Bloomberg — Os islandeses rejeitaram a retomada das negociações de adesão à União Europeia, informou a emissora nacional do país, em um referendo considerado um teste ao apelo geopolítico do bloco.
Os opositores às negociações com o bloco de 27 membros representaram 52,8% dos votos, contra 47,2% dos defensores, após uma contagem preliminar de todas as cédulas, de acordo com dados apresentados pela emissora conhecida como RUV. Os resultados oficiais da votação, realizada no sábado, devem ser divulgados na tarde de domingo (30), horário local.
A campanha pré-eleitoral concentrou as preocupações da nação atlântica, com pouco menos de 400 mil habitantes, em torno da soberania e do controle sobre a pesca e a agricultura, enquanto os defensores destacaram a perspectiva de inflação e taxas de juros mais baixas, bem como maior estabilidade geopolítica e econômica. O país nórdico já tem acesso ao mercado único da UE por meio do acordo do Espaço Econômico Europeu.
Um resultado negativo sugere que os islandeses não estão muito preocupados com as mudanças no cenário geopolítico, mesmo depois que as abordagens do presidente dos EUA, Donald Trump, em relação à vizinha Groenlândia provocaram uma crise diplomática no bloco de defesa da Otan. A Islândia é o único membro da aliança militar sem um exército.
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Para a UE, o voto “não” é um revés em um momento em que os formuladores de políticas buscam acelerar o processo de adesão em meio a dúvidas sobre o apelo do bloco.
Já se passaram 13 anos desde a última expansão da UE e mais de três décadas desde a adesão de um país que se tornou contribuinte líquido logo após sua integração. A Islândia está entre as nações mais ricas do mundo em termos de renda per capita.
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Em declarações na semana passada, a primeira-ministra Kristrún Frostadóttir afirmou que a adesão à UE ajudaria seu país a impulsionar o comércio e a reduzir os custos para empresas e proprietários de imóveis.
Cerca de dois terços de suas exportações foram para a UE no ano passado, enquanto a participação dos EUA ficou em 9%, de acordo com dados da Organização Mundial do Comércio. O país possui a taxa de juros mais alta da Europa Ocidental, de 8%, já que a inflação tem excedido a meta de 2,5% do banco central do país desde 2020.
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A Islândia solicitou sua adesão ao bloco em 2009, logo após sua crise financeira, mas congelou as negociações desde 2013. O tema voltou à tona com a mudança de governo no final de 2024. Embora o referendo seja consultivo, o governo afirmou que respeitará o resultado.
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