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Ataque hacker mostrou que manter a segurança de criptomoedas é cada vez mai…

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Bloomberg Opinion — Encontrar um lugar para guardar as chaves do seu acervo de criptomoedas nunca foi tão fácil, graças a opções que vão desde colocá-las em um bunker nuclear suíço desativado até o uso comum de plataformas de câmbio de ativos digitais. Também nunca foi tão difícil mantê-las a salvo de ladrões.

O armazenamento a frio — com o uso de dispositivos físicos offline, como discos rígidos, cofres ou pen drives — é o padrão-ouro em segurança de criptomoedas.

Para transferir bitcoin ou moedas semelhantes da sua carteira digital, você precisa saber a sequência de palavras aleatórias que compõe sua senha de fato, conhecida como seed phrase. E, em vez de anotá-las ou mantê-las em algum lugar digital conectado à internet, você as armazena em um local fora do alcance dos hackers. Ou, pelo menos, essa é a teoria.

Infelizmente, um ataque ocorrido na semana passada mostrou mais uma vez que nenhum método é 100% confiável. A Coinkite é uma empresa canadense que hospeda as carteiras de bitcoin das pessoas e desenvolveu um dispositivo físico — o Coldcard, que parece uma calculadora de bolso — para criar as chaves privadas dos clientes para essas carteiras e, então, mantê-las seguras.

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Mas isso foi explorado por hackers que descobriram uma falha na forma como a empresa gerava as seed phrases. Em vez de uma geração totalmente aleatória, as carteiras possuíam um mecanismo de segurança que fazia com que algumas chaves utilizassem informações previsíveis, como números de série.

Assim, os hackers conseguiram usar esse conhecimento para invadir, com uso de força bruta, milhares de carteiras digitais. Mais de US$ 100 milhões foram roubados dos usuários do Coldcard até o momento, apesar de todos os esforços para manter suas senhas em segredo.

Esta não é a primeira vez que o armazenamento físico de chaves de criptomoedas falha em manter as carteiras seguras. Há muitos relatos de pessoas que perderam ou esqueceram senhas, caíram em golpes de phishing, além da história de um disco rígido que continha as chaves de mais de US$ 500 milhões em bitcoin que acabou em um aterro sanitário no País de Gales. Os proprietários de criptomoedas certamente já sabem que essa classe de ativos traz consigo um conjunto próprio de riscos de segurança alarmantes.

Mas é difícil dizer como os clientes da Coinkite poderiam ter evitado essa situação. Deveria se esperar que todo trader de criptomoedas examinasse minuciosamente o código-fonte de um provedor de armazenamento frio antes de usá-lo, por medo de ser hackeado?

Leia também: Hackers quebram proteção de carteiras ‘frias’ e desviam US$ 86 milhões em bitcoin

Embora muitas dessas empresas tenham seus sistemas avaliados por especialistas em segurança e orgulhosamente divulguem suas certificações como prova de segurança, essas certificações costumam ser apenas instantâneos no tempo e não oferecem garantia alguma quando a tecnologia está em constante evolução.

Nesse caso, o firmware da Coldcard estava disponível para qualquer pessoa como código-fonte aberto, prática comum no mundo das criptomoedas devido ao compromisso fervoroso com sistemas descentralizados. Além disso, isso permite que os chamados hackers de chapéu branco procurem vulnerabilidades e as denunciem em troca de uma recompensa.

Mas, à medida que a adoção de tokens digitais se expande, a proporção de pessoas com conhecimento tecnológico suficiente para avaliar a qualidade do código de um provedor de carteira só tenderá a diminuir.

E os riscos vem aumentando vertiginosamente à medida que os criminosos aprendem a inovar. O avanço da inteligência artificial (IA) criou novas formas de ataque, com ferramentas como o Claude, da Anthropic, capazes de vasculhar o código das plataformas de criptomoedas em busca de falhas.

Isso não quer dizer que a IA seja infalível. A Coinkite afirma que vários modelos de ponta que solicitou para verificar seu trabalho não conseguiram detectar nenhum problema antes que o ataque fosse descoberto.

Mesmo no mundo real, as táticas criminosas à moda antiga podem funcionar. Ataques do tipo “wrench”, nos quais criminosos coagem violentamente as vítimas a entregar tokens ou senhas, resultaram em um aumento impressionante de assaltos e sequestros em todo o mundo.

Leia também: Febre dos peptídeos nos EUA impulsiona uso de bitcoin em mercado paralelo

A França sofreu uma onda de tentativas coordenadas por gangues, responsáveis por 38% de todos os ataques do tipo “wrench” documentados desde o início de 2025, de acordo com um banco de dados compilado pelo especialista em segurança de Bitcoin Jameson Lopp.

A elite das criptomoedas aumentou os gastos com guarda-costas, enquanto na Paris Blockchain Week deste ano os VIPs foram escoltados até um jantar em Versalhes por uma escolta policial. Investidores de varejo obviamente não têm condições de arcar com uma proteção desse tipo.

É verdade que o dinheiro tradicional apresenta falhas de segurança semelhantes. Um banco pode ser assaltado à mão armada, golpes por call center podem induzir as pessoas a realizar transferências fraudulentas e o dinheiro pode ser falsificado. Mas um PIN esquecido ou uma transação errada por engano é facilmente resolvida pelo seu banco; seed phrases perdidas geralmente se perdem para sempre.

Da mesma forma, tokens roubados são extremamente difíceis de recuperar devido à natureza da tecnologia blockchain, na qual não se sabe quem é o verdadeiro proprietário, mas apenas quem detém as chaves no momento da transferência.

As tentativas do setor de contornar esse problema nem sempre são bem-vindas pelos usuários. Um dos princípios fundamentais das criptomoedas é o mantra frequentemente repetido de “se não são suas chaves, não são suas moedas” — o que significa que os provedores de carteiras podem parecer excessivamente autoritários ao tentar reforçar a segurança.

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A Ledger, desenvolvedora de outra solução popular de armazenamento a frio, lançou um produto que dividia as seed phrases em três partes para facilitar a recuperação. Cada fragmento seria armazenado em países diferentes por empresas distintas, como uma medida de segurança. Só que a maioria dos usuários da Ledger acreditava que sua seed frase fosse inviolável; assim, a descoberta de que ela poderia ser compartilhada pela empresa soou como uma traição. O produto foi colocado na geladeira, mas lançado alguns meses depois com maior transparência.

O caso da Coldcard poderia servir como um lembrete que levasse os traders a preferirem métodos de custódia mais centralizados, mas duvido disso. Os ideais libertários do Bitcoin, de privacidade e autonomia, continuam profundamente enraizados no setor, e por um bom motivo. Os colapsos da FTX, da Celsius e da Mt. Gox são provas do que pode acontecer quando seus tokens são confiados a terceiros.

Ainda assim, proteger sua própria seed phrase é algo que os investidores de varejo devam fazer de ânimo leve, e é por isso que armazenar criptomoedas na corretora onde as compraram costuma ser a única opção que conhecem.

Fundos negociados em bolsa (ETFs) que detêm Bitcoin são oferecidos por gestoras de ativos tradicionais e representam uma alternativa mais segura, proporcionando essencialmente a mesma exposição ao preço com menos riscos. Para a maioria dos investidores casuais, isso é suficiente para seguir em frente.

Esta coluna reflete as opiniões pessoais do autor e não reflete necessariamente a opinião do conselho editorial ou da Bloomberg LP e de seus proprietários.

Emily Nicolle escreve sobre finanças digitais para a Bloomberg Opinion.

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