Marília – O fóssil de uma serpente Tametara Mirim que está no Museu de Paleontologia de Marília ganhou repercussão internacional com artigo e destaque na revista Nature na quarta-feira (22).
Surgiu em 2020 durante pesquisa do paleontólogo William Nava – aliás, coordenador do museu em Marília – em sítio de paleontologia em Presidente Prudente.
Nava descobriu inicialmente quatro pequenas vértebras, contudo, logo teve grandes surpresas. Uma delas, inclusive, é a descoberta do mais completo fóssil da espécie no país.
Contou com apoio da pesquisadora Giovanna Paixão, hoje doutoranda em Biologia, tanto na coleta quando na análise e preparação no museu.
“Exigiu muita atenção e calma. Cada remoção de partes do arenito revelava as pequenas vértebras. Quando me deparei com partes ósseas que apontavam para o crânio, foi muito gratificante”, disse Nava.

“Trata-se de uma das serpentes mais antigas conhecidas e melhores preservadas. É o primeiro fóssil articulado de serpente encontrado no País”, afirma a pesquisadora Annie Hsiou, da USP em Ribeirão Preto
Professora do Departamento de Biologia, ela é uma das autoras do artigo na Nature com mais oito nomes dos Estados Unidos, Alemanha, Finlândia, Austrália e Argentina. Além deles, o próprio Nava e a pesquisadora Giovanna Paixão.
Rainha das serpentes
A Tametara mirim viveu durante o Cretáceo Superior, entre 85 e 75 milhões de anos, na Formação Adamantina, Grupo Bauru. É, aliás, o ponto onde está Sítio Paleontológico José Martin Suárez, de onde já saíram as aves mais bem preservadas do Brasil.
Tametara mirim significa “pequeno adorno”, referência à crista sagital (proeminência na linha média no topo do crânio).
“Ela tem características que ajudam a compreender a origem e a evolução das serpentes. É uma serpente primitiva do Cretáceo brasileiro”, diz a pesquisadora da USP.
A serpente é de pequeno porte, com cerca de 42 centímetros de comprimento corporal preservado e crânio estimado em 3,3 cm.
Uma publicação do Jornal da USP inclui um vídeo, em inglês, com detalhes da análise. Além disso, a descrição da serpente como a “rainha das cobra”.





