou três anos. No eólico, o movimento pode ser um pouco maior”, diz o executivo.
Parte desses desafios, porém, pode jogar a favor das baterias. “O curtailment e a variação do preço de energia são bons para quem tem baterias, porque os efeitos acabam sendo remediados pelo equipamento”, afirma Piva.
É nesse cenário que o desenvolvimento de projetos industriais de sistemas de armazenamento de energia em baterias (BESS) ganha espaço nos planos da Erco para o Brasil. “Identificamos oportunidades nesse setor e é onde devemos focar nossos investimentos no país nos próximos anos”, diz.
A meta é instalar 20 megawatts-hora (MWh) ao longo do próximo ano, volume equivalente a cerca de R$ 40 milhões em investimentos, que podem ser feitos pela própria empresa ou pelos clientes. O foco inicial é consumidores industriais de médio porte, e não os leilões de armazenamento.
A lógica é carregar os equipamentos nos períodos de menor custo e utilizá-los no horário de ponta. Na Bahia, por exemplo, Piva afirma que o custo de uso da rede entre 18h e 21h pode chegar a ser 20 vezes superior ao observado durante a madrugada.
Segundo a companhia, essa diferença já permite, em algumas regiões, um payback de três a quatro anos, semelhante ao observado em projetos solares no início da expansão dessa fonte.
A Erco pretende vender os equipamentos diretamente aos clientes ou oferecê-los em um modelo semelhante a um leasing, no qual a economia obtida ajuda a custear os pagamentos.
Mercado colombiano
Mais de 95% da receita da Erco ainda vem da operação na Colômbia. No longo prazo, porém, Piva acredita que o tamanho do mercado consumidor brasileiro pode levar o País a ter uma participação mais relevante nos negócios da companhia.
Ainda assim, o mercado do país vizinho também continua crescendo e vive um momento diferente do brasileiro. O executivo destaca que a Colômbia vive agora o “boom” da energia solar que o Brasil atravessou há alguns anos, o que mantém essa fonte como principal foco da Erco por lá.
A expansão solar já ocorre combinada ao armazenamento. A regulação para instalar baterias junto à geração está mais avançada do que no Brasil. “Nossos projetos na Colômbia já estão contando com baterias na geração, o que no Brasil ainda não é tão comum”, afirma Piva.
Até 2030, a meta é superar 1,3 gigawatt (GW) de potência solar e 500 megawatts-hora (MWh) de baterias no País.





