A Polícia Civil concluiu a Operação Veritas Vincit, que investigou o roubo armado contra um vereador de Assis. O inquérito indiciou oito pessoas, sendo seis ligadas à administração municipal — entre elas, dois ex-secretários que integravam o primeiro escalão do governo local. O Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP) acolheu as conclusões policiais e já ofereceu denúncia contra os investigados.
O crime ocorreu em 23 de março deste ano, quando o parlamentar teve o aparelho celular roubado sob ameaça de arma de fogo. Segundo as apurações conduzidas pela Delegacia Seccional de Assis e pela Delegacia de Investigações Gerais (DIG), o delito teve motivação político-administrativa ligada à atuação fiscalizatória da vítima, que preside uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara dos Vereadores.
Ao longo de cinco meses e quatro fases da operação, as diligências avançaram da captura do executor material para a estrutura que coordenou e financiou a ação criminosa. A polícia identificou a divisão de tarefas entre o planejamento, o recrutamento de executores, o suporte logístico e tentativas posteriores de obstrução da Justiça, incluindo o comprometimento e a indisponibilidade de imagens do sistema público de videomonitoramento.
Diante do conjunto de provas, a Polícia Civil pediu a conversão das prisões temporárias de seis investigados em prisões preventivas. Para um sétimo suspeito, que ocupava a pasta de governo e administração à época dos fatos e é apontado como membro do núcleo superior da trama, a polícia solicitou diretamente a prisão preventiva. Para o oitavo investigado, também servidor público, foram requeridas medidas cautelares diversas do encarceramento.
Os pedidos contaram com parecer favorável da Promotoria e aguardam decisão da Justiça. A operação recebeu o Veritas Vincit, expressão em latim que significa “a verdade vence”.
Crime político e prisões
O caso teve início quando Fernando Sirchia (PDT) foi rendido por um homem armado dentro da própria residência. Conforme a investigação, durante a ação o autor subtraiu o telefone celular do vereador e fez ameaças de morte contra ele e sua esposa, determinando que o parlamentar “ficasse de boca fechada” e deixasse de ser “X9”, espécie de delator na linguagem do crime.
O secretário municipal de Planejamento, Obras e Serviços, Leandro Gabrigna, foi um dos apontados por envolvimento no caso e preso pela Polícia Civil. Ele foi exonerado do cargo que ocupava na Prefeitura de Assis, assim que foi confirmada a sua prisão.





