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Ume capta R$ 500 mi por FIDCs para avançar em plataforma de crédito

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Bloomberg Línea — A semana de aportes foi marcada pelo volume elevado da fintech de crédito Ume, que captou R$ 500 milhões por meio de FIDCs geridos pela Milenio Capital, em uma operação com demanda superior à oferta e participação de bancos como Itaú, Bradesco e XP.

O caso evidencia o apetite do mercado de capitais por estruturas de crédito baseadas em tecnologia, mesmo em um cenário de juros elevados.

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A expansão internacional também marcou os negócios da semana: a colombiana Yuno levantou US$ 45 milhões em uma rodada Série B liderada pela Global PayTech Ventures, com apoio de Andreessen Horowitz e Tiger Global, para acelerar sua entrada no Oriente Médio; e a africana Yellow Card, provedora de infraestrutura para stablecoins, captou US$ 40 milhões e escolheu o Brasil como porta de entrada para a América Latina.

Leia também: Investida da L4, da B3, Certta mantém aposta no Brasil e projeta triplicar receita

No cenário nacional, aportes em estágio inicial priorizaram nichos específicos: a Condutive levantou R$ 2,5 milhões em rodada pré-seed liderada pela DOMO.VC para estruturar uma rede de consultores de energia renovável, enquanto a Zayra captou R$ 15 milhões em rodada seed para sua plataforma de educação em Web3 e finanças digitais.

Veja os detalhes abaixo:

Ume

A Ume, fintech que fornece infraestrutura para outras empresas venderem com crédito próprio, levantou R$ 500 milhões por meio de Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs).

A operação, estruturada e gerida pela Milenio Capital, fechou com demanda superior à oferta, segundo a empresa, e contou com a participação de instituições como Itaú, Bradesco, XP (Augme), Milenio, Verde e Credit Saison.

A companhia opera como uma camada de inteligência artificial conectada ao mercado de capitais, permitindo que negócios de varejo, marketplaces e serviços ofereçam crédito próprio a seus clientes finais sem montar uma estrutura financeira interna — cobrindo camadas como capital, estrutura regulatória, underwriting, cobrança e atendimento.

Segundo a empresa, o modelo pode elevar em até 15% as vendas dos parceiros e dobrar seu lucro.

A Ume nasceu de uma tese de doutorado em inteligência artificial aplicada a crédito e tem à frente da tecnologia o CTO Berthier Ribeiro-Neto, fundador da empresa de busca Akwan — vendida ao Google, onde liderou a área de engenharia por duas décadas.

A companhia havia iniciado o ano com um FIDC de R$ 150 milhões e afirma que vai processar R$ 2 bilhões em GMV anualizado em 2026, com uma rede de 10 mil pontos de venda e cerca de 4 milhões de clientes finais atendidos.

Yellow Card

A Yellow Card, provedora de infraestrutura para stablecoins com atuação em mercados emergentes, chega ao Brasil como porta de entrada para sua expansão na América Latina, após concluir uma rodada de US$ 40 milhões com participação da SC Ventures, Sony Innovation Fund, Polychain Capital e Blockchain Capital.

A empresa, de origem africana, registrou mais de US$ 10 bilhões em volume transacionado nos últimos 12 meses.

Fundada por Chris Maurice (CEO) e Justin Poiroux (CTO), a companhia combina infraestrutura de stablecoins e sistemas de pagamento em moeda fiduciária em uma única plataforma, permitindo que instituições financeiras, fintechs e empresas movimentem recursos internacionalmente com acesso a liquidez em dólar e integração a múltiplos mercados por meio de uma única API.

Entre os parceiros da companhia estão Visa, Mastercard, PayPal, MoneyGram, Western Union, TerraPay, Thunes e WorldRemit, segundo a startup.

A escolha do Brasil como porta de entrada para a região considerou o tamanho do mercado financeiro do país, a adoção crescente de ativos digitais por empresas e instituições e o avanço das discussões regulatórias sobre o setor.

