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Brasil fica atrás de México e Argentina em ranking global de qualidade de v…

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Bloomberg Línea — Os países latino-americanos continuam ficando para trás na lista das economias do mundo com melhor qualidade de vida, que, em 2026, é liderada globalmente por nações de alta renda como Suécia, Dinamarca, Canadá, Suíça e Finlândia, de acordo com um relatório da Wharton School.

Os países mais bem posicionados da região são aqueles que conseguiram combinar crescimento econômico com instituições mais sólidas, estabilidade, investimento em capital humano e confiança da população.

Por outro lado, os países que ficaram para trás enfrentam desafios multidimensionais que exigem políticas sustentadas ao longo de vários governos.

“Nesse tipo de ranking, a reputação internacional reflete, em grande parte, a capacidade de um país de proporcionar bem-estar de forma consistente, e não apenas resultados econômicos de curto prazo”, disse à Bloomberg Línea Clara Inés Pardo, analista, doutora em Economia e professora da Universidade do Rosário, na Colômbia.

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“A qualidade de vida não depende apenas da renda média. Também é importante que as pessoas tenham acesso a serviços públicos de qualidade, confiem nas instituições e possam desenvolver seus projetos de vida em um ambiente relativamente estável”, observou Pardo.

Do ponto de vista das finanças públicas, o atraso da América Latina também se deve a uma falha estrutural na qualidade do investimento público e na capacidade de arrecadação.

“Embora sejamos uma região de renda média, sofremos com acordos fiscais fracos, nos quais a carga tributária média é baixa e, às vezes, regressiva, dependendo de impostos indiretos como o IVA”, disse à Bloomberg Línea a professora Diana Becerra Peña, do Centro Universitário de Ciências Econômicas e Administrativas (CUCEA) da Universidade de Guadalajara. “Além disso, observa-se uma ineficiência na alocação dos gastos. A maior parte do orçamento público é destinada a gastos correntes, em vez de investimentos em capital”.

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A acadêmica afirma que ainda não se conseguiu consolidar os sistemas orçamentários orientados a resultados, e isso faz com que um nível mais elevado de renda agregada não se traduza automaticamente na geração de valor público, nem em melhores serviços de saúde, infraestrutura ou educação.

O Índice dos Melhores Países de 2026 classifica 85 países do mundo com base em diferentes categorias, entre as quais se inclui o fator qualidade de vida.

O relatório se baseia nas opiniões de 15.131 adultos de 33 países.

Para isso, leva em consideração as condições de vida, a segurança, o poder aquisitivo, a assistência médica, o acesso à moradia e as oportunidades de trabalho.

Esses países representam 93% do PIB mundial e 78% da população mundial.

O estudo e o modelo utilizados para avaliar e classificar os países foram elaborados pela empresa global WPP, por meio de sua ferramenta de análise de marcas, em colaboração com a Wharton School da Universidade da Pensilvânia, especialmente com o professor David Reibstein.

Entre os países da região, o melhor classificado foi o México, que ocupa a 39ª posição no ranking mundial com uma pontuação de 22,8 em 100, de acordo com o Índice.

Para os pesquisadores da Wharton School, o México “enfrenta desafios constantes, entre os quais a desigualdade de renda e as disparidades regionais; no entanto, conta com importantes vantagens demográficas graças a uma força de trabalho jovem e em crescimento”.

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O México parece estar em vantagem não apenas por seu porte econômico, mas também por sua integração com a América do Norte, sua capacidade industrial e seu peso nas cadeias globais de valor — aspectos que influenciam a percepção externa.

“A localização geográfica do país ao longo de importantes corredores comerciais e sua participação no T-MEC consolidaram seu papel como um importante centro de manufatura”, afirma o documento.

No caso do México, Diana Becerra Peña destaca que têm sido implementados marcos fiscais e regras tributárias cada vez mais sólidos. “A integração da economia mexicana ao comércio global gerou dinâmicas de arrecadação e investimento produtivo que, aliadas à gestão dos gastos, proporcionam margens de manobra mais amplas, apesar da heterogeneidade regional no desempenho local”.

La bandera brasileña en Balneário Camboriú, Brasil, el martes 12 de diciembre de 2023.

Em meio ao seu processo de recuperação e apesar dos desafios, a Argentina já é considerada o segundo país em qualidade de vida na região (49º no mundo), com uma pontuação de 18,4, de acordo com o relatório da Wharton School.

De acordo com o documento, “o país se recuperou de crises anteriores graças à sua resiliência e à adaptação institucional. Sua força de trabalho qualificada e sua capacidade de inovação em tecnologia e biotecnologia oferecem potencial de crescimento”.

