Bloomberg Línea — Os fundos negociados em bolsa, conhecidos pela sigla ETF (exchange-traded funds, em inglês), tornaram-se uma das ferramentas mais utilizadas por investidores que buscam exposição a diferentes segmentos do mercado sem a necessidade de selecionar ativos individuais.
Esses instrumentos acompanham o desempenho de índices, setores ou classes específicas de ativos e oferecem alternativas tanto para perfis mais conservadores quanto para investidores dispostos a assumir mais risco.
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De olho no segundo semestre de 2026, a Bloomberg Línea ouviu quatro especialistas de diferentes países da América Latina sobre quais ETFs de Wall Street consideram mais atrativos para diferentes perfis de investimento.
As respostas incluem desde fundos atrelados à renda fixa americana e aos principais índices acionários até apostas em inteligência artificial, semicondutores, cobre, urânio e empresas de menor capitalização.
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As escolhas da Monex
Brian Rodríguez, analista sênior de mercado do grupo mexicano Monex, afirmou que há oportunidades para a segunda metade do ano tanto em setores defensivos quanto em segmentos mais agressivos do mercado americano.
Para um perfil conservador, ele destacou o setor de saúde como uma das principais alternativas. Segundo o analista, trata-se de um segmento mais defensivo do que tecnologia ou comunicações, com crescimento estrutural e menor sensibilidade ao ciclo econômico.
Embora tenha observado que a expectativa de crescimento dos lucros do setor de saúde é de apenas 2% — a menor entre os segmentos do mercado —, Rodríguez destacou que os valuations estão mais razoáveis do que as de outros setores, especialmente o de tecnologia, o que pode criar oportunidades.
Ele também citou o ETF XLI, ligado ao setor industrial, como uma opção para carteiras conservadoras. Segundo Rodríguez, o segmento tende a se beneficiar do aumento dos investimentos em infraestrutura e da construção de data centers voltados ao desenvolvimento da inteligência artificial.
O analista acrescentou que o setor industrial apresenta expectativa de crescimento dos lucros de 11% e avaliações mais atrativas em relação ao setor de tecnologia.
Como terceira alternativa para investidores conservadores, Rodríguez apontou o ETF XLF, ligado ao setor financeiro, devido à combinação de avaliações mais moderadas e crescimento mais equilibrado.
Para perfis mais arrojados, o analista destacou o ETF XLK, do setor de tecnologia, pelas elevadas expectativas de crescimento dos lucros. Também mencionou os ETFs de semicondutores SMH e SOX, com exposição a empresas como Nvidia, Broadcom e AMD.
Segundo Rodríguez, a tese de investimento para esse segmento continua baseada no crescimento da demanda por memória, chips e data centers, embora reconheça que as avaliações elevadas podem aumentar a volatilidade.
Por fim, ele citou o setor de comunicações como outra alternativa para investidores mais agressivos, em razão das expectativas de crescimento próximas de 20% e da exposição a empresas como Meta e Google. Ainda assim, alertou para a elevada concentração do segmento em poucas companhias.
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Os preferidos da XTB
Emanoelle Santos, analista de mercados da plataforma de investimentos XTB, no Chile, destacou o potencial dos ETFs de renda fixa americana de curto prazo, como o iShares Treasury Bond 0-1yr UCITS ETF e o iShares USD Treasury Bond 1-3yr UCITS ETF.
Segundo Santos, a estratégia desses instrumentos consiste em manter exposição ao dólar e aos títulos soberanos americanos de alta qualidade, reduzindo ao mesmo tempo a sensibilidade às oscilações de longo prazo dos juros.
Para uma exposição moderada à renda variável, ela citou ETFs amplos ligados ao mercado americano, como o Vanguard S&P 500 UCITS ETF e o iShares Core S&P 500 UCITS ETF, que permitem acompanhar o desempenho das maiores empresas dos Estados Unidos sem concentrar a carteira em um único setor.
Para perfis conservadores, a analista recomendou evitar exposição excessiva aos setores de tecnologia e semicondutores após a forte valorização impulsionada pela inteligência artificial, já que uma eventual frustração nos resultados das empresas pode elevar a volatilidade na segunda metade do ano.
