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Depois de 13 anos, Amazon escala entrega por drone nos EUA

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A entrega por drones passou anos como uma promessa futurista do comércio eletrônico. Agora, começa a ganhar escala — ainda longe de substituir motos e vans, mas já grande o suficiente para sair do campo dos testes.

A Amazon planeja expandir sua operação de entregas por drones para cidades de pelo menos mais cinco estados americanos nos próximos meses, no passo mais ambicioso até agora para transformar um projeto iniciado há mais de uma década em um serviço comercial.

Os drones do Prime Air começarão a entregar encomendas até o fim do ano a partir de centros de distribuição nos arredores de Chicago e Atlanta, além das regiões metropolitanas de Cleveland e Syracuse, no estado de Nova York, informou a companhia nesta quarta-feira (19).

Hoje, a gigante do comércio eletrônico realiza entregas por drones a partir de 11 localidades nos Estados Unidos, incluindo as regiões de Houston e Dallas e os arredores de Phoenix.

Um porta-voz da Amazon não informou quantos dos novos pontos estarão funcionando até dezembro, mas disse que a expansão levará o serviço a quase 500 cidades e municípios americanos — cerca de seis vezes a cobertura atual.

A meta da companhia é disponibilizar entregas por drones para uma população de 30 milhões de pessoas até o fim de 2026.

A promessa de Bezos começa a ganhar escala

A aposta da Amazon em drones é antiga. Jeff Bezos revelou o projeto em uma entrevista em 2013 e disse, na época, que as aeronaves poderiam começar a entregar encomendas aos clientes dentro de cinco anos.

A previsão se mostrou otimista.

Ao longo da década seguinte, a Amazon desenvolveu sucessivos modelos de drones, enfrentou acidentes durante testes e precisou lidar com um desafio mais complexo do que simplesmente fazer uma aeronave voar: incorporá-la com segurança ao espaço aéreo e à operação logística.

Essas limitações também ajudaram a definir onde a tecnologia faz mais sentido. Em vez de substituir entregadores em grandes centros urbanos, os drones vêm avançando principalmente em áreas suburbanas, onde há mais espaço disponível e menos obstáculos.

O atual MK30, projetado e desenvolvido pela própria Amazon, tem seis hélices, decola e pousa verticalmente como um helicóptero e possui alcance de cerca de 12 quilômetros.

Segundo a companhia, o modelo realizou centenas de milhares de entregas neste ano, um salto em relação aos volumes ainda reduzidos dos últimos anos, quando boa parte da operação estava concentrada em instalações de teste na Califórnia e no Texas, hoje desativadas.

A Amazon também começou a adaptar seus próprios centros de distribuição para receber as aeronaves, numa tentativa de integrar os drones à estrutura logística que já abastece sua operação tradicional.

Assinantes do Prime pagam US$ 2,99 pela entrega aérea, com isenção da tarifa em compras de US$ 50 ou mais. Para quem não é assinante, a taxa é de US$ 4,99.

No Brasil, drone tenta resolver outro problema

A escala ainda é bem menor no Brasil, mas a tecnologia também começa a encontrar usos comerciais.

Desde o início de junho, o iFood opera uma rota de entrega aérea em Barueri, na Grande São Paulo. Os pedidos partem do shopping Iguatemi Alphaville e são transportados por drone até condomínios residenciais da região, em uma operação autorizada pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

Mais do que simplesmente acelerar a entrega, o drone tenta resolver ali um gargalo da operação terrestre.

Segundo o iFood, a região registra taxas de recusa próximas de 50% entre os entregadores, por fatores como dificuldade de acesso. Em um dos trajetos, de aproximadamente 3,6 quilômetros, a viagem leva cerca de cinco minutos pelo ar, ante até uma hora por terra.

O equipamento utilizado pelo iFood foi desenvolvido pela brasileira Speedbird Aero. Ele transporta cargas de até 5 quilos e é acompanhado em tempo real por um centro de operações localizado em Franca, no interior paulista.

Barueri não é a primeira experiência da companhia com entregas aéreas. Desde outubro do ano passado, o iFood também mantém uma rota entre Aracaju e Barra dos Coqueiros, em Sergipe.

Segundo a empresa, mais de 5 mil pedidos já foram transportados por drone nessa operação no Nordeste.

Nos dois casos, o modelo mostra uma diferença importante em relação à ambição da Amazon nos Estados Unidos. Por aqui, o drone aparece por enquanto menos como uma nova rede de distribuição e mais como uma solução para trechos em que a entrega convencional é lenta, cara ou difícil de executar.

A corrida do Walmart

A Amazon não está sozinha nessa tentativa de levar as entregas aéreas para além dos projetos-piloto.

O Walmart também vem ampliando rapidamente sua operação nos Estados Unidos, mas adotou um modelo diferente. Em vez de desenvolver seus próprios drones, trabalha com parceiros como a Wing, empresa da Alphabet, holding que controla o Google.

As aeronaves normalmente partem de estruturas instaladas nos estacionamentos dos supermercados da rede.

A expansão anunciada pelo Walmart no fim do ano passado colocou a companhia no caminho para oferecer entregas aéreas em regiões metropolitanas que, somadas, concentram aproximadamente uma em cada dez pessoas nos Estados Unidos.

Em junho, a Wing afirmou que caminhava para operar a partir de mais de 270 lojas do Walmart, alcançando mais de 40 milhões de pessoas nos Estados Unidos até o próximo ano.

Amazon e Walmart, portanto, começam a transformar uma tecnologia que passou mais de uma década presa entre demonstrações e projetos experimentais em parte efetiva de suas redes de distribuição.

Os drones ainda carregam pouco peso, percorrem distâncias curtas e dependem de condições bastante específicas para operar. Mas a disputa agora já não é apenas para provar que uma encomenda pode chegar voando à casa do consumidor. É para descobrir em quais rotas essa conta realmente fecha.



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