Na América Latina, a companhia pretende endereçar custos altos e lentidão em pagamentos transfronteiriços, acesso restrito à liquidez em dólar e fragmentação dos sistemas locais de pagamento.

Yuno

A colombiana Yuno, startup de infraestrutura de pagamentos que ajuda empresas a processar transações em diferentes mercados, captou US$ 45 milhões em uma rodada Série B liderada pela Global PayTech Ventures, com participação da Andreessen Horowitz, da Tiger Global e da QuantumLight Capital — gestora fundada pelo CEO da Revolut, Nik Storonsky.

Entre os novos investidores estão a Rasmal Ventures, apoiada pelo fundo soberano do Catar, e a GrowthX Capital, gestora de Hamad Al-Hajri, fundador da unicórnio catari Snoonu.

A empresa afirma estar no caminho para atingir a lucratividade e pretende usar o novo capital para ampliar seu portfólio de produtos e sua presença global, incluindo o aprofundamento no Oriente Médio — região onde já abriu um escritório em Doha, segundo o fundador Juan Pablo Ortega.

Zayra

A Zayra, startup de educação voltada a Web3 e finanças digitais, concluiu uma rodada seed de R$ 15 milhões, com aportes dos investidores-anjo Gustavo Guedes Maniero, Ibrahim Jamhour e Edison Raposo, além de outros investidores do setor financeiro.

Os recursos serão destinados ao desenvolvimento da plataforma tecnológica da empresa, à estruturação de um estúdio de produção de conteúdo e à gravação das primeiras aulas, em parceria com a SP Tech, faculdade de tecnologia de São Paulo.

Segundo a empresa, a proposta educacional segue o método Learn, Build, Earn, dividido em três etapas: compreensão de conceitos de Web3 e finanças digitais, aplicação desse conhecimento em projetos e conexão da formação a resultados profissionais e financeiros.

A plataforma contará com a ZAI, inteligência artificial própria que usa vídeos, áudios, slides e materiais de apoio das aulas para responder dúvidas dos alunos.

A Zayra é liderada por Tito Martins, que soma três décadas de experiência no mercado financeiro, com passagens por Banco Matrix, Itaú-Unibanco e HSBC.

O time de fundadores inclui ainda Claudio Yamaguchi, à frente das frentes educacional e de produto; Daniel Marques, responsável pela infraestrutura tecnológica da plataforma; e Renato Janesch, CFO com passagens por Citi, DuPont e Magazine Luiza.

Condutive

A Condutive, marketplace de energia renovável, captou R$ 2,5 milhões em uma rodada pré-seed liderada pela DOMO.VC, com participação da Bossa Invest e de investidores-anjo.

A startup, fundada em 2024 por João Luis Diniz D’Avila e Thiago Oliveira, conecta pessoas físicas e empresas a soluções de energia limpa — como assinatura de energia, acesso ao mercado livre e projetos fotovoltaicos —, com curadoria de fornecedores e suporte técnico ao longo do contrato.

Presente em 25 estados e com cerca de 30 fornecedores parceiros no ecossistema, entre eles EDP, Matrix e Casa dos Ventos, a companhia busca se tornar o maior marketplace de utilities do país.

Os recursos serão usados para estruturar uma rede de 1.000 consultores autônomos — inspirada no modelo dos assessores de investimento da XP —, que passará por um programa de capacitação 100% online, com módulos sobre mercado livre de energia, geração distribuída e técnicas de venda.

No modelo, os consultores cuidam da prospecção e orientação dos clientes, enquanto a startup mantém a curadoria dos fornecedores e o suporte técnico até o fechamento do contrato.

A empresa afirma ter registrado alta de 50% no volume de propostas nos últimos seis meses e mira atingir a marca de 1.000 clientes atendidos no próximo ciclo de crescimento.

Em março, a Condutive foi uma das 17 startups selecionadas para a 5ª edição do Inova Startups, programa do Sebrae Santa Catarina.

— Com informações da Bloomberg News sobre o aporte na startup Yuno.

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