“A Argentina continua sua participação estratégica na região por meio do Mercosul e mantém uma influência cultural significativa em toda a América Latina. Abordar a sustentabilidade fiscal e a inflação continua sendo fundamental para a estabilidade e o crescimento econômicos futuros”, acrescenta.

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Em terceiro lugar, no âmbito regional, está o Brasil, a maior economia da América Latina, que obteve uma pontuação de 17,9 em qualidade de vida e ficou na 53ª posição no ranking global.

O relatório destaca “seu vasto mercado, seu perfil demográfico jovem e sua riqueza em recursos naturais”, fatores que o posicionam como um ator essencial para o futuro econômico mundial. “O Brasil continua trabalhando no fortalecimento institucional e no desenvolvimento sustentável, ao mesmo tempo em que aproveita suas vantagens naturais”.

Os desafios do país incluem a desigualdade de renda, a violência em certas áreas urbanas e as preocupações com o desmatamento da Amazônia.

Uruguay

Já na quarta posição está o Uruguai (56º lugar no ranking global), com uma pontuação de 15,7 no quesito qualidade de vida, de acordo com o Índice dos Melhores Países de 2026.

O Uruguai se destaca por sua estabilidade institucional e por seu papel como parceiro confiável na América do Sul.

Suas relações comerciais, o desenvolvimento de serviços financeiros e o acesso ao Mercosul fortalecem sua economia, embora o tamanho reduzido de seu mercado e a dependência de matérias-primas continuem sendo desafios.

O quinto lugar na América Latina é do Chile (57º no ranking mundial), com uma pontuação de 15,6 em qualidade de vida.

Na opinião dos autores do relatório, o Chile enfrenta o desafio de lidar com a desigualdade persistente, as demandas sociais por redistribuição e a polarização política para “manter o desenvolvimento a longo prazo e a legitimidade institucional”.

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De qualquer forma, em nível mundial, “o Chile se posicionou como a porta de entrada da América Latina para os mercados da Ásia-Pacífico e para os canais de transferência de tecnologia. A relativa estabilidade e o desenvolvimento institucional do país atraíram um investimento estrangeiro significativo, embora a incerteza recente tenha freado esses fluxos”, destaca o documento.

Depois do Chile, vêm outras economias regionais, como o Peru (62º lugar no mundo), com uma pontuação de 12,1, e o Panamá (66º lugar), com uma pontuação de 10,8.

Entre os países da região que foram avaliados, os que apresentam pior desempenho são a Colômbia (pontuação de 9,7), o Equador (9,3) e a Guatemala (9,1).

Plaza de Armas, en Santiago de Chile.

O relatório não leva em conta países como Cuba, Venezuela ou Haiti.

Sobre a Guatemala, por exemplo, o documento destaca que a violência, a corrupção, a fragilidade das instituições e a pobreza “continuam sendo desafios importantes para o desenvolvimento, que limitam o investimento e a competitividade”.

“Abordar as questões de segurança e fortalecer a governança democrática são aspectos essenciais para concretizar o potencial de desenvolvimento da Guatemala e a integração econômica regional”, acrescenta ele.

A analista Clara Inés Pardo destaca que uma estrutura institucional fraca reduz a capacidade do Estado de oferecer serviços de qualidade, ao mesmo tempo em que limita a produtividade e o crescimento econômico.

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Além disso, a redução da renda dificulta o financiamento de políticas sociais, enquanto a insegurança desestimula os investimentos e afeta tanto a economia quanto o bem-estar no dia a dia.

Por isso, “a qualidade de vida é resultado de um sistema, não de uma única variável. A segurança, a renda, as instituições e a equidade se reforçam ou se deterioram mutuamente”, destacou a analista.

Consequentemente, melhorar a posição em índices como o da Wharton exige consistência nas políticas públicas.

Não basta crescer economicamente durante alguns anos; é necessário que esse crescimento se traduza em maior segurança, melhores serviços públicos, instituições mais confiáveis e oportunidades para uma parcela maior da população.

Entre as medidas eficazes, destacam-se o fortalecimento da qualidade da educação, desde a primeira infância até o ensino superior; a ampliação da cobertura e da qualidade dos sistemas de saúde; e a melhoria da segurança cidadã por meio de estratégias integrais de prevenção e fortalecimento institucional.

Pardo também sugere reduzir a informalidade no mercado de trabalho e aumentar a produtividade; garantir a estabilidade macroeconômica para atrair investimentos e gerar empregos; e fortalecer a transparência e a capacidade do Estado de implementar políticas públicas.

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