As ações e os títulos de dívida da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) subiram nesta quinta-feira (3) após o anúncio de que Benjamin Steinbruch deixará o cargo de diretor-presidente da siderúrgica brasileira, posição que ocupava havia mais de duas décadas. O ex-presidente da Vale, Fabio Schvartsman, será seu sucessor.
As mudanças entram em vigor imediatamente, segundo comunicado divulgado na quarta-feira, após o fechamento dos mercados. Elas ocorrem enquanto a CSN conduz uma ampla revisão estratégica e busca reduzir seu endividamento por meio da venda de ativos. A companhia pretende vender participações em seus negócios de cimento e infraestrutura por US$ 2,9 bilhões.
Steinbruch, que comanda a siderúrgica desde 2002, passará a ocupar o cargo de presidente do conselho de administração, posição que estava vaga desde 2023 e que ele já havia ocupado anteriormente.
Sob sua liderança, a CSN se expandiu muito além de suas origens como siderúrgica, tornando-se um grupo com negócios de mineração, cimento, ferrovias e energia. A CSN é a segunda maior exportadora de minério de ferro do Brasil e dona da segunda maior produtora de cimento do país. A companhia também possui operações na Alemanha, Espanha, Portugal e Estados Unidos.
“Vamos continuar trabalhando com a mesma equipe. É uma mudança importante depois de tanto tempo”, disse Steinbruch em entrevista. “Fizemos negócios muito importantes e muito bons, e agora temos que trabalhar em outra coisa”, acrescentou.
As ações da CSN negociadas em São Paulo chegaram a subir 20% nesta quinta-feira, maior alta intradiária desde março de 2020. Os títulos da companhia com juros de 11% e vencimento em 2030 avançaram 2,25 centavos, para 80,5 centavos de dólar, segundo dados da Trace.
Schvartsman chega à CSN após décadas à frente de alguns dos maiores conglomerados industriais do Brasil. Ele foi diretor-presidente da fabricante de celulose Klabin antes de assumir o comando da Vale em 2017. Deixou o cargo após o rompimento da barragem de Brumadinho, em 2019. Mais recentemente, foi membro do conselho de administração da distribuidora de combustíveis Vibra Energia.
Segundo Steinbruch, Schvartsman deverá se concentrar na redução da relação entre dívida e indicadores financeiros da siderúrgica e na melhoria de sua estrutura de capital.
“Precisamos preparar a estrutura da companhia para a nova realidade global de competitividade, para que possamos nos posicionar para os próximos 33 anos”, acrescentou.
“Havia pouca confiança, especialmente, na capacidade de Steinbruch de executar as vendas de ativos. Agora, parece que o mercado se sente mais confortável com isso sob o comando do novo CEO”, disse Omar Zeolla, analista da Oppenheimer & Co.





