Bloomberg Línea — A Ambev (ABEV3) teve um ganho de market share “consistente” desde o primeiro trimestre nas categorias de cerveja, o que ajudou a gigante de bebidas a expandir o volume em um ritmo acima do desempenho da indústria no Brasil, segundo o CFO, Guilherme Fleury.
No balanço divulgado na quinta-feira (30), a companhia informou um crescimento de 5% no volume de cerveja vendida no país no segundo trimestre, para 21,035 milhões de hectolitros.
Apesar de positivo, o resultado frustrou parte dos analistas, que esperava uma expansão mais acelerada, dada a maior demanda durante o período da Copa do Mundo e a menor base de comparação por causa de um segundo trimestre mais fraco no ano passado.
Em entrevista à Bloomberg Línea, o executivo buscou colocar o resultado em perspectiva, afirmando que o setor de cerveja no Brasil, como um todo, teve um crescimento mais modesto – estimado de 0,5% a 1% em volume no mesmo período, segundo ele.
Para o executivo, a diferença entre o desempenho do setor e o da companhia se explica justamente pelo ganho de participação de mercado. “Dentro desse crescimento [de 5%], grande parte disso veio de um ganho de market share em vários segmentos onde a gente opera”, afirmou Fleury, que é diretor vice-presidente financeiro e de relações com investidores.
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Em outubro do ano passado, a Ambev recuperou a liderança no mercado premium no Brasil depois de dez anos, superando a concorrente Heineken.
De acordo com Fleury, a empresa tem expandido a participação no segmento desde então. E, no segundo trimestre, o ganho de participação também ocorreu em outras categorias.
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A empresa tem se apoiado em uma estratégia de ampliar o portfólio de marcas premium, ao mesmo tempo em que investe em produtos para atender novos hábitos de consumo mais saudáveis e outras demandas.
Recentemente, o grupo colocou no mercado a Spaten Pro, uma cerveja com 10 gramas de proteína e sem álcool, e promoveu durante a Copa do Mundo a sua marca Michelob Ultra, com menor quantidade de calorias (85), 80% menos carboidratos e sem glúten.
Para o executivo, o resultado reflete o que ele chama de “ambidestria” na estratégia da Ambev, de crescer aumentando participação e volume, mas mantendo margens saudáveis, com controle de custos e sem abrir mão de preços.
“A gente teve nesse trimestre o maior resultado de geração de caixa da Ambev dos últimos anos. A gente gerou R$ 7,9 bilhões de caixa operacional. É 85% de crescimento sobre o ano passado”, afirmou.
As ações da Ambev chegaram a cair mais de 3% na abertura do mercado na quinta-feira, dia da divulgação do balanço, mas se recuperaram ao longo da sessão e também na sexta-feira. No ano, os papéis acumulam alta de cerca de 15,4%, ante avanço de 10,5% do Ibovespa.
Os dados podem ter atraso de ate 20 minutos.
Fleury reconhece que as temperaturas mais amenas no Brasil no segundo trimestre não ajudaram os resultados da empresa e que os volumes de cerveja vendidos pela indústria como um todo estão aquém do potencial.
Ele avalia, no entanto, que as perspectivas de médio e longo prazo para o mercado brasileiro de cerveja são positivas. O executivo cita especificamente fatores como o crescimento populacional, que tende a elevar o número de pessoas em idade legal para consumir bebidas alcoólicas, além de um avanço da renda per capita e de uma melhor distribuição de renda.
Com isso, Fleury vê potencial de um crescimento nos “low single digits” no volume de cerveja da indústria brasileira pelos próximos anos, o que tende a beneficiar a empresa. “Tudo isso funcionando, a gente vai colocar a indústria onde a gente acredita que ela deve estar”, afirmou.
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