A Justiça de Marília decretou a prisão preventiva de Orlando Lázaro de Lima, de 74 anos, denunciado pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) pelo feminicídio de sua ex-companheira Rosimar Andrade e Silva, de 64 anos. Com a decisão, expedida pela 3ª Vara Criminal, Lima continuará preso por prazo indeterminado, mantendo seu afastamento cautelar após o vencimento da prisão temporária no final de agosto.
Na decisão assinada pelo juiz Fabiano da Silva Moreno, o magistrado destacou que a custódia é indispensável para a garantia da ordem pública, conveniência da instrução penal e preservação da integridade física e psicológica das testemunhas do processo.
O magistrado frisou ainda que o crime, classificado como hediondo, foi cometido “por motivação de somenos, qual seja, inconformismo com o término do relacionamento, desrespeitando a autonomia afetiva da ofendida, com emprego de recurso que dificultou a defesa da vítima”, ou seja, o juiz considerou que o acusado agiu por não aceitar o fim do relacionamento e utilizou um meio que dificultou a reação ou defesa da vítima.
A denúncia ainda não foi recebida pela Justiça, o que deve acontecer nos próximos dias, para dar sequência aos atos do processo penal sobre o feminicídio.
Feminicídio
O corpo de Rosimar foi encontrado na tarde de 31 de julho de 2026 em sua residência, na rua Gaspar de Lemos, na zona norte de Marília. O cadáver já estava em processo inicial de decomposição sobre a cama, com perfurações e manchas de sangue na região abdominal. Ao lado do corpo, a perícia recolheu um bilhete manuscrito em letras de forma com ofensas misóginas direcionadas à aposentada.
Quem localizou o corpo foi um dos filhos da vítima, após o próprio Orlando procurá-lo afirmando que a mulher não atendia às ligações havia dois dias. Sem conseguir contato e ao ouvir o celular tocar no interior do imóvel fechado, o filho acionou um chaveiro para entrar na casa e deparou-se com a mãe assassinada.
As investigações da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) apontaram inconsistências cronológicas no interrogatório de Lima, que alegava ter ido à casa apenas prestar reparos domésticos e comprar mantimentos. Imagens de câmeras de segurança vizinhas flagraram o idoso entrando e saindo do imóvel no período temporal em que o assassinato ocorreu.
Além disso, durante buscas autorizadas na residência do investigado, policiais civis apreenderam um caderno de trabalho cujos traçados gráficos apresentaram correspondência com as letras do bilhete deixado sobre a vítima.
Diante dos indícios colhidos, o Ministério Público formalizou a acusação por homicídio qualificado (feminicídio), com a subsequente ordem de manutenção da prisão.





