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Quer ter acesso em primeira mão aos posts de Trump? É só pagar US$ 100 mil

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A Truth Social, a rede social de Donald Trump, passou a ser uma ferramenta de trabalho para investidores e gestores, que buscam seguir as decisões e os comentários feitos pelo presidente americano.

Agora, o Trump Media & Technology Group, que opera a rede social, viu aí uma (nova) oportunidade de fazer dinheiro. Lançou um serviço chamado Truth API, dando acesso mais rápido aos conteúdos das postagens na rede.

Segundo o Financial Times, o valor da assinatura mensal seria de US$ 100 mil. Em seu pitch para os executivos de Wall Street, a empresa comandada pelos filhos de Trump listou 10 “market-moving posts” dando um mostra de como o serviço poderá favorecer a compra ou venda de ativos.

“Firmas de proprietary trading (negociação com capital próprio) e hedge funds pagam quantias elevadas por fluxos de dados ultrarrápidos, pois cada milissegundo conta na reação a notícias que movimentam o mercado,” disse o FT. “Trump frequentemente faz anúncios importantes na Truth Social, desencadeando grandes oscilações nos mercados globais.”

A Truth Social tem quase 13 milhões de seguidores. A vantagem para os assinantes da API seria de milissegundos, por isso muito difícil de ser notada pelos reguladores do mercado. Mas será um benefício e tanto para fundos quantitativos e trades algorítmicos que faturam justamente com esse tipo de assimetria de informação – e um prejuízo evidente para a grande massa de investidores e pequenos gestores.

A plataforma começará a funcionar em agosto. Segundo a Reuters, em contratos de três anos o fee mensal sairá por ‘apenas’ US$ 60.000.

A venda do acesso privilegiado por meio da Truth API seria “extremamente antiético,” Donald Sherman, presidente do grupo de fiscalização apartidário Citizens for Responsibility and Ethics, afirmou à Reuters.

Já houve diversas ocasiões em que postagens de Trump tiveram impacto expressivo nos mercados. Por exemplo, no dia 9 de abril do ano passado as bolsas dispararam quando o Presidente dos EUA afirmou em um texto na Truth Social que a imposição de tarifas seria pausada por 90 dias.

Kevin McGurn, CEO interino da Trump Media, afirmou em um comunicado que o serviço deve se tornar “fonte de receita significativa e contínua para a empresa, gerando valor duradouro para os acionistas.”

A empresa não tem ido muito bem na bolsa. No ano, acumula queda de 30%.

Outras redes sociais, como o Reddit e o X, já oferecem esquemas do tipo, possibilitando por meio de API próprias que os robôs dos traders automatizados tenham acesso a postagens com uma vantagem de milissegundos.

Em outra iniciativa que poderá alargar o gap de informação entre grandes e pequenos gestores, a Securities and Exchange Commission (SEC) deverá ir adiante com a proposta – endossada por Trump – de acabar com a obrigatoriedade de publicação dos balanços trimestrais. Os quarterly reports passariam a ser opcionais e seria exigida a publicação a cada seis meses.

A iniciativa tem sido fortemente criticada pelos investidores e gestores americanos. Em uma consulta pública a respeito do assunto, a SEC recebeu mais de 200 mil comentários, segundo o Wall Street Journal.

Boa parte das opiniões se refere a como a menor regularidade de prestação de contas irá restringir o acesso a informações atualizadas sobre as empresas listadas.

Segundo o Journal, pelo menos 20.000 manifestações reproduziram os termos de uma campanha popular anônima organizada para se opor a medidas que abandonem a exigência dos relatórios trimestrais.

Outros 40.000 comentários continham uma mesma frase, dizendo que a proposta “impede que investidores como eu tenham acesso a informações sobre as empresas, permite que elas se escondam a portas fechadas e possibilita a proliferação de fraudes.”

O período de comentários foi encerrado em 6 de julho.

Pela regra em vigor, as companhias são obrigadas a apresentar trimestralmente o Formulário 10-Q, com informações financeiras e listagem de riscos para o negócio.

“Os relatórios trimestrais são uma das principais ferramentas utilizadas por investidores de varejo para avaliar se vale a pena comprar, manter ou vender uma ação,” disse a associação Better Markets. “Sem eles, os investidores teriam acesso a um panorama oficial das finanças apenas uma vez a cada seis meses – um intervalo longo o suficiente para que problemas graves fiquem no escuro, como fraudes, lançamentos de produtos fracassados, endividamento crescente e processos judiciais.”




Giuliano Guandalini






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