A Polícia Civil de Marília mantém as investigações para localizar Guilherme Henrique Romero, de 30 anos, conhecido como “Bié”, desaparecido desde 21 de julho. Até o momento, não há elementos que confirmem as versões de que ele tenha sido vítima de tortura ou assassinato.
O delegado Luís Marcelo Perpétuo Sampaio, titular da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), afirmou que as diligências continuam concentradas na localização de Guilherme e na busca por informações que possam esclarecer o desaparecimento.
“Enquanto ele não for localizado, tudo pode ter acontecido. Não existe nenhum elemento concreto que permita afirmar que ele foi torturado, assassinado ou que esteja morto. Nenhuma possibilidade pode ser descartada neste momento, inclusive a de que ele esteja vivo”, afirmou.
Segundo Sampaio, a DIG recebeu diversas informações desde o registro do desaparecimento, mas parte delas não foi confirmada após as verificações.
“Recebemos inúmeras denúncias e informações. Todas são verificadas, mas muitas acabam não se confirmando. A investigação trabalha com fatos e provas, não com especulações”, ressaltou.
Desde o desaparecimento, equipes da Polícia Civil realizaram diligências em diferentes pontos de Marília. O Corpo de Bombeiros também participou das buscas, com uso de drones em áreas de mata e locais de difícil acesso nas regiões do Jardim Marajó e Jardim Santa Paula.
Na última sexta-feira (31), as equipes fizeram buscas em uma área de pastagem após familiares receberem a informação de que Guilherme estaria em um ponto de difícil acesso, próximo a um barranco. Nenhuma evidência foi localizada.
Bicicleta localizada
Um dos elementos reunidos pela investigação é uma bicicleta que teria sido utilizada por Guilherme no dia do desaparecimento. O veículo foi encontrado abandonado na zona sul de Marília, em uma região conhecida pelo comércio de drogas.
Embora a bicicleta não estivesse registrada em nome do jovem, familiares confirmaram que ele a utilizava com frequência.
Para o delegado, a localização do veículo é relevante para a investigação, mas não permite, isoladamente, determinar o que aconteceu com Guilherme.
“Uma bicicleta foi localizada e passou a integrar o conjunto de elementos analisados pela investigação. No entanto, ela, por si só, não responde o que aconteceu com o desaparecido. Precisamos localizar a vítima ou obter outras provas que permitam reconstruir os fatos”, explicou Sampaio.
A motivação para o desaparecimento também é desconhecida. Apesar dos relatos sobre uma possível tortura, a Polícia Civil afirma não ter encontrado, até o momento, vestígios materiais que confirmem essa hipótese.
“As diligências continuam diariamente. Estamos analisando todas as informações que chegam à delegacia e nenhuma linha de investigação foi descartada”, destacou Luís Marcelo.
Últimos momentos
Segundo Silvia Romero, mãe de Guilherme, dias antes do desaparecimento um homem desconhecido foi até a residência da família à procura do filho. De acordo com ela, o homem mostrou uma fotografia no celular e fez ameaças de morte. Em outra ocasião, ele teria retornado ao imóvel enquanto Silvia estava trabalhando e procurado novamente por Guilherme.
No dia 21 de julho, Guilherme estava em casa com a mãe. Antes de sair, pediu dinheiro para comprar um suco em um estabelecimento próximo. Depois de retornar e permanecer alguns minutos na residência, saiu novamente dizendo que voltaria, mas não foi mais visto.
Posteriormente, a família recebeu informações de que Guilherme teria sido visto na região do Jardim Marajó. Dias depois, começaram a circular mensagens afirmando que ele teria sido assassinado, mas a informação não foi confirmada pelas autoridades.
Segundo a família, Guilherme não tinha antecedentes criminais nem era conhecido por envolvimento em conflitos graves. A mãe relatou ainda que ele enfrentava problemas relacionados à dependência química e vinha pedindo ajuda para ser internado em uma clínica de recuperação.
Sem condições financeiras para custear um tratamento particular, a família não conseguiu realizar a internação antes do desaparecimento.
Enquanto as buscas continuam, Silvia afirma que aguarda informações sobre o paradeiro do filho. “Eu só quero o corpo do meu filho para poder enterrar. Não quero denunciar ninguém, não quero saber quem fez isso. Só quero meu filho para dar um enterro digno e acalmar meu coração de mãe”, disse.