Para investidores mais agressivos, Santos afirmou que o maior potencial está em ETFs ligados ao crescimento e a segmentos de maior beta, como o iShares NASDAQ 100 UCITS ETF, o Invesco EQQQ NASDAQ-100 UCITS ETF, o iShares S&P 500 Information Technology Sector UCITS ETF e o iShares MSCI Global Semiconductors UCITS ETF.
Esses instrumentos concentram exposição ao ciclo da inteligência artificial, software, chips, data centers e grandes empresas de crescimento, o que pode favorecer seu desempenho caso Wall Street mantenha o atual impulso.
Ela também citou o Invesco Russell 2000 UCITS ETF como alternativa para investidores que apostam em uma ampliação da alta para empresas menores, caso os juros se estabilizem e o apetite por risco aumente.
Ainda assim, Santos alertou que a margem para erros nesse segmento é menor, já que esses ETFs podem sofrer correções relevantes diante de uma alta dos rendimentos dos títulos, resultados abaixo do esperado das empresas de tecnologia ou redução do prêmio atualmente atribuído pelo mercado à inteligência artificial.
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As escolhas da SBS
Juan Manuel Franco, economista-chefe do Grupo SBS, da Argentina, afirmou que investidores com maior tolerância ao risco encontram oportunidades em ETFs ligados a tendências estruturais, como inteligência artificial, transição energética e demanda por commodities.
Entre suas principais alternativas está o VanEck Semiconductor ETF (SMH), fundo ligado ao setor de semicondutores, considerado um insumo essencial para o desenvolvimento da inteligência artificial.
Franco observou que a indústria acumula uma forte valorização, mas avalia que, caso as expectativas de aumento da demanda por capacidade computacional e data centers se confirmem, os semicondutores podem continuar favorecidos.
No segmento de materiais, destacou o Global X Copper Miners ETF (COPX), composto por empresas ligadas ao cobre, metal considerado relevante para diversas aplicações industriais.
Também citou o Global X Uranium ETF (URA) como alternativa para investidores que apostam em maior demanda por urânio diante do crescimento das necessidades energéticas, incluindo aquelas relacionadas à operação de data centers.
Para quem pretende manter exposição ao setor de tecnologia, mas busca maior diversificação, Franco apontou o Invesco QQQ Trust (QQQ), que acompanha o índice Nasdaq 100.
Já para perfis mais conservadores, explicou que a ausência de BDRs de ETFs de renda fixa limita as opções disponíveis para investidores argentinos. Por isso, sugeriu concentrar os investimentos em fundos mais diversificados e voltados ao longo prazo, como o SPDR S&P 500 ETF Trust (SPY), baseado no S&P 500, e o SPDR Dow Jones Industrial Average ETF Trust (DIA), baseado no Dow Jones.
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As propostas da PUENTE
A equipe de advisory da corretora argentina PUENTE afirmou que o segundo semestre será marcado por um cenário global repleto de desafios, no qual as expectativas de bons resultados corporativos nos Estados Unidos e o avanço tecnológico convivem com avaliações elevadas e políticas monetárias ainda restritivas.
Nesse contexto, a instituição destacou que, ao avaliar alternativas de investimento em ETFs, é importante considerar, por questões de eficiência tributária, instrumentos no formato UCITS, registrados fora dos Estados Unidos.
Para perfis conservadores, a equipe recomendou priorizar setores voltados à redução da volatilidade e com capacidade de oferecer proteção diante de eventuais mudanças na política monetária ou de episódios geopolíticos.
Entre eles, destacam-se os setores industrial e de infraestrutura estratégica, beneficiados pelo processo de relocalização industrial; ETFs de alto dividendo com estratégia de valor, ligados a segmentos maduros como consumo básico, saúde e serviços financeiros estáveis; e o setor de defesa e segurança internacional, visto como uma alternativa de perfil contracíclico e de proteção estratégica.
Para investidores mais agressivos, a PUENTE apontou oportunidades em temas ligados à inteligência artificial e à infraestrutura tecnológica, aceitando maior volatilidade de curto prazo e avaliações mais elevadas em troca de potencial de crescimento.
Entre os segmentos destacados estão semicondutores e hardware avançado, pela exposição ao núcleo da cadeia de fornecimento de chips e componentes de última geração; infraestrutura para inteligência artificial e data centers, com foco em empresas que fornecem a infraestrutura física necessária, como sistemas de energia e conectividade; e cibersegurança, impulsionada pela crescente demanda por proteção digital.
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