A regulação do mercado de bets online, que entrou em vigor no início de 2025, foi um dos fatores que impulsionaram o boom do setor no Brasil, e a tendência nos próximos anos é de crescimento sustentado em dois dígitos, segundo o Bradesco BBI, que mapeou o mercado de bets na América Latina.
Segundo o banco, a receita bruta de jogos (GGR, na sigla em inglês) do Brasil saltou 33% no ano passado para US$ 17 bilhões, depois da liberalização do mercado online de bets.
Antes da regularização do mercado, o Bradesco estimava que o GGR do mercado de bets no Brasil era de US$ 13 bilhões.
Para este ano, a expectativa é de um crescimento mais moderado, de 11%, para cerca de US$ 20 bilhões.
Mesmo com a desaceleração, o Bradesco BBI enxerga espaço para taxas de crescimento de dois dígitos no mercado online de bets nos próximos anos, já que a penetração atual do setor ainda está abaixo na comparação com mercados mais maduros (22% dos adultos brasileiros utilizam plataformas de bets).
A base de usuários reduzida do Brasil na comparação com o resto da região, junto da regulação e alto nível de adoção digital no país são os três fatores que o Bradesco elencou como determinantes para o crescimento sustentado previsto do setor nos próximos anos.
O crescimento das bets vem trazendo prejuízo para outros setores, em especial o de varejo. Empresas como Lojas Renner, Magazine Luiza, Casas Bahia, Assaí, GPA, Arcos Dorados e SmartFit citaram o crescimento das bets como uma das justificativas para resultados ruins, por afetar os consumidores de baixa renda, reduzindo sua renda disponível.
O relatório minimiza um pouco essa tese.
Segundo os analistas, o endividamento provocado por bets ainda é um “risco marginal de carteira e de comportamento financeiro”, e não uma questão macroeconômica de grande escala. Para os analistas, o volume de bets já é “grande o suficiente para pesar no gasto mais discricionário, mas ainda não o bastante para afetar significativamente o consumidor em geral.”
Esse quadro pode se tornar um problema no futuro diante de um cenário de endividamento recorde das famílias, com 82% delas carregando algum tipo de dívida e quase 30% do orçamento familiar hoje comprometido com o pagamento de dívidas.
Apesar de minimizar o impacto sistêmico, o relatório mostra o crescimento dos gastos com bets no País.
Atualmente, plataformas de apostas movimentam o equivalente a 3,4% das vendas líquidas do varejo brasileiro, ante 2,7% em 2023. A projeção é de que esse percentual suba para 3,5% neste ano. No comércio eletrônico, a receita das bets online já equivale a 12,3% do mercado, mais que o dobro dos 8,3% registrados em 2023.
No orçamento das famílias, o gasto líquido médio de quem aposta em bets online chega a R$ 122 por mês, o equivalente a 7,5% do salário mínimo de 2026. A porcentagem é ainda maior quando analisado os gastos com todas as modalidades de bets – incluindo o jogo do bicho e as bets online não regulamentadas, cada uma responsável por 19% do GGR total do País — que pode fazer com que esse total salte para 15% do salário mínimo.
O relatório mostra que o público de bets no Brasil é majoritariamente masculino (68%), com quase metade desse total com até 30 anos. Os apostadores que usam quatro ou mais sites de apostas equivalem a 25% dos usuários do setor, enquanto o número dos que usam apenas uma plataforma é de 48%, um sinal de que existe uma minoria de usuários bastante ativos concentrando boa parte dos gastos.





