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Presidente de La Liga detona Infantino e diz que Fifa ‘age em detrimento do futebol’

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Apesar do triunfo da Espanha na Copa do Mundo 2026, o presidente de La Liga não ficou contente com decisões da Fifa durante o Mundial. Javier Tebas ocupa o cargo máximo da primeira divisão espanhola desde 2013 e fez críticas à Fifa e ao presidente da entidade, Gianni Infantino.

As falas de Tebas foram dadas em entrevista para a Gazzetta Dello Sport da Itália. O dirigente espanhol criticou primeiramente a decisão de acrescentar, em sua opinião, de forma desnecessária, a pausa para hidratação em todas as partidas da competição.

“A FIFA faz as coisas como quer, para o que quer, para os seus próprios interesses, certamente não para o futebol. Então, se precisam de uma pausa de 27 minutos, fazem. As pausas para hidratação são uma farsa. Temos isso em La Liga, mas só quando está muito calor. Aqui, os campos em Dallas, Los Angeles e Atlanta tinham ar condicionado; tive de vestir uma blusa nas bancadas. Era uma farsa, um intervalo comercial. E depois houve o caso Balogun”, disse o presidente.

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As decisões controversas do Mundial

Logo em seguida, Tebas falou sobre como as decisões têm sido tomadas de forma ditatorial, sem consultar as demais entidades do futebol.

“Isso demonstra que somos governados por uma instituição que faz e decide o que quer, quando quer, buscando apenas seus próprios interesses sem considerar, muito menos consultar, o resto do futebol. E, em muitos casos, age em detrimento do futebol” desabafou Javier.

O veículo continuou questionando Tebas sobre a situação e pediu ao presidente uma forma de resolver a situação atual. Javier, por sua vez, disse que “é difícil”, e afirmou que o “sistema” possui cúmplices ativos para corroborar com esse tipo de decisão, além dos cúmplices passivos que permanecem em silêncio. Logo em seguida, Tebas voltou a citar a decisão sobre a situação de Balogun durante a Copa.

“A suspensão do jogador americano é um assunto extremamente sério: eles tiveram sorte porque a Bélgica eliminou os EUA, porque, caso contrário, poderiam ter criado um escândalo que poderia ter custado o emprego de Infantino. Como a Bélgica venceu, conseguiram abafar o caso. Mas isso é apenas a ponta do iceberg”, disse o presidente.

Poder no futebol monopolizado

“A decisão sobre a Superliga deu à FIFA e à UEFA um poder enorme, confirmando seu monopólio. No entanto, elas deveriam ter usado esse monopólio para trabalhar com os diversos atores do nosso setor e para o bem do futebol, com transparência geral e regulatória, e decisões consensuais. Não para fazer o que a FIFA está fazendo”, disse Tebas, que completou falando sobre o acúmulo de jogos no calendário das equipes. “Já denunciamos repetidamente a questão do calendário. E agora eles querem realizar uma Copa do Mundo com 64 seleções”.

A próxima edição da Copa do Mundo está marcada para acontecer na Espanha e em outros países. De acordo com Tebas, esta é uma das decisões que “não faz sentido” no âmbito do esporte.

“Aumentar o número de seleções nacionais não faz sentido. A indústria do futebol não se resume à Copa do Mundo, que é o evento mais importante. Mas nem tudo pode girar em torno da Copa do Mundo. São as competições nacionais que sustentam o esporte. Estão destruindo a indústria do futebol, aquela que gera dezenas de milhares de empregos para um evento que dura 40 dias e com a presença de apenas uma minoria de jogadores. Os melhores jogadores estão lá? Claro, mas eles também estão nas nossas ligas. Precisamos de menos seleções nacionais e mais proteção para o futebol nacional, em todos os níveis. Eles não percebem isso e estão tomando decisões irresponsáveis”.

Fora Infantino?

Diante de tantas críticas, o jornal questionou Tebas sobre sua opinião sobre a demissão de Gianni Infantino do cargo. Javier não pestanejou e respondeu de forma direta que: “sim, acho que chegou a hora dele”. Apesar disso, Tebas explicou que, apesar disso, entende que não é possível devido ao apoio do “sistema”, além da falta de candidatos de oposição.

“Ninguém quer se candidatar para perder. Este é o sistema, e é um sistema falho desde a sua base. Não deveria continuar assim, mas o estado atual das coisas significa que não vai desaparecer”, desabafou Tebas.

Por fim, Javier falou sobre críticas que tem ouvido sobre Infantino, porém não vê uma movimentação contra o presidente da Fifa.

“Ultimamente, aqui nos Estados Unidos, tenho ouvido muita gente contra o Infantino, que não concorda com o que ele está fazendo. Dizem isso, mas não fazem nada. Não sei o que é pior, o silêncio ou a cumplicidade, porque aqueles que permanecem em silêncio estão perfeitamente cientes do dano que o futebol está sofrendo”, concluiu Tebas.





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