A fábrica deve começar a operar no segundo trimestre de 2028 e a Nestlé estima que irá gerar cerca de 100 empregos. A unidade será equipada com sistemas de automação e recursos digitais voltados à produção de fórmulas infantis.
Nestlé amplia produção de whey
O plano também contempla a modernização da fábrica da Nestlé em Araçatuba (SP), principal centro da companhia no Brasil para produtos de nutrição infantil, médica e adulta.
A empresa também vai ampliar a produção de ingredientes estratégicos. A fabricação de whey protein, proteína derivada do leite utilizada em produtos de nutrição, deverá crescer 15% até 2029.
A expansão ocorre em meio ao aumento da demanda por proteínas, impulsionado também pela popularização das chamadas canetas emagrecedoras, medicamentos à base de GLP-1, como Ozempic e Mounjaro.
O whey protein se tornou um dos principais símbolos dessa tendência, mas a oferta da matéria-prima não tem acompanhado o ritmo de consumo, conforme explicado em uma reportagem do InvestNews anteriormente.
Segundo a Nestlé, a expansão da capacidade produtiva busca acompanhar a demanda por produtos de nutrição infantil no Brasil e fortalecer a cadeia de fornecimento de ingredientes.
“Nutrição é uma das principais categorias da Nestlé globalmente e hoje representa cerca de 20% das vendas do grupo. O Brasil é um mercado estratégico para esse negócio”, afirmou Jeff Hamilton, CEO da Nestlé Zone Americas.
Reeorganização de portfólio
O anúncio dos recursos para o Brasil ocorre no mesmo momento em que a Nestlé reorganiza seu portfólio global.
Em julho deste ano, a companhia anunciou a criação da Peranel, empresa controlada em partes iguais pela própria Nestlé e pela Platinum Equity, gestora do bilionário americano Tom Gores, para reunir seu negócio de águas e bebidas premium.
O negócio foi avaliado em US$ 5,7 bilhões (4,9 bilhões de euros), considerando caixa e dívida. A operação reúne marcas como San Pellegrino, Source Perrier, Acqua Panna e Nestlé Pure Life, além de marcas locais. A conclusão ainda depende de aprovações regulatórias.
Já nesta terça-feira (1º), a Nestlé anunciou a venda de sua divisão global de vitaminas, minerais e suplementos para o fundo de private equity Yellow Wood Partners por US$ 1 bilhão (R$ 5,19 bilhões). Entre as marcas incluídas estão Nature’s Bounty, Osteo Bi-Flex, Ester-C, Gard, Nuun, Puritan’s Pride e Sisu.
A transação, porém, não afeta os produtos vendidos pela Nestlé no Brasil, segundo a companhia. No país, produtos de nutrição clínica, fórmulas infantis e suplementos fazem parte de uma divisão mais ampla de nutrição e saúde, que não está incluída no acordo com o fundo.
Segundo a Nestlé, a reorganização permitirá concentrar recursos em quatro áreas consideradas estratégicas: café, nutrição, alimentos e produtos para animais de estimação.
Desde que assumiu o comando da companhia, o CEO Philipp Navratil vem promovendo uma revisão do portfólio e das operações da Nestlé. Além das vendas de ativos, a empresa também colocou à venda a rede Blue Bottle Coffee.
A conclusão dessas operações está prevista para o primeiro semestre de 2027, com uma perda contábil estimada em 1,3 bilhão de francos suíços.
Lucro cai e ações despencam
A reorganização ocorre em um momento delicado para a Nestlé. No primeiro semestre, os resultados da companhia decepcionaram o mercado, com lucro líquido abaixo das expectativas e volumes de vendas mais fracos na América do Norte.
O lucro líquido foi de 3,47 bilhões de francos suíços, queda de 31,4% na comparação anual. O lucro operacional recuou 2,8%, para 7,08 bilhões de francos suíços.
A companhia atribuiu parte da pressão aos custos relacionados à ampla reestruturação em andamento, que inclui venda de ativos, reorganização das operações e corte de aproximadamente 16 mil postos de trabalho. Também houve uma baixa contábil relacionada às operações colocadas à venda.
Por outro lado, a geração de caixa livre cresceu 46,3%, para 3,38 bilhões de francos suíços. As vendas orgânicas cresceram 3,6% no primeiro semestre, acima dos 2,9% registrados um ano antes.





