Jehová chegou a Santa Maria da Vitória. Já era mais de oito horas da noite. Veio por Vitória da Conquista, pela BR-242, com um motorista cedido pela Secretaria de Educação do Estado da Bahia.
O motorista o deixou no Hotel Carrancas, em frente ao Tamarindeiro e, também, em frente ao rio Corrente. Despediu-se, dizendo:
“— Vou embora, painho! Amanhã, alguém vem te buscar e te levar pela cidade.”
Jehová sabia de muita coisa, mas não sabia dirigir. Admirável alguém tão sabido, criador de tantas coisas bonitas, não saber dirigir um carro.
Paulo, que havia lido há pouco tempo sobre Jehová, ficou encantado com as belezas e com a liberdade que Jehová propunha em seus escritos, que eram quase mandamentos.
Assim, Paulo chegou logo cedo, no horário do café da manhã do Hotel Carrancas. Encontrou Jehová comendo cuscuz com mocotó.
“— Bom dia, Sr. Jehová! O reconheci pela foto. É esta aqui, do livro.” Paulo apanhou de uma mochila um livro já bem gasto pelo tempo. “Sou o seu motorista! Estava na casa de Jairinho.”
“— Opa, meu filho! Quer cuscuz? Um mocotó? Isso é sustança!”
Saíram os dois por Santa Maria da Vitória, na Bahia. Jehová queria conhecer todos os cabarés e bares de cachaça boa da região, pelos nomes e pelos donos e donas.
Naquele dia, o dia virou dois ou três. Até hoje, reza a lenda — e dizem as más-línguas — que, por conta do mocotó, o poeta Jehová de Carvalho e o professor Paulo Motorista escreveram versos que ainda ecoam pela bacia do Corrente